A vida pública e privada da família real
A exposição Retratos do Império e do exílio, marca a transferência do acervo de fotos da família real, sob a guarda de D. João de Orleans e Bragança para o Instituto Moreira Salles. Antes no Rio de Janeiro, a mostra abre no dia 19 de julho no Instituto Moreira Salles de São Paulo a partir das 19h30. Nas mais de 700 fotos cedidas é possível conhecer de perto a família real brasileira, não só pelo seu lado público, mas na vida privada. 150 fotografias do acervo foram selecionadas pelos curadores, o príncipe fotógrafo, Dom João de Orleans e Bragança, e Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS.
Álbum de família
Sergio Burgi explica que muitos dos retratos são inéditos – em especial os do período do exílio após a proclamação da República – ” É um mix de album de família, fotos de estúdio posadas e importantes imagens associadas a eventos que marcaram o Império, como as comemorações do fim da Guerra do Paraguai e a abolição da escravatura.

- Princesa Isabel, Conde d’Eu e os netos no castelo d’Eu, Normandia, França, c. 1918. P. Gavelle/ Acervo Dom João de Orleans e Bragança
Uma das grandes imagens do século XIX: uma aglomeração pública
Um grande painel reproduz o que deve ter sido umas das primeiras aglomerações em praça pública; e mostra a Princesa Isabel e o Conde d’ Eu, reunidos a populares, de diversas classes, brancos e negros, comemorando o fim da escravidão, numa missa campal, 4 dias após, o anúncio da abolição.
As cartes de visite
Uma série de pequeniníssimos retratos nos mostram que, a partir da segunda metade do século XIX, trocar cartões de visita entre os nobres e burgueses, significava fazer circular suas imagens de mão em mão, retratos em miniatura tirados em estúdio. Não é muito diferente do que hoje ocorre nas redes sociais!
Os visitantes podem ver também registros de Marc Ferrez, agraciado pelo imperador com o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa e também fotógrafo da Marinha Imperial; e Revert Henry Klumb, professor de fotografia das princesas Isabel e Leopoldina. Próximos à família imperial – ambos fotografaram momentos de maior privacidade no interior dos palácios, imagens menos formais, sem a intermediação das exigências do cargo e da vida pública.
Na exposição Retratos do Império e do exílio no Rio de Janeiro foi lançado o catálogo homônimo, com 40 imagens e texto de Sergio Burgi. Alberto Henschel, Joaquim Insley Pacheco, Luiz Terragno, Otto Hess, entre os diversos fotógrafos atuantes no Brasil integram o acervo, além de imagens de retratistas europeus como Félix Nadar e John Jabez Edwin Mayall, entre outros.
Sobre o acervo de d. João de Orleans e Bragança:
Composto por 781 itens, o acervo congrega um conjunto importante de fotografias originais de época e negativos em vidro reunidos por d. Pedro II, pela princesa Isabel e seus descendentes. Dom João de Orleans e Bragança, herdeiro e depositário deste conjunto, decidiu em 2009 confiá-lo, em regime de comodato, ao IMS, onde o acervo vem sendo preservado e restaurado, da mesma forma como ocorreu com outros acervos como o de Thomas Farkas.
Exposição Retratos do Império e do Exílio
Até 11 de setembro de 2011
Instituto Moreira Salles – São Paulo
Rua Piauí, 844, 1º andar – Higienópolis
De terça a sexta, das 13h às 19h/ Sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h
Entrada franca
Classificação livre
Notas relacionadas:
- Na casa do Príncipe, em Paraty
- O príncipe fotógrafo
- A família paulistana: um retrato do povo brasileiro
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