quarta-feira, 3 de agosto de 2011 Entrevista, Exposições | 23:45

O grito de Frans Krajcberg pela floresta

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Não há como não sair impactado da  mostra KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas, no Museu Afro Brasil em Sâo Paulo. Nas 31 obras, entre esculturas em grandes dimensões, relevos, back-light e fotografias, o artista plástico polonês que adotou o Brasil, Frans Krajcberg exibe a mesma vitalidade de sempre, para erguer, em alto e bom som, sua voz em defesa da natureza. No ano em que o Brasil aprova seu controverso código florestal e que a ONU celebra  o ano internacional da floresta, a exposição vem a calhar.  

Frans Krajcberg mostrou seu trabalho em retrospetivas similares na Fundação Yves Rocher, na Bretanha, na França, na Bélgica e em Salvador. Nem por isso, está mais exultante: “Uma coisa seria bom você mencionar: quando o brasileiro vai conhecer o Brasil? E o que é importante é você lembrar que tem um povo que mora nessas florestas, na Amazônia. E se elas desaparecem, vai faltar oxigênio. E mais, nosso planeta está ficando gravemente doente ”. Há décadas, Krajcberg não economiza no discurso, e tampouco a idade o tem impedido  de seguir sua estratégia de denúncia internacional, numa agenda concorrida de exposições bem focadas.

“Ninguém fala que tem um povo que mora na Floresta”

 

“O Brasileiro não conhece o Brasil!”

É nítida a revolta do artista, através de suas criações, contra o descaso com as florestas, as queimadas incessantes, e a incapacidade brasileira de preservar o patrimônio natural com que foi abençoada.  

As obras, relevos e esculturas são feitos com sobras das matas queimadas que o próprio artista recolhe em suas incursões e passeios. Ele nos conta que já teve como companheiros Burle Marx, Jacques Cousteau, hoje ele faz peregrinações solitárias. E seu grito parece ser solitário: “Eu me pergunto: onde estão os ecologistas? O que fazem?”, lamenta sem perder a contundência.

 Krajcberg comenta que abdicou de um Museu no Ibirapuera, por conta dos trâmites burocráticos; tudo que é seu, ele doou para o estado da Bahia, já que não tem herdeiros. Entusiasmado, nos mostra as telas onde o público poderá ver  filmes – sobre ele, sua luta e sua morada -, como o de Walter Moreira são exibidos…

Sua militância vai além da arte, ele está envolvido com um tribunal internacional que levará em conta os crimes ambientais do país: ” Tem  muita violência contra os índios, por isso vai ter justiça internacional”. 

“Não quero ser famoso. Mas sou homem muito revoltado”

Um protesto contra a devastação

Nas fotografias, a imagem da real crueldade. O fogo ardendo sobre a mata prenuncia a destruição. Áreas carbonizadas, lúgubre cenário. Mas, assim mesmo a vida insiste em renascer, a natureza tem sua sabedoria. 

Para o curador, Emanoel Araujo, as sobras são mais que simples restos. “São o que resulta das atrocidades praticadas contra a natureza do Brasil”

“Essas formas de cores quentes captadas pela magia da sua lente são a mais inegável demonstração de sua luta por salvar a beleza que ainda vive nas nossas matas”, completa.

Passeio virtual

A pesquisa e utilização de elementos da natureza, em especial da Floresta Amazônica, e a defesa do meio ambiente, marcam toda sua obra.

Frans Krajcberg, escultor, pintor, gravador, fotógrafo


Nasceu em 1921 na Polônia, estudou  engenharia e artes na Universidade de Leningrado. Na Segunda Guerra Mundial, perde toda a família em um campo de concentração. Muda-se para a Alemanha, onde faz a Academia de Belas Artes de Stuttgart. Chega ao Brasil em 1948. Em 1951, participa da 1ª Bienal Internacional de São Paulo com duas pinturas. Reside por um breve período no Paraná, isolando-se na floresta para pintar. Em 1956, muda-se para o Rio de Janeiro, onde divide ateliê com o escultor Franz Weissmann (1911 – 2005).

Desde 1972, reside em Nova Viçosa, no litoral sul da Bahia. Viaja constantemente para a Amazônia e Mato Grosso, onde fotografa os desmatamentos e queimadas. Dessas viagens, retorna com raízes e troncos calcinados, que resultam em esculturas e imagens dramáticas que reverberam pelo mundo.

“KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas”
Até 06 de Novembro de 2011
Museu Afro Brasil
Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Parque do Ibirapuera – Portão 10, São Paulo 
Horário: De terça a domingo das 10h às 17h

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Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Exposições Tags: , , , , , , , , , ,

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5 comentários para “O grito de Frans Krajcberg pela floresta”

  1. edmar bulla disse:

    Adoro as obras desse cara e a maneira como ele cria. A exposiçao é parada obrigatória!!!

  2. [...] de tudo isso, vivido no começo dos anos 1990, quando li o post de @monadorf sobre a exposição KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas, em cartaz no Museu Afro Brasil em São Paulo. Desde aquela época era nítida a revolta do artista [...]

  3. Alvarenga disse:

    Depois de Picasso, com Guernica, Krajcberg é um dos poucos artistas engajados no mundo. A arte contemporânea, além de pouca coisa aproveitável, é a mais alienada de todos os tempos. A luta desse artista é um exemplo para todos aqueles que querem melhorar esse mundo.

  4. [...] abaixo as duas partes de entrevista que a jornalista Mona Dorf realizou com Krajcberg, sobre essa [...]

  5. maria leoncio disse:

    Tivesse eu a juventude ,estaria presente neste evento grandioso. Com meus 84 anos , resta-me aplaudir o grande artista a quem conheço desde longas datas…….

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