segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 Entrevista, Exposições, Imagem | 00:05

Em Miragens, a leitura política se faz presente na arte do mundo árabe

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Não deixe de ver no Instituto Tomie Ohtake  a exposição Miragens, com  obras de arte contemporânea, de 19 artistas que têm em comum o universo cultural islâmico! Idealizada por Rodolfo Athayde e com curadoria de Ania Rodríguez, Miragens passou anteriormente pelo CCBB-RJ. Num momento em que o noticiário internacional se volta para a onda de revolta que varre os países árabes, é interessante notar a imagem estereotipada que o Ocidente acabou desenvolvendo sobre o Islã e sua cultura.

Passeamos pelas 2 salas do Tomie Ohtake, que abriga a exposição, ouvindo a curadora Ania Rodríguez.

Diáspora árabe

São artistas destacados no cenário internacional e que moram em diversos países, “a diáspora árabe” : Shirin Neshat, Shadi Ghadirian, Bita Ghezelayagh (Irã), Khaled Hafez e Susan Hefuna, Wael Shawky (Egito), Ali Talib, Hassan Massoudy (Iraque), Halil Altindere, Sener Ozmen (Turquia), Kamel Yahioui (Argélia), Laila Shawa, Malileh Afnan, Taysir Batniji (Palestina), Lucia Koch (Brasil), Mounir Fatmi (Marrocos), Shezad Dawood (Inglaterra), Rachid Koraichi (Argélia) e Ramia Obaid (Síria).

 “A tradição muçulmana é questionada e mesmo reinventada nos trabalhos, através de técnicas e imagens típicas aproveitadas para estruturar discursos que dialogam com o presente”,  afirma Ania Rodríguez que nos mostra por exemplo as incríveis fotografias de Shadi Ghadirian, de grandes dimensões onde a artista se apropria do estilo “retrato de estudio”, introduzido no Irã no final do século XIX, para propor um conjunto de anacronismos com objetos modernos importados do Ocidente: telefones, aparelhos de som, aspiradores.

Fashionista/terrorista

Contestação multiformato

Uma das mais conhecidas artistas da exposição é Shirin Neshat. Impressiona muito sua série “Mulheres de Alá”, com fotos imensas onde fragmentos de corpos femininos são associados a inscrições caligráficas e armas.

Na obra de Sener Ozmen, uma espécie de mixto de fanático com super-homem interpretado pelo próprio artista dedica-se a cumprimentar Alá.

Vídeos completam a exposição que revela que há muito mais constestação e atitude no mundo árabe do que podemos imaginar!


Islã: Arte e Civilização

Paralelamente, o CCBB-SP apresenta por sua vez a mostra que se volta para a tradição e a cultura milenar do Islã. Cerca de 300 peças que ajudam a contar os pouco mais de 1400 anos de história das nações do mundo islâmico. Com curadoria de Rodolfo de Athayde e do Prof.Dr. Paulo Daniel Farah, a mostra, em cartaz até 27 de março, reúne obras dos mais importantes museus da Síria e do Irã, além de objetos de países da África muçulmana.

Até 03 de abril de 2011
Local: Instituto Tomie Ohtake
Endereço: Av. Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros, São Paulo
Datas e horários: de terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca

Livro sugerido

O interesse pela cultura islâmica é proporcional ao lugar que ela ocupa no panorama dos acontecimentos contemporâneos. O Irã está na moda, independente das relações diplomáticas Lula/Ahmadinejad…
Na visão de Adriana Carranca e Marcia Camargos em O Irã Sob o Chador, é um país com uma cultura ancestral que vale a pena ser visitado.

A cordialidade do povo contrasta com a de seu governante… contam as duas jornalistas que viajaram para fazer uma descoberta comum: uma realidade difícil, porém singular, num dos poucos lugares ainda resistentes à globalização. No livro, um cenário de conflitos entre o arcaico e o moderno, o religioso e o secular, opressivo e libertário. Contradições captadas e exibidas também no Caderno de Fotos, que ilustra o livro.

Título: O Irã sob o chador
Autor: Adriana Carranca e Marcia Camargos
Editora: Globo
Genero: Livros Reportagem
Páginas: 248

Veja também:

Miragens: a arte contemporânea do Islã no Rio

Um pedaço do Islã no Brasil, agora, em São Paulo

Notas relacionadas:

  1. Concretismo russo, da publicidade à arte
  2. Miragens: a arte contemporânea do Islã no Rio
  3. Um pedaço do Islã no Brasil, agora, em São Paulo
Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Exposições, Imagem Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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7 comentários para “Em Miragens, a leitura política se faz presente na arte do mundo árabe”

  1. João Paulo disse:

    Interessante sua performace sobre essa materia.
    Voce tem um ponto de vista, que nos ajuda a formar novas opiniões sobre esta materia, que faz parte da historia da humanidade.Mais um pais democratico, muito bom para os outros paises. Agora será outro desafio implantar a democracia.Base outros paises democraticos.

  2. [...] This post was mentioned on Twitter by Mona Dorf, Mona Dorf. Mona Dorf said: Em Miragens, expo em SP no Tomie Ohtake, a leitura política se faz presente no arte do mundo árabe – Obras incríveis! http://bit.ly/hdX7XK [...]

  3. [...] Em 2009, o público brasileiro teve contato com os artistas da vanguarda russa, primeiro enaltecidos pela revolução e depois colocados no gelo, pelo regime comunista, na fantástica exposição trazida para o CCBB, por Ania Rodríguez, a mesma curadora de Miragens. [...]

  4. [...] você for visitar a mostra Miragens no Instituto Tomie Ohtake, não deixe de conhecer o trabalho do Atelier Mirga. Com 300 obras [...]

  5. [...] no Instituto Tomie Ohtake, acontece a exposição Anônimos e Artistas, e assim como as mostras Miragens e Veja ilustre passageiro: o Atelier Mirga e os cartazes de bonde, já apresentadas aqui no blog, [...]

  6. Lyzbeth disse:

    If not for your writing this topic could be very conlvuoted and oblique.

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