A casa do poeta Guilherme de Almeida
Um bom passeio nas férias ou durante o fim de semana é visitar a Casa Guilherme de Almeida, no Pacaembu em São Paulo. O local é considerado o primeiro museu-casa biográfico e literário da cidade; trata-se da antiga residência do poeta, tradutor, jornalista, crítico e advogado paulista Guilherme de Almeida e de sua esposa. Junto com seu diretor, o poeta Marcelo Tápia, percorremos as várias salas, repletas de obras de arte. O casal Baby e Guilherme se dava com Lasar Segall, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e toda a turma modernista, por quem foram retratados…
Guilherme de Almeida foi um dos princípais articuladores da Semana de 22
Um dos destaques da sala de estar é a peça em bronze criada por Brecheret, intitulada Sóror Dolorosa (mesmo nome de um poema de Guilherme) – exposta durante a Semana de Arte Moderna de 1922, no Theatro Municipal. Guilherme de Almeida foi editor da Klaxon, a revista porta-voz do movimento modernista, como nos conta Marcelo Tápia, ao nos guiar pela casa.
Guilherme de Almeida teve uma ação plural
Ele gostava de se dedicar à heráldica, a arte de fazer brasões e fez o de São Paulo e Brasília….
O museu-casa tem cerca de 5 500 livros que pertenceram ao poeta que dialogou com a vanguarda, que sempre foi antenado e é referência por sua vasta produçãopara a poesia brasileira. Ele foi jornalista, colunista e diretor da Folha de São Paulo. Atuou também como crítico de cinema e tradutor, sobretudo do francês.
Em sintonia com uma das principais atividades de Guilherme de Almeida, cujas traduções são consideradas exemplares pela crítica, aqui funciona um Centro de Estudos de Tradução Literária com cursos avançados de tradução e também, sessões de cinema com filmes comentados.
Um rico Museu Biográfico e Literário com raridades
Os livros e documentos estão disponíveis para pesquisadores. Durante o tempo em que a casa ficou fechada, foi realizada a catalogação do acervo – a relação de títulos pode ser consultada pela internet -, e executadas ações de higienização e restauro de obras e objetos.
Quem desejar saber mais sobre esse importante autor modernista vai encontrar o conjunto de obras publicadas por ele, em sua primeira edição e as primeiras edições, com dedicatória, de livros de nossos maiores escritores: Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Guimarães Rosa…
Entre os livros raros, Marcelo nos mostra um precioso volume em pergaminho, datado do século XVII, e um exemplar da quinta reimpressão da primeira edição de Ulysses, de James Joyce.
Casa da Colina
O belo sobrado, quarto imóvel construído na Rua Macapá, no então ermo bairro do Pacaembu, foi projetado pelo arquiteto Sílvio Jaguaribe Ekman, em 1944. Com a esposa Baby, Guilherme de Almeida ali residiu de 1946 até sua morte, em 1969. Lar e ponto de encontro da inteligência artístico-literária paulistana, era chamado pelo poeta de “Casa da Colina”, nome dado recentemente a uma praça próxima ao imóvel. A Secretaria de Cultura organiza visitas guiadas, que podem ser agendadas. É possível subir até o topo da mansarda, onde Guilherme de Almeida se refugiava para escrever. De lá, ele avistava até a Praça da República, no centro…
O museu abriga quadros e objetos que o poeta e sua esposa, Baby de Almeida, colecionaram durante uma vida. Merece destaque o conjunto de telas assinadas por pintores como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Gomide, Tarsila do Amaral e Samson Flexor. Além dos retratos diversos, por vários pintores, do casal, há também uma interessante cabeça de Baby esculpidada pelo suíço William Zadig, além de um busto do poeta feito por Joaquim Figueiras. Litografias de Rugendas, desenhos, aquarelas e iluminuras, de diversos artistas brasileiros, compõem os ambientes. Sem falar na vitrine extarordinária que atesta a amizade de dois poetas: Guilherme de Almeida e Oswald de Andrade.
A escada de minha mansarda
Conhecendo pessoalmente ou não a Casa Guilherme de Almeida, você não pode deixar de ouvir o poema que ele fez sobre um assunto tão prosaico: a escada de sua casa que conduz ao piso superior, na voz do poeta Márcelo Tápia.
A arquitetura da Casa foi mantida praticamente original permitindo ao visitante, uma rica experiência de imersão no universo do gosto e da abrangência cultural do poeta. Além de vermos como o casal vivia, há um belo acervo de arte para ser apreciado.
Você pode conhecer a habilidade do poeta tradutor Guilherme de Almeida, através da reedição dos Poetas de França, obra de 1936 que apresenta uma ampla e diversificada mostra da produção de 31 dos mais importantes poetas franceses. A edição, bilingue da Babel, traz desde do medieval François Villon aos célebres Stéphane Mallarmé, Charles Baudelaire, Paul Verlaine e Paul Valéry
Casa Guilherme de Almeida
Rua Macapá, 187, Pacaembu- São Paulo
De terça a domingo, das 10h às 17h
Entrada franca
Notas relacionadas:
Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Passeios, Patrimônio Tags: A escada de minha mansarda, Anita Malfatti, Baby de Almeida, Casa Guilherme de Almeida, Di Cavalcanti, Editora Babel, Guilherme de Almeida, Lasar Segall, Marcelo Tápia, Mona Dorf, Oswald de Andrade, Poetas de França, Sílvio Jaguaribe Ekman, Tarsila do Amaral
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Muito legal ! Vou conhecer.
carla, seu blog é impecável…depois de tanta notícia ruim, você coloca apenas grandes programações do brasil. Gostaria que você aparecesse aqui pelo norte nordeste você seria extremamente bem vinda obrigada;D
Obrigada! É só convidar.
Ano passado estive na Fliporto e fiz grandes matérias.
Se vc der uma busca, vc acha. Veja lá.
bjs M
Que legal, não conhecia esse passeio. Moro na rua Guilherme de Almeida, aqui em Bauru, e vai ser muito interessante levar as crianças para conhecer um pouco da vida do artista.
Mona, muito interessante o post sobre a casa Guilherme de Almeida. A poesia moderna brasileira precisa ser valorizada, agradeço quando jornalistas como você o fazem. Acho que seria legal você saber que está saindo um livro sobre o poeta Roberto Piva, morto no ano passado, e seus companheiros da Geração Novíssimos. “Os Dentes da Memória” é o título. As autoras são duas amigas que fiz na faculdade de jornalismo, Renata D’Elia e Camila Hungria. Acho que vale conferir. O livro sai pela Azougue Editorial.
Um abraço do Marcelo.
Muito bacana e surpreendente esse lugar! sempre passamos por ali e ignorávamos a exist~encia deste Museu. Você acha cada coisa interessante!! beijos e vida a esta coluna! Bjs