Coleção: Clara Luz
Editora: Ática
Ano da edição: 1998
Páginas: 48
Admirado por todos, não só os fãs de literatura, José Mindlin, que faleceu no dia 28 de fevereiro, recebe uma homenagem hoje no Centro de Cultura Judaica, às 20h. O homem que é quase sinônimo de livro no Brasil sabia que leitura se começa na infância. Um ano antes de morrer me deu uma longa entrevista no Letras e Leituras, programa que conduzo há 3 anos na Rádio Eldorado. Estava incomodado com a dificuldade crescente de enxergar, mas completamente envolvido em novos projetos, como a construção da Biblioteca que irá abrigar a Coleção Brasiliana que doou à USP, e o livro que escreveu para o público infantil.
Também no Centro de Cultura Judaica, o bibliófilo será o centro de duas outras atividades.
Especial em Homenagem a José Mindlin- Conversas sobre o Futuro do Livro
O editor Luiz Schwarcz da Cia das Letras, o escritor Milton Hatoum e o diretor da Biblioteca Brasiliana, Pedro Puntoni, falam da paixão de José Mindlin pelos livros e também da digitalização da Brasiliana.
Sipurim, a hora da história – O homem dos 40 mil livros , com Ana Luisa Lacombe e Décio Gioielli
A atividade mensal de contação de histórias será baseada desta vez no livro Reinações de José Mindlin escrito por ele mesmo com as lembranças da infância. Como diz a coordenadora Ana Luisa Lacombe, além das historias dos 40.000 livros que José Mindlin doou para São Paulo, ele nos deixou também a história de sua vida. É o que Ana Luiz irá contar para os pequenos leitores: a trajetória daquele que sempre será uma grande inspiração para todos.
“Bola na trave não altera o placar, bola na rede pra fazer o gol (o show), quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” Adoro a letra do Skank… Mais interessante é reconhecer o futebol arte. Passes, dribles e gols dos meninos do Santos, por exemplo, Neymar, Ganso… que enchem de alegria as torcidas pelo Brasil. A beleza do jogo não existiria sem a galera e é pra ela que as lentes do fotógrafo Ed Viggiani se voltam.
Futebol de várzea, pelada na praia, na lage ou nos gramados, a maior diversão do braileiro… Ed Viggiani retratou a atividade pelo Brasil afora, durante anos. Ele escolheu outro lugar mágico, o estádio do Pacaembu, onde hoje fica o Museu do Futebol, para nos falar do seu livro de fotos Brasileiros Futebol Clube, com apresentação de Luis Fernando Verissimo, adotado como currículo do curso de fotojornalismo da ECA-USP em 2009.
Futebol e Brasil são palavras pronunciadas juntas em qualquer parte do planeta, o esporte é a língua comum entre o pobre e o rico, o assunto que leva todas as semanas milhões de pessoas a acompanhar os jogos ao vivo ou pela TV, sem falar nas outras tantas que o praticam. O futebol é a cara do Brasil.
Para fazer o livro, Ed Viaggiani juntou um acervo de mais de 5000 fotos sobre o tema, ele escolheu mostrar a relação do brasileiro com o futebol e jogar sua lente na mobilização de milhões de aficionados. Afinal, é o torcedor que imulsiona o jopgador. A dor, a tensão, a angústia, a alegria das torcidas está tudo ali, em suas lindas fotos PB. Pela entrevista, dá pra perceber que não é um trabalho fácil dissimular-se entre qualquer torcida com uma câmera e tentar captar a emoção num clique: “Se acontece um gol do outro time, a culpa é do fotógrafo, não é do jogador”
Conversas fotográficas
Ano passado,o fotógrafo Ed Viggiani falou no Museu Lasar Segall sobre o processo de criação, do histórico da concepção de seu livro “Brasileiros Futebol Clube” até a escolha do preto-e-branco como elemento de identidade visual, dentro do projeto Conversas fotográficas no Segall que promove encontros com fotógrafos, curadores e críticos para compartilhar suas ideias e inquietações com o público.
Ed Viggiani
Começou a fotografar em 1978, trabalhou com Chico Albuquerque em Fortaleza, no jornal O Povo, e também como seu assistente no estúdio da agência Mark Propaganda. Em seguida, trabalhou nas revistas IstoÉ e Veja, no jornal Folha de S. Paulo e no Jornal do Brasil em São Paulo. Com a individual “Matando o Tempo a Golpe de Luz” (1991), na Galeria da Fotoptica, recebeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) como melhor exposição do ano. Outro premio foi o Mother Jones International Fund for Documentary Photography (1991), nos Estados Unidos, com o ensaio fotográfico “Irmãos de Fé”, sobre religiosidade popular no Brasil. Fez em 1998 a coordenação editorial do livro “Brasil Bom de Bola”.
Assim tudo começou…
Hoje na segunda edição, Trancoso e arredores ganham um teatro definitivo e um evento que veio pra ficar.
Durante uma semana, a partir sesse sábado 17 até o outro 24 de março, a paisagem paradisíaca de Trancoso será o cenário de um festival inédito e totalmente gratuito, o Música em Trancoso – MeT. Um anfiteatro, montado no alto das falésias, perto do Club Mediterranée, irá acomodar mais de 1.000 pessoas na plateia e cerca de 100 artistas no palco, que se apresentarão sempre ao pôr do sol. Durante o dia estudantes de todo o Brasil que se inscreveram pela internet poderão assistir a workshops com musicistas internacionais de peso.
A iniciativa partiu de um grupo de amigos que tem casa de veraneio na região, entre eles, Sabine Lovatelli, presidente do Mozarteum, com o objetivo de levar a boa música para um lugar pouco acostumado a ver orquestras ao vivo.
“A ideia também é poder dar uma nova possibilidades de desenvolvimento econômico para os habitantes locais, numa região que vive da sazonalidade do turismo. Assim conseguimos estender o movimento dos restaurantes, pousadas, hotéis, serviços de transporte, quase até a Páscoa.” comemora.
A programação que vai invadir os canions de Trancoso
No Festival em Trancoso, grandes clássicos serão apresentados por nomes da música clássica e da MPB, como as irmãs Katia & Marielle Labèque (piano) e os integrantes da Filarmônica de Berlim, Rüdiger Liebermann (violino), Walter Küssner (viola) e o Walter Seyfarth (clarinete) proporcionarão ao público interpretações primorosas de instrumentos de cordas, sopro e metais e canto. As irmãs Katia & Marielle Labèque (piano) e os integrantes da Filarmônica de Berlim, Rüdiger Liebermann (violino), Walter Küssner (viola) e o Walter Seyfarth (clarinete) estão entre eles. Prometem também emocionar a platéia os músicos Andreas Grünkorn (violoncelista), Benoit Fromanger (flauta), Jonathan Williams (trompete) e Richard Galler (fagote). A soprano Julia Thornton, o tenor Tadeusz Szlenkier, o maestro Cesar Camargo Mariano, ao piano, e a cantora Mônica Salmaso compõem os destaques do festival.
Destaque para a apresentação do dia 20, quando a maioria dos solistas convidados, acompanhados das irmãs Labéque, subirão ao palco para juntos executarem O Carnaval dos Animais, a belíssima composição de Camille Saint-Saëns; Conhecidos musicais compõem a programação, com trechos de West Side Story e Porgy and Bess. Todas as apresentações serão acompanhadas pela Orquestra Juvenil da Bahia, com regência do maestro Ricardo Castro.
Além dela, a orquestra imperial e os músicos convidados tocarão um repertório de fácil digestão, pensado especialmente para a formação de platéia; nada de tocar uma peça inteira. Fica claro que essa primeira edição é um teste para o público, a programação destacará clássicos da música erudita e peças de óperas e de musicais consagrados. A MPB será contemplada com uma noite dedicada à Bossa Nova e um jam session com músicas do nosso compositor maior, maestro Antonio Carlos Jobim. Se você ficou animado, desista! Não há mais ingressos disponíveis, nem passagens aéreas. Quem sabe, no ano que vem. Resta esperar que o festival vingue. Vida longa ao Met!
O prêmio principal de literatura brasileira foi concedido em Cuba para o romance “Domingos Sem Deus”, de Luiz Ruffato. De acordo com o UOL, a ata do júri registra que ele “apresenta diversos episódios independentes que se entrelaçam, formando o mosaico de um Brasil essencial, embora esquecido”.
Outro brasileiro, Chico Buarque, por sua vez, recebeu um prêmio honorífico de Narrativa. O Prêmio Casa de las Américas é outorgado anualmente em Havana desde 1960.
Domingos sem Deus, é o quinto e último volume do Inferno Provisório, projeto que tomou forma de uma denúncia literária, um vasto painel sobre a industrialização em Cataguazes, Minas e o cotidiano do operariado nos últimos 40 anos até a eleição do Lula… Nesta videoentrevista gravada durante o Festival da Mantiqueira, ele conta mais sobre seu processo criativo