Festival da Mantiqueira reúne na Serra escritores e vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2011
O Festival da Mantiqueira, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, chega à quinta edição, nesse fim de semana, entre os dias, 25 a 27 de maio (sexta a domingo), em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (138 km de São Paulo). Entre os destaques, autores em processo de criação, e outros, com obras prontas para serem lançadas.
A curadoria de André Sturm, traz também na programação, autores que apresentam novas obras nos próximos meses. João Paulo Cuenca lança, em maio, A última madrugada, coletânea de crônicas publicadas entre 2003 e 2010.
A última mesa do sábado reúne José Castello (Vinicius de Morães: O Poeta da Paixão e Ribamar) e os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2011, Rubens Figueiredo (Passageiro do Fim do Dia) e Marcelo Ferroni (Método Prático da Guerrilha), para falar sobre ficção e realidade e responder à pergunta: Em que medida uma interfere na outra?
Dar visibilidade aos escritores e aos dois grandes vencedores da quarta edição do Prêmio São Paulo de Literatura, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura, e anunciados em 2011 virou o objetivo maior da Secretaria. Em breve, conheceremos os premiados desse ano. Rubens Figueiredo, autor de Passageiro do fim do dia, conquistou o prêmio na categoria Melhor Livro do Ano e Marcelo Ferroni foi o vencedor da categoria Melhor Livro do Ano – Autor Estreante, com Método prático da guerrilha. Na cerimônia, no Museu da Língua Portuguesa, cada escritor recebeu R$ 200 mil. Além da visibilidade: o Ministério das Relações Exteriores vai divulgar os vencedores em outros países.
Ao conceder os prêmios a Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni, Andrea Matarazzo prometeu aumentar o número de cidades incluídas no projeto Viagem literária e comentou os investimentos da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, no incentivo à literatura e novos autores: ” Este ano, foram 221 romances concorrentes, contra 217 em 2009 e em 2010, o que mostra como o Prêmio São Paulo de Literatura já está consolidado”
Anúncio Melhor Livro – Autor estreante para Marcelo Ferroni e entrevista
Em maio de 2004, o Departamento de Estado dos EUA libera a transcrição do interrogatório de Paul Neumann, ex-aluno de história da PUC-RS, realizado em 1967, em um hospital militar na Bolívia, por dois renegados cubanos a serviço da CIA. Essa é sumariamente a moldura ficcional deste thriller de espionagem, centrado na figura de um Che Guevara amargo, careca e barrigudo.
Valendo-se de paráfrases da história, através de diários e relatórios, Ferroni apresenta os bastidores da ação, na formação das redes urbanas do movimento da esquerda internacional e as frentes de batalha em Ñancahuazú, recriando os acontecimentos daquela trágica (e por vezes cômica) guerrilha.
Leitura de Método prático da guerrilha, pelo autor Marcelo Ferroni, gravada pela Companhia das Letras
Em Método prático da guerrilha, Ferroni põe à prova, com uma pesquisa minuciosa, os métodos preconizados pelo próprio Guerra de guerrilhas, de Che, e aponta, com algumas doses de ficção, as contradições da prática revolucionária.
Nasceu em 1974, em São Paulo. Vive atualmente no Rio de Janeiro, com a mulher e um filho. É editor da Alfaguara, selo de literatura da Editora Objetiva. Método prático da guerrilha é seu primeiro romance.
Prêmio de melhor livro do ano
O livro Passageiro do fim do dia (Companhia das Letras) é o quinto romance de Rubens Figueiredo. Assim mesmo ele se mostrou emocionado e surpreso com o prêmio por concorrer com outros 9 finalistas, autores de grande qualidade. Na entrevista, ele comenta que quis falar da opressão social, através do narrador que viaja dentro de um onibus, e se questiona.
Anúncio do Melhor Livro do Ano para Rubens Figueiredo e entrevista
Este romance de escritura primorosa narra um percurso. É o que se opera na consciência de Pedro durante uma viagem de ônibus para o bairro do Tirol, na periferia pobre da cidade onde mora – uma espécie de panela de pressão de violência e injustiça sistemática. É lá que mora Rosane, sua namorada.
De radinho no ouvido, lendo a intervalos, ele observa o que se passa dentro do ônibus e fora nas ruas. No fim da viagem ele não será mais o mesmo: ele revê durante o trajeto, os fatos de sua vida, seus afetos, e o mundo opressivo em que está imerso.
não deixa dúvida sobre a importância de Rubens Figueiredo no cenário literário contemporâneo no Brasil.
Nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Formado em letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é tradutor e professor de português e tradução literária. Cronista e romancista, é autor de As palavras secretas, Barco a seco, ambos prêmio Jabuti, Contos de Pedro e O livro dos lobos (Companhia das Letras), entre outros.
Premiados nas edições anteriores
Em 2010 os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura foram A minha alma é irmã de Deus, de Raimundo Carrero, como melhor livro do ano e Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre, como melhor obra de autor estreante. Em 2009 venceram Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito e A parede no escuro, de Altair Martins. Na primeira edição, em 2008, os premiados foram O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza e A chave de casa, da estreante Tatiana Salem Levy.
Notas relacionadas:
- Festival da Mantiqueira espalha literatura através de viagem literária
- Conversa com um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura
- Rubens Figueiredo é o vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2011



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