Exposição inédita com pinturas de Mira Schendel no IMS-RJ
Abre neste sábado, 10/09, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro , às 17h, a exposição Mira Schendel, pintora, com 27 obras da artista plástica suíça radicada no Brasil. Na abertura, será realizada uma mesa-redonda aberta ao púbico com a participação da curadora e historiadora Maria Eduarda Marques, do crítico de arte Ronaldo Brito e do artista plástico José Resende. Os lugares são limitados.
A exposição reúne alguns dos melhores exemplos da pintura de Mira Schendel, produzidos entre os anos de 1950 e 1980, pertencentes a acervos de coleções particulares e instituições. Ao longo de sua carreira, Mira Schendel trabalhou com diferentes materiais e linguagens, sendo mais conhecidos seus trabalhos em papel, tais como as monotipias e os objetos gráficos. Mas a pintura sempre permeou sua trajetória artística. Na mostra, vão estar obras que exemplificam as diversas fases da produção pictórica da artista.
Segundo a curadora Maria Eduarda Marques, em Mira Schendel, pintora, é possível perceber que muitos dos conteúdos que a artista desenvolveria em outros suportes surgem primeiramente de suas experiências no campo da pintura.
No mesmo dia da abertura da exposição será lançado o catálogo homônimo com a reprodução das obras expostas e texto da curadora. Além disso, a publicação reúne uma seleção de textos históricos sobre a pintura de Mira Schendel dos críticos Mário Pedrosa, Mario Schenberg, Theon Spanudis, Rodrigo Naves e Ronaldo Brito, e depoimentos inéditos de três pintores contemporâneos: Marco Giannotti, Sérgio Sister e Paulo Pasta, cujos trabalhos dialogam com aspectos da produção de Mira.
Sobre a artista
Myrrha Dagmar Dubb nasceu em 7 de junho de 1919, em Zurique, na Suíça. Após a separação de seus pais (ambos de origem judaica), muda-se para Milão, acompanhando a mãe e o padrasto. Ali, frequenta a escola de arte a partir de 1936 e estuda filosofia na Universidade Católica entre 1938 e 1940. Com a Segunda Guerra Mundial, Mira interrompe os estudos e deixa a Itália. Em Sófia, na Bulgária conhece seu primeiro marido, Jossip Hargesheimer, com quem viaja para o Brasil em 1946. Mira se registra como Mirra Hargesheimer. A viagem termina em Porto Alegre, onde o casal fixa residência.
Nos anos 1950, Mira já vive um período de intensa atividade artística. Sua primeira exposição individual acontece na sede do jornal Correio do Povo, em 1950. No ano seguinte, Mira é selecionada para integrar a I Bienal de São Paulo. Em 1953, Mira e Jossip se separam. A artista muda-se para São Paulo. No ano seguinte, conhece Knut Schendel, com quem se casaria oficialmente em 1960, quando passa a usar o sobrenome do marido. As séries das Fachadas e das Geladeiras compõem a primeira exposição individual de Mira em São Paulo, no Museu de Arte Moderna, em outubro de 1954.
O início da década de 1960 representa um período de pesquisa e de produção intensas na pintura. Em 1964, trabalha com têmpera sobre papel umedecido. No ano seguinte, Mira realiza a série das Bombas, apresentadas numa individual na galeria carioca Petite Galerie. Entre 1964 e 1966, Mira realiza a série de monotipias em papel de arroz, posteriormente trabalhando também com signos e sinais de pontuação em letraset. Em 1966, Mira desenvolve as séries Droguinhas e Trenzinhos. Em 1968, a convite do jornalista e crítico de arte Jayme Maurício, Mira participa da 34ª Bienal de Veneza, expondo seus objetos gráficos. Sua participação na X Bienal de São Paulo, em 1969, acontece com a instalação Ondas paradas de probabilidade.
Em 1974, Mira inicia a série dos datiloscritos, obras feitas com tipos datilografados, por vezes associados à caligrafia. Sua participação na XVI Bienal de São Paulo, em 1981, acontece com I Ching, série de 12 têmperas sobre madeira. Os Sarrafos, o último conjunto de obras finalizado por Mira, são compostos por 12 têmperas realizadas em 1987. Foram expostos na galeria paulistana Gabinete de Arte Raquel Arnaud e, no Rio de Janeiro, na galeria Sérgio Milliet/Funarte. Mira morreu em São Paulo, no dia 24 de julho de 1988, deixando inconclusa uma nova série das pinturas matéricas, feitas com pó de tijolo e cola. Apenas três dessas obras foram terminadas.
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Mira Schendel, pintora
Até 20 de novembro de 2011
Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
De terça a sexta, das 13h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação livre
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o a, pois bem, para não ser injusto com essa suiça Mira Schendel valho-me de trecho do texto de Paulo Venancio Filho, que é quem se aproxima mais daquilo que penso, como se segue: ” Há uma concordância em entender o trabalho de Mira Schendel como um não-ser, uma entidade que não se fixa o suficiente para ser identificada, que não se estabiliza o bastante para ser isolada e nem, se define nitidamente para ser conceitualizada.” ( Obra: A transparência misteriosa da explicação, pp. 27-28 ). É ao meu ver o que percebemos no quadro número acima na ordem descrescente- um retângulo vermelho tendo ao lado um triângulo, todavia, pode-se fazer inúmeras leituras mas fica difícil afirmar é isto ou aquilo.