Isabel Allende por Humberto Werneck
Ela se fecha, acende uma vela e fica ali recolhida como quem espera uma chama para começar os livros. A velha casa já foi um bordel, uma igreja, uma fábrica de biscoitos e chocolate, e guarda os odores dessas três coisas. É lá onde a escritora faz questão de iniciar o ritual que se repete, todo dia 8 de janeiro, quando resolve dar um pontapé em algum novo romance.
Quem conta é o jornalista e escritor Humberto Werneck, a quem caberá entrevistar a diva do realismo mágico latino-americano e que já esteve com ela em Sausalito, subúrbio charmoso na costa de São Francisco, onde a escritora mantém um escritório.
Sucesso estrondoso de público, desde A Casa dos Espíritos, com mais de 56 milhões de livros vendidos, todos publicados pela Bertrand Brasil, Isabel Allende teve os ingressos de sua mesa esgotados em menos de 10 minutos.
“Não vejo a hora de voltar a conversar com ela. Vai estar na Flip uma das pessoas mais interessantes que já conheci, como personagem, como escritora. As pessoas vão ficar tão fascinadas com ela tanto quanto eu fiquei há mais de 10 anos, quando fiz a entrevista para a Playboy (1999).
A vida de Isabel Allende já é um romance
Para Werneck, Isabel Allende é um caso bastante raro de escritora ou escritor que é tão interessante quanto a sua obra. Ela trabalha com uma imaginação muito grande, mas na verdade, nem precisaria. Sua vida tem todos os ingredientes da melhor ficção.
Werneck chama a atenção para a não-ficção, como o autobiogáfico Paula que conta uma história terrível, a doença e morte da filha: “Entremeado com isso, a vida dela, uma Allende, prima em segundo grau de Salvador Allende com quem conviveu. Só isso daria um livro, ela viveu um golpe que depôs o primo, se exilou na Venezuela, teve vários casos de amor mesmo durante o casamento… Em 87, passando pelos EUA para divulgar livro conheceu o atual marido. É uma vida muito curiosa, muito rica.”
Prato afrodisíaco para falar do livro que lançava
O marido, muito simpático, apareceu no almoço que Allende fez questão de preparar, ela mesma, com ingredientes afrodisíacos para receber o jornalista. Na época, ela estava lançando o romance Afrodite: “Não fez efeito”, diverte-se. Mas passamos um dia inteiro juntos, conversando em sua casa em San Rafael, outro subúrbio chique. Foi muito divertido e descobri uma mulher interessantíssima.
18 livros publicados, 36 idiomas
A Ilha sobre o Mar, a caminho.
Meu País Inventado é o livro dela sobre a pátria, sobre o Chile, e conta muitas histórias da vida dela.
Afrodite, outro livro dela de não-ficção em que ela mistura as questões do prazer da mesa e da cama.
O papel do mediador na mesa literária
Ele tanto pode estragar quanto melhorar uma conversa: “Quem conduz uma mesa, tem que saber onde catar o ouro e saber suscitar as melhores respostas. Estou relendo tudo o que eu já li de Isabel Allende, inclusive o livro novo A Ilha sobre o Mar. Conheço algumas histórias divertidas, vou tentar fazer com que ela as conte. Descobrir como posso provocá-la a dizer as coisas mais interessantes para o público. Roteiro é necessário, mas nem sempre tem serventia. Tento criar um clima. Nem sempre é possível. No ano passado, com o Antônio Lobo Antunes foi difícil porque ele é um homem um pouco fechado.”
Werneck foi modesto, criou um clima intimista, deixou o português muito à vontade. Via-se que os dois logo ficariam amigos. A conversa com Lobo Antunes foi uma das mais belas de todas as edições da festa literária, fluiu para várias direções e deixou o público magnetizado.
Leia também:
Encontro marcado com o escritor Humberto Werneck
Notas relacionadas:
- Contagem regressiva para a FLIP
- Clarice fala da alma humana
- A Mulher na Escrita, com Carola Saavedra e Maitê Proença
Orkut





[...] This post was mentioned on Twitter by Mona Dorf, Mona Dorf, Mona Dorf, Mona Dorf, Jam Marinho |Brasil and others. Jam Marinho |Brasil said: RT @LivroParaVoar: "É uma das pessoas mais fascinantes que conheço", diz Humberto Werneck sobre Isabel Allende, sua entrevistada na Flip. http://ow.ly/2iTWo [...]
[...] da Flip é uma festa. Ela estará hoje na mesa “Veias abertas” às 17h15 ao lado do jornalista e escritor Humberto Werneck. Acompanhe pelo twitter @monadorf um pouco do clima da conversa dos dois, e por aqui [...]
[...] Isabel Allende por Humberto Werneck [...]
Sou super fã dela!!
Amo o livro ” Paula” é quase de cabeceira , pois sempre volto a ele, pela força que transmite e pela loucura de sua vida .
[...] ele existe em suas obras porque existe nela. Querem mais um exemplo? Durante a conversa com Humberto Werneck ela mencionou que colocou várias características negativas de seu pai no personagem da Casa dos [...]
[...] Isabel Allende por Humberto Werneck [...]
o primeiro libro que li della foi “A CASA DOS ESPIRITUS”, cherocado( eu era adolecente ) ja que sua publicaçao era prihibida, minha professora de castelhano me arranjo o exemplar, foi fantastico, me vonverti em fan incondicional, creio que li todos e os que para o cinema foram assisti, eu sou fan mesmo nao acham?.
Viva a literatura, o seu poder é forever!
[...] À tarde, as aguardadas mesas de Ronaldo Correia de Brito com Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes, Fábulas contemporâneas, 15h e Veias abertas, 17h, com Isabel Allende e o jornalista e veterano da Flip Humberto Werneck. [...]
[...] Isabel Allende por Humberto Werneck [...]
[...] foi montado um grande aparato em Roma, para convencer a filha de Fidel, a posar nua na Playboy. Ela estava meio gordinha… mas, lá fomos nós!” conta Humberto, ao nos deliciar com [...]
[...] Isabel Allende por Humberto Werneck [...]