Encontro marcado com o escritor Humberto Werneck
O livro de crônicas Esse inferno vai acabar do escritor e jornalista Humberto Werneck, publicado pela Arquipélago Editorial, está entre os 60 finalistas da primeira etapa do Prêmio Portugal Telecom, na categoria Conto/Crônica onde concorrem também Ivan Angelo, com Certos Homens, da Arquipélago Editorial, João Carrascoza, com Amores mínimos, Miguel Sanches Neto, com Então você quer ser escritor? ambos da Record, entre outros nomes prestígiados como Carpinejar e Luis Fernando Veríssimo do gênero adotado pelo Brasil.
Dono de um estilo próprio já muito bem revelado no jornalismo, marcado pelo humor e pela mineirice, Werneck é ainda mais engraçado quando atua em mediações de mesas literárias e quando conversa ao vivo, como nessa entrevista que nos deu para falar de sua produção anterior.
No livro, O Espalhador de Passarinhos e outras crônicas, Editora Dubolsinho, Humberto Werneck dá o mesmo tratamento humorístico aos fatos do cotidiano, que costuma dar nos textos saborosos que escreve às sextas no caderno Outlook, do Jornal Brasil Econômico, e aos domingos no site de crônicas www.vidabreve.com. ” Quando posso melhorar a realidade, não deixo de fazê-lo”. As crônicas atravessam várias épocas e registram histórias verdadeiras que ele enfrentou como jornalista. É o caso da crônica sobre um ensaio de JR Duran para a revista Playboy, com ninguém menos do que a filha de Fidel Castro: “Com grande sigilo e contrato milionário, foi montado um grande aparato em Roma, para convencer a filha de Fidel, a posar nua na Playboy. Ela estava meio gordinha… mas, lá fomos nós!” conta Humberto, ao nos deliciar com a leitura do texto e o clima desse encontro.
São todas crônicas muito engraçadas, como a dos casamentos e relações que se dissolvem lentamente, quando os casais se servem através de um copo de requeijão.
Eu poderia ter sido o pai do PAC!
A crônica que não saiu no livro… A candidata do PT, Dilma Roussef foi sua companheira de classe nos anos 6o, em Belo Horizonte e nos bailinhos onde os homens tiravam as mulheres para dançar; elas ficavam ali à espera, perfiladas: “Minha mãe dizia, filho não dance só com as bonitinhas, dance também com as mais feinhas. E como eu não tirei a Dilminha pra dançar, eu escrevi que perdi a chance de me tornar o pai do PAC”.
O pai dos burros, um livro involuntário
Dicionário de lugares-comuns e frases feitas e pérolas sobre o futebol, o livro, da Arquipélago Editorial, é um sucesso tão grande que já vai ganhar uma segunda edição. Ninguém falará e escreverá do mesmo jeito, depois de ver os verbetes juntados, ou melhor, colecionados, em guardanapos, anos a fio, ( ai! perdoa essa Humberto? ) pelo escritor e jornalista. ” São como pilhas gastas, essas palavras ou clichês, que não servem pra nada, mas que por hábito, repetimos o tempo todo sem pensar.”
“Futebol é bola na rede, é ópio do povo, é uma caixa de surpresa… amigo pessoal, agenda positiva, inflação galopante, girar em torno…” Divirta-se!
