terça-feira, 22 de junho de 2010 Entrevista, Literatura, Prêmios | 10:18

O Brasil é o país do atalho

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O jovem Altair Martins venceu o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria estreante em 2009, mas bem que poderia estar entre os veteranos.

No Festival da Mantiqueira uma conversa com Altair Martins

Seu romance A parede no escuro é forte, construído com densidade e pela expressão de diversas vozes. “ É um romance que trata da questão da paternidade, da crise do patriarcalismo como sustentáculo das relações humanas, sobretudo no Brasil.”

O livro de contos Enquanto Água sai em 2011. Escreve também um romance sobre a maternidade.

Leitura de trecho do livro premiado junto a Ronaldo Correia

A falta do pai, a carência da interdição

 Ao apontar na sociedade contemporânea, a crise da autoridade, da falta do pai, ele  remete à falta de limites que extravasa da família para a educação: “Nós vivemos uma crise de logus, de ordem, nós não obedecemos mais a ordem como se a ordem fosse contra. Eu noto em sala de aula que os alunos tem uma verdadeira carência da interdição, que se diga não”

Para ele, a ordem social paternal vem se diluindo, com a dissolução da família em todo o mundo ocidental, e com isso se dilui também a palavra de poder. “O  título A Parede no Escuro é uma metáfora das paredes que nos sustentavam e vieram ruindo…”

A desapropriação de conteúdo na internet

Altair vê na internet, uma terra sem dono, sem lei, de  expropriação de direitos: ”As pessoas escrevem texto e colocam como se fosse de determinado autor…  e tem também o fenômeno da apropriação, que é mais antigo, roubar o texto do outro.”

Outro fenômeno brasileiro comum é o de citar tese sem nomear o autor, como se a tese fosse sua: ”É um jeito brasileiro esse do atalho, é o jeito de cortar a filiação, talvez por isso a gente não use o sobrenome, use sempre o nome”. É um problema sério o da filiação.

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Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Literatura, Prêmios Tags: , , ,

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