quinta-feira, 8 de setembro de 2011 Entrevista, Imagem, Literatura | 00:58

Os desenhos e as letras do escritor Gilles Eduar

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Ao descolar seu primeiro emprego, na livraria do Musée du Louvre, o arquiteto franco-brasileiro Gilles Eduar, formado pela FAU-USP, descobriu uma nova vocação: ilustrar e escrever livros infantis. Porque não? Afinal, desenhar, ele sempre desenhou bem, desde criança.

Hoje tem livros publicados no mundo todo, nas mais diversas línguas, em holandês, norueguês, um mais bonito do que o outro. Dos livros lançados aqui no Brasil, o mais recente é o Espetáculo de Números e o Alfabeto de Histórias que ficou entre os finalistas do Jabuti. Ambos foram publicados pela Ática.

Invadimos o ateliê de Gilles para conhecer melhor seu trabalho

Ele não é apenas um ilustrador, escreve as narrativas também: “O que eu gosto mesmo é de contar histórias. Em vez de fazer uma enciclopédia, resolvi contar a história desses dois personagens: Adèle e Zorba (a girafa e a zebra). No primeiro livro, eu fiz um alfabeto e  nele Zorba ia apresentar Adèle para a família dele. Eles começam viajando de avião, começa por A, conforme foram avançando ao longo da história vão para o Bar, o Caminhão, viagem de Dromedário… Aqui, é a viagem de núpcias deles.”

Em todos os seus livros, notamos uma constante: a preferência por animais como principais protagonistas. “Desenhar animais é muito fácil, porque você não tem medo de errar. Um ser humano você tem medo de fazê-lo torto, de não ser bonito suficiente. Animal, você tem mais liberdade para desenhar, facilita bastante.”

 

Entre os vários livros que foram publicados no exterior, ele nos mostra La Planète, traduzido para vários idiomas, com exceção do português. Foi um dos primeiros. Depois vieram as histórias e os desenhos do cachorrinho Nilo. “O Nilo foi o primeiro livro que eu fiz quando eu voltei ao Brasil no ano 2000.

A série editada pela Companhia das Letras começou por Ossos do Ofício. A história é assim: o Nilo vai passeando pela rua e vai reparando que todo mundo trabalha e no fim… na última imagem, ele descobre que seu trabalho é deixar as pessoas felizes. É o melhor trabalho!” Gilles explica que pinta com guache, diferente de outros ilustradores, não usa computador.

Conta que quando fez seu segundo livro Asas do Crocodilo pintava em papel bem vagabundo, porque tinha medo de gastar dinheiro com papel.Asas do Crocodilo é seu único livro publicado na França, reeditado aqui pela Editora Martins Fontes

A série Nilo se completa com o último livro Poesias do Nilo onde o cachorrinho conta, em poemas, como passa o dia, sozinho em casa: ele lê, desenha, vê televisão, brinca de faz de conta com seus amigos Galileu e Agostinho… ”Como toda criança, o cãozinho se diverte, e vai inventando… o que faz durante o dia todo. “Para fazer esse livro, eu lembrei das coisas que eu fazia quando era pequeno. Adorava fazer ‘croc croc’ pelo chão.”

O que nasce primeiro a história ou os desenhos?

“Primeiro, eu imagino o que vai ser a história. Quando você faz um livro, tem que contar uma história num certo número de páginas. Tem que haver um diálogo entre o desenho e a história. O que a imagem conta você não precisa contar no texto. Então, você já tem uma noção da história e depois vem a ilustração. O texto que está escrito aqui no rascunho tem a ver, mas não é exatamento o que está no livro. É o que você vai mostrar para o editor. A história vai surgindo. Você vai dividindo essa história ao longo das páginas possíveis, escreve, desenha, reescreve… Você começa pelo texto, vai pelo desenho e reescreve o texto para acompanhar o desenho.

Ao falar do bom resultado do seu Alfabeto de Histórias, que resume em estrofes rimadas, o significado de cada letra em pequenas histórias engraçadas, Gilles comenta que o velho Larousse é a sua bíblia: “Eu sento, elaboro a imagem, leio o dicionário para saber o que pode caber… Eu estou tentando adotar o computador para render um pouquinho mais, mas o que eu faço no computador ainda é muito tosco. O meu desenho não adianta, tenho que fazer na guache mesmo. Ficar na frente do computador é meio insano!”

Em todos seus livros, Gilles Eduar abusa de um humor sútil e de poesia. Alguns conversam com os livros de outro arquiteto, craque na ilustração, que se aventurou a escrever para crianças, e que já mostramos aqui: Kiko Farkas.

Destacamos também outro livro que não aparece na reportagem. Em Diálogos Interessantíssimos, conversas travadas por animais, objetos e pessoas, subvertem com muito bom humor o gênero consagrado da filosofia. As conversas são tão surpreendentes que encantam até os adultos. Essa é outra das suas características agradar a todos os públicos.

As ilustrações de Gilles ajudam a compor a atmosfera feérica e a fruição de uma leitura de fina ironia. O desenho é fantástico, com cores e paisagens de fazer inveja ao pintor Gauguin que retratou as belezas do Taiti. Como dá vontade de comprar os originais! Gilles promete uma exposição das pinturas para breve.

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Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Imagem, Literatura Tags: , , , , , , , , , ,

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5 comentários para “Os desenhos e as letras do escritor Gilles Eduar”

  1. heddy dayan disse:

    super legal e instrutivo para escritoras como eu, que também quer ser ilustradora,.Adorei a girafa, Mona Dorf , e CIA DAS LETRAS

  2. henk nieman disse:

    Um stimulo para desligar o computador e aproveitar o tempo na vida real. Muito bom o trabalho do Gilles Eduar!

  3. francisco carlos marrocos disse:

    Mona Dorf, podemos dizer que como arquiteto Gilles é um ótimo desenhista, entendo que ele deveria ir além, ou seja, criar DESENHOS PARA COLORIR de suas criações ampliando o leque de opções para os mais interessados no seu trabalho que são as crianças. Do seu desenho os vejo como figuras posta em ambiente muito colorido e suas histórias são textos para das faixas dos 5 aos 12 anos.

  4. Mona e Gilles,

    Adorei a reportagem e principalmente poder conhecer “de perto”, apesar de estar tao longe fisicamente…. os lindos livros e illustracoes do Gilles.
    Chapeau bas!

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