Biografia de um desonhecido que inspirou artistas e intelectuais
Na biografia O Santo Sujo, publicada pela editora Cosac Naify - sobre a qual Humberto Werneck foi o centro de uma das melhores mesas da Flip em 2008 -, Werneck discorre sobre um personagem criativo e instigante, porém desconhecido:o boêmio Jayme Ovalle. Músico, poeta, grande artista, compositor de Azulão, com letra de Manuel Bandeira, foi amigo de Villa Lobos, Portinari e tantos outros artistas. “Ele costeou as figuras mais importantes da cultura brasileira de seu tempo. Sem ter obra, ele influenciou seus amigos, os intelectuais: Murilo Mendes, Fernando Sabino – o personagem Germano de Sabino é o próprio Jayme Ovalle – Manuel Bandeira, Vinicius de Morais, essa mania de diminutivo do poetinha, veio dele…”
Adjetivos ovallianos – A Nova Gnomonia
“Ovalle não tinha meios de produzir, mas foi um grande artista! Produziu poesia, 33 músicas, mas sua arte vazava no convívio. Era um homem criativo, muito original, seus amigos anotavam tudo que ele falava, nas conversas de bar. Ele inventou por exemplo um modismo, a Nova Gnomonia, para classificar a humanidade e adjetivar as coisas. Ele botou todos os seres humanos em 5 categorias:
- o Exército dos Parás – homenzinhos terríveis s que descem do norte pra vencer na capital da República.
- os mozarlescos, os sentimentais que choram no cinema.
- os kernianos, impulsivas , são pessoas de bom coração, mas capazes da maior barbaridade.
- os dantas, os puros de coração.
- os onésimos, pessoas não tão más, mas que fazem baixar uma sombra, um frio onde elas chegam.
A Nova Gnomonia pegou a tal ponto, que a inteletualidade toda se divertia divindo e separando a humanidade nessas 5 categorias. Objetos e eventos da natureza, como um luar também podiam ganhar adjetivos ovallianos: ”Me lembro de Antonio Cândido contar que ele e Sergio Buarque de Hollanda passavam noites classificando e adjetivando as coisas.”
Outros livros
O escritor e jornalista Humberto Werneck tem vários livros publicados e constantemente relançados.
Entre eles, os da Companhia das Letras, Vultos da República , com perfis políticos e O Desatino da Rapaziada, sobre seus conterrâneos de Minas Gerais: Rubem Braga, Drummond, Ivan Ângelo, Otto Lara Resende, Affonso Romano de Sant´Anna e tantos outros escritores que se renderam em algum momento também à paixão do jornalismo.
Saiba Mais:
Isabel Allende por Humberto Werneck
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[...] Encontro marcado com o escritor Humberto Werneck Autor: Mona Dorf – Categoria(s): Entrevista, FLIP Tags: A Casa dos Espíritos, A Ilha sobre o Mar, Afrodite, Antonio Lobo Antunes, Bertrand Brasil, FLIP, Humberto Werneck, Isabel Allende, Meu País Inventado, Paula, Playboy, realismo mágico, Retrato em sépia [...]
A gente deve seguir os conselhos da mãe .
Caramba , se tivesse dançado com a garota e dado uns guenta , tomado cuba libre com ela ouvindo the Plates ; no ano que vem, voce poderia ser ministro da cultura, carro preto oficial com motorista, deve ter dreto a cartão corporativo, jatinho, jatinho é o máximo , eu tambem deixei de fazer umas coisa que me arrependo ate hoje
mas agora é tarde, adeus ministério da cultura
Sergio, muito bom! Pois é, o nosso caro amigo werneck perdeu a grande chance!
Bjs e obrigada!
Olá prezados jornalistas, formadores de opinião,
Quanto vale a obra de Grassmann? Pergunto porque não sei.
Sei que Grassmann é um dos maiores artistas da história da arte, sei
que dedicou toda sua vida a produzir extraordinarias gravuras e agora
conseguiu editar toda sua obra. Que gênio da arte conseguiu tal feito?
O artista vive de vender sua obra, e a histórica e inestimavel edição
procura busca interessados, museus como o MAC que está se mudando e
gastão milhões nessa mudança e certamente tem “obrigação” em ter a
obra de Grassmann em seu acervo, assim como demais museus, centros
culturais, o itamarati (quem sabe?)….
Como sobrinho do mestre e grande ser humano escrevo na esperança de
contar com a ajuda de vocês na divulgação e alerta de uma obra dessa
importância ainda não ter sido adquirida.
Para conhecê-la http://www.marcelograssmann.blogspot.com
grato pela gentil atenção, ótimas festas a vocês e seus amados!
Paulo Roberto Grassmann
concerteza muito mais que bo é ótimo.