O legado de Clarice
Se viva, Clarice Lispector completaria nessa sexta-feira 90 anos. Nascida na Ucrânia, em 1920, emigrou aos cinco anos, com a família, para Recife e depois mudou-se aos 15 para o Rio. Ela foi a homenageada da Festa Literária de Pernambuco que contou também com a presença de seu biográfos Nadia Gotlib, Clarice Um vida que se conta (Edusp), Clarice Fotobiografia (Imprensa Oficial) e Benjamim Moser, Clarice, (Cosac Naify) com quem já conversamos aqui.
Mais moderna do que nunca
A escritora e sua vida atribulada inspiram na web uma legião de claricianos: blogs, fóruns e comunidades, as atrizes Beth Goulart no teatro, Cassia Kiss no cinema.
Clarice costumava tomar, banhos de mar, em Olinda, nas primeiras horas da manhã, levada pelo pai, como num ritual de purificação. Lá encontramos sua sobrinha neta Nicole Algranti, que participava da Fliporto e produziu o filme De Corpo Inteiro, exclusivamente para o mercado de DVD e TV. (69 minutos)
Nos anos 60 e 70, Clarice que atuava como jornalista entrevistou dezenas de personalidades para a Revista Manchete e para o Jornal do Brasil, reunidas hoje no livro Entrevistas, lançado em maio de 2007, pela editora Rocco. São conversas de vida com 25 personalidades como Ferreira Gullar, Tônia Carrero, Maria Bonomi, Nélida Pinõn e os falecidos Érico Veríssimo, Fernando Sabino, Helio Pellegrino, Tom Jobim…
De Corpo Inteiro: Uma Clarice simples revelada por Nicole
Inspirada nessas entrevistas, a diretora Nicole Algranti, sobrinha neta de Clarice, filmou De Corpo Inteiro com pitadas de ficção: a personagem principal é Clarice Lispector, em encontros dramatizados com as mais variadas personalidades com quem ela conversou. Clarice dá uma verdadeira aula de jornalismo ao mergulhar poeticamente no mundo de seus entrevistados. “Era uma pessoa simples, agradável, que gostava de crianças e animais” conta Nicole.
Clarice vai se revelando aos poucos, a cada entrevista que realiza
De acordo com a diretora do documentário ficcional, “O filme contextualiza as décadas de 60 e 70, que foram os anos nos quais ela trabalhou como jornalista.” faceta que poucos conhecem…
Três irmãs escritoras
Além de Clarice, Elisa e tania, avó de Nicole também escreviam.
Em Exílio, Elisa Lispector contou a saga da família parecida como a de muitos judeus que emigravam daquela região, fugindo dos pogroms, perseguições.
“Eram pobres, mas tinham fome de saber. A necessidade de aprender a português fez com que elas mergulhassem de cabeça na língua”, conta Nicole, cuja avó publicou um livro aos 89 anos, pouco antes de falecer, dois anos atrás.
O filme é uma homenagem aos amigos que foram entrevistados pela escritora. “Ela tinha um toque especial na hora de entrevistar. Procuramos os textos publicados pela artista, as pessoas que ainda estão vivas foram entrevistadas novamente. É um filme interessante para o jornalista ver”, comenta.
Clarice Lispector
Outros posts sobre Clarice Lispector:
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Dose dupla de Benjamin Moser no domingo da Flip
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Notas relacionadas:
Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Cinema, Entrevista, Literatura Tags: Clarice Lispector, De Corpo Inteiro, Editora Rocco, entrevistas, Érico Veríssimo, Fernando Sabino, Ferreira Gullar, Helio Pellegrino, Maria Bonomi, Nélida Pinõn, Nicole Algranti, Tom Jobim, Tônia Carrero
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Clarice também realizou entrevistas para a revista Fatos e Fotos/Gente, sua última entrevista aliás ocorreu meses antes de sua morte (com Flora Morgan Snell, no dia 17 de outubro de 1977) Seria interessante a diretora ter buscado outras fontes além dos livros. Afinal, uma entrevista publicada na revista Manchete ou na Revista Fatos e Fotos/ Gente é completamente diferente de uma entrevista publicada em um livro, após revisão, etc
Aliás, nenhum dos livros publicou a entrevista com Maísa! Entre outras, interessantíssimas!
[...] http://colunistas.ig.com.br/monadorf/2010/12/10/o-legado-de-clarice/ [...]
Ela já e mais que uma lenda literária, tudo ligado a ela vira ouro, pode virar uma marca de franquia
Nome de e uma escola uma livraria
Nesta e em outras datas, sempre vale a pena lembrar a fundamental entrevista que Clarice concedeu uma unica vez para a televisao à Julio Lerner, grande personagem da resistencia jornalistica no Brasil e muito proximo à autora.
Querido Julio, voce faz falta, também neste momento.
Assisti a peça “O Ovo e a Galinha”, no SESC Consolação hoje, 10/12, que por coincidência seria o aniversário de Clarice se ela estivesse viva. A atriz, Angélica de Paula, estava muito emocionada, tanto pela atuação, como pela data especial. Sua atuação é um verdadeiro “tour de fource”. Esse texto de Clarice é denso e hermético, mas Angélica consegue nos dar “vislumbres” de possíveis compreensão de seu sentido. A peça tem momentos de rara belza estética, como quando a atriz serve de papel para a projeção do texto clariciano.
Ao final, comemorando a data da célebre aniversariante, a platéia recebeu as “pílulas de Clarice”. Pequenas frases, atadas com fita de seda preta. Clarice não poderia ser lembrada de uma melhor maneira. Recomendo a experiência.
[...] Fonte: iG [...]
Clarice veio para o Brasil com alguns meses, cerca de dois meses e nao com CINCO ANOS.
[...] temos o De corpo inteiro , de Nicole Agranti, sobre Clarice Lispector e Só dez por cento é verdade , de Pedro Cezar, uma [...]