terça-feira, 28 de dezembro de 2010 Entrevista, Festivais Literários, Literatura | 08:00

A literatura de Beatriz Bracher

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Beatriz Bracher esteve na FLIP 2010, em Paraty, na mesa Fábulas contemporâneas com Ronaldo Correia de Brito e Reinaldo Moraes. Os três autores já estiveram em Flip anteriores, o que para Beatriz, pareceu aumentar a responsabilidade: “Falar em público sempre me deixa um pouco apreensiva. Mesmo porque o que os escritores fazem de bom, é escrever, e, em geral, não tem nada de muito interessante a dizer. Some-se a isso o fato da Flip ser um lugar de muita visibilidade e de eu me apresentar com  dois escritores que admiro, Ronaldo Correia de Brito e Reinaldo Moraes. O compromisso que tenho é com a minha obra e a relação que posso ajudar a estabelecer entre ela e o público. Poder fazer isso em um lugar tão especial como Paraty, no final, é sempre um privilégio”.

Formada em Letras, Beatriz Bracher (1961, São Paulo, Brasil) foi uma das editoras da revista de literatura e filosofia 34 Letras e cofundadora da Editora 34, onde trabalhou por oito anos.

Meu amor:  denominador comum é a violência

Com ele, ultrapassa a fronteira dos genêros e da língua, tem até um poema, em inglês: My love, que dá título ao livro. Meu amor mereceu da Fundação Biblioteca Nacional, o Prêmio Clarice Lispector de melhor livro de contos de 2009. A violência é um denominador comum, mas para ela, o título tem a ver com coisas íntimas e intensas.  Aqui nos lê um trecho.

Além de escritora, ela é roteirista de cinema. Em 1994, escreveu o argumento do filme Cronicamente inviável, com Sérgio Bianchi, diretor de quem é amiga, de longa data. A parceria se estendeu no longa-metragem Os inquilinos, com o qual conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio 2009.

Azul e dura: escrevi e reescrevi mil vezes …

Bracher, que já esteve na Flip em 2005, relançou esse ano seu primeiro romance, Azul e dura, ( 2002) que foi seguido de Não falei (2004). ” Escrevi e rescrevi mil vezes … É a história de uma moça, ex-hippie no Rio de Janeiro, que se aburguesa e acaba atropelando uma deficiente física. ” Agora prepara novo livro.

Seu romance Antonio se classificou nos prêmios mais prestigiados do país: segundo lugar no Portugal Telecom, entre os 10 finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, da Secretaria de Estado da Cultura, terceiro lugar no Jabuti, na categoria Romance

Antonio: romance com narradores múltiplos

“ Escrever as três vozes de cada personagem e mais o ouvido do Benjamim, que só escuta a história, foi o jeito que encontrei de contar sobre todo um grupo de pessoas, um tempo e um lugar” me contou ela no programa  Letras & Leituras . ” O tempo são os anos 70, sobre o qual eles falam, e o tempo também é a passagem do tempo, como ele existe hoje dentro de cada um. Cada vez que eu escrevia uma voz eu tinha que mudar não o só ponto de vista do qual a história é contada, mas também o vocabulário e gramática do texto, foi trabalhoso e divertido.”

Bracher brinca com o idioma e escreve contos intimistas. Moraes fala do universo underground paulistano e da rotina de abusos, drogas e álcool de personagens desregrados. Brito cria um sertão mítico com ecos de parábolas bíblicas. O que aproxima três vozes tão distintas? O fato de figurarem entre as mais densas e originais da literatura brasileira. Isso basta para justificar a conversa que travaram esse ano em Paraty.

Para saber mais:

Os Inquilinos- adaptação do roteiro- parte 1

A dura vida de cineasta no Brasil-parte 2

Os Inquilinos e Cache: dois filmes que conversam-parte 3

Notas relacionadas:

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  3. A(o) gosto das letras em Ourinhos
Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Festivais Literários, Literatura Tags: , , , , , , , , , , , ,

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6 comentários para “A literatura de Beatriz Bracher”

  1. [...] as aguardadas mesas de Ronaldo Correia de Brito com Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes, Fábulas contemporâneas, 15h e Veias abertas, 17h, com Isabel Allende e [...]

  2. Rudi Santos disse:

    Beatriz, sou bibliotecário e organizei a biblioteca do seu pai e de seu irmão. Vi uns exemplares de seus livros na casa de seus pais e pedi a ele que me dessem um azulzinho para ler. O título me intrigou. O que seria azul e dura? Pensei, uma pessoa morta? Fiquei impressionado com seu estilo, me lembrou um pouco Clarisse Lispector. O texto vai se dando, ao que me parece, conforme sai do pensamento, direto para o papel. Adorei. Seus outros livros estão na minha fila de leitura. (principalmente “Antonio”). Organizei também a biblioteca do Pinhal, mais um paraiso de livros bem característico de seus pais e família.
    Desejo a vc sucesso e seria um grande prazer conhece-la um dia.

  3. Rudi Santos disse:

    Mona,
    Trabalho em bibliotecas particulares e isto me da bastante liberdade para ouvir seu programa na eldorado e videos sobre escritores e leitura. Não perco um “Letras e leituras” e sou admirador seu e de seus entrevistados. Estou escrevendo um livro sobre minha experiência com bibliotecas particulares. Nele vou contar um pouco do que percebo deste universo único e à parte do universo dos outros tipos de biblioteca. Como cada biblioteca é um plano de leitura e uma recordação da vontade e do prazer de ler num determinado momento da vida. Contudo, está bem longe da finalização e de eu ter a sorte de um dia ser um de seus entrevistados.
    Boa sorte e sucesso!

  4. [...] This post was mentioned on Twitter by Mona Dorf. Mona Dorf said: RT @casmurros: @monadorf fala sobre a escritora Beatriz Bracher, destaque da #flip2010… http://tinyurl.com/29lj4xx [...]

  5. [...] é irmã de da escritora Beatriz Bracher que conversou conosco no estúdio do IG sobre sua [...]

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