quinta-feira, 30 de setembro de 2010 Entrevista, Exposições, Imagem | 09:41

Coleção Domingos Giobbi mostra relação afetiva com a arte

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Uma coleção que reúne Di Cavalcanti, Ismael Nery, Volpi, arte sacra, tem espaço também para a arte popular, primitiva brasileira e está sendo mostrada pela primeira vez na Estação Pinacoteca. É uma das coleções particulares mais representativas do melhor de nossos pintores, mas também de imaginária e móveis do período colonial.


 O sacro e o profano, o popular e o erudito

Logo na entrada da exposição, um conjunto de leões em cerâmica feito por Nuca de Tracunhaém (PE), um dos mais renomados artistas populares, que descobriu nos anos 90.

O colecionador se diverte mostrando, um a um, os leões de barro do sertão de Pernambuco: “Entre eles, tem um que é o delegado, olha como ele tem uma cara de mandão! São meus soldadinhos de chumbo!”

Emociona-se ao lembrar Tracunhaém, a cidade de onde sai a arte de barro de Nuca: “É uma aldeia formada por artistas, que de noite fica toda iluminada, parecendo um presépio”. Fala de sua amizade com Volpi e conta como arrematou num leilão uma jóia: o belíssimo Autorretrato com Torre Eiffel de Ismael Nery, disputado, lance a lance, com a esposa do psicanalista Chaim Hamer, conhecido colecionador de Nerys. A cotação e o interesse por Nery só fizeram subir desde então, convertendo as obras do artista em peças de museu.

Do europeu Lasar Segall à imaginária católica afro-brasileira

Domingos nos conduz pela exposição e aponta um quadro de Lasar Segall, pintado em seu ateliê em Dresden, com traços do expressionismo produzido na Alemanha, antes se ser banido por Hitler. A tela antecede a chegada do pintor russo que depois da Europa emigrou para o Brasil, onde se tornaria conhecido. Nosso foco se desvia para outra tela, a pintura de uma mulher, que impressionava Volpi - Figura com Persiana -, da série intitulada As Erradias. “Era uma prostituta, mas veja como ele a descreve… Com que classe!”

Seguimos pela vitrine que exibe as imagens de santos. Ele prefere a imaginária paulista, mais sóbria, menos decorativa do que o barroco mineiro: “As primeiras imagens feitas em Sâo Paulo têm muito a ver com o imaginário medieval, com as antigas estátuas de barro existentes em Portugal e na Itália.” Chegamos à uma preciosidade tributária da cultura africana: as figuras de Santo Antônio, miniaturas de 2 a 10 cm, esculpidas em nó de pinho por escravos, presentes apenas no Brasil, como explica o colecionador.

Contemporaneidade da pintura brasileira com o silêncio do novecento

Colecionar é uma paixão. A coleção nasce e vai crescendo com o passar do tempo: “Gosta-se de uma peça, de um móvel, de um quadro, depois de outro e vai-se comprando dentro de um critério instintivo. Não há, de antemão, o propósito de fazer uma coleção disso ou daquilo”, revela Domingos.

E como é interessante ouvir o colecionador falar das peças do seu tesouro:  comentar o que o atraí na pintura de Di Cavalcanti, José Antonio da Silva, entre outros.

A coleção inclui, além de outros artistas modernos, um segmento dedicado à arte colonial.  com destaque para as telas de Di Cavalcanti , O Gasômetro (1929), primeiro quadro adquirido no Brasil, quando estava de passagem pelo Rio de Janeiro, com traços cubistas. Paramos na frente de outra preciosidade, que o colecionador que é também clarinetista gosta especialmente: Os Músicos, pintado de memória por Di Cavalcanti, em Paris.

Nascido na Itália, ele conta que após a Segunda Guerra, na Europa, galerias e movimentos artísticos que haviam estancado retomaram com entusiasmo. Atento, ele pode ver e conhecer o novecento italiano: “as obras do De Chirico, do Carrà, Morandi… Enfim, de todos os artistas da época. Gostei muito daquelas pinturas, especialmente as de conotação metafísica. Quando voltei ao Brasil, em 51, procurei na pintura brasileira alguma coisa similar. Aquele silêncio… que encontrei, sobretudo, na obra de Volpi e Di Cavalcanti.”

Giobbi conheceu Volpi, em 1972, quando o procurou para restaurar uma obra e ficaram amigos, a ponto da coleção ter quadros representativos de todas as fases do pintor, como nos contou a curadora Maria Alice Milliet. Ela explica o didatismo da mostra de Volpis. Num outro vídeo, a coleção Giobbi vista em sua residência

Saiba Mais:

A arte de colecionar começa a ser estudada em São Paulo

Coleção Domingos Giobbi – arte, uma relação afetiva
Até 05 de dezembro de 2010
Local: Estação Pinacoteca
Endereço: Lgo. General Osório, 66, Centro, São Paulo
Aberta de terça a domingo, das 10 às 18h
Grátis aos sábados

Notas relacionadas:

  1. A arte da gravura por três mestres no Museu Lasar Segall
  2. Na Estação dos livros, um convite à leitura
  3. Salão de Arte traz raridades e o melhor de 60 galerias do Brasil
Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Exposições, Imagem Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

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3 comentários para “Coleção Domingos Giobbi mostra relação afetiva com a arte”

  1. Pedro Paulo Zorzi disse:

    Tenho umas alegria imensa em ver obras de pessoa como DomingosGiobbi, eu em particular nao o conheci mas meu pai foi seu massagista por muitos anos ( por volta de 1970) e falava-me muito dele.

    ppzorzi

  2. [...] vez foi criada à partir do acervo da família Nemirovsky “emprestado” à Pinacoteca. A Coleção Domingos Giobbi – arte, como relação afetiva inaugura uma série de quatro módulos, a cada ano, uma coleção será enfocada, tendo em vista a [...]

  3. [...] A Pinacoteca vai receber ainda as fotografias e colagens do russo Aleksandr Rodchenko (1891-1956), numa grande retrospectiva que já foi mostrada no Instituto Moreira Salles, do Rio. Além do espaço que é a sua sede, na Praça da Luz, prevê  apresentar no prédio que é a sua estensão, a Estação Pinacoteca, ao lado da Sala São Paulo, no antigo Dops, no Largo General Osorio, mostras do espanhol Antoni Muntadas e de artistas contemporâneos peruanos, de grande vitalidade, mas pouco conhecidos. A Estação Pinacoteca abriga a Coleção Nemirovsky e exibiu em 2010 grandes mostras como a de Andy Wharol e a Coleção Domingos Giobbi. [...]

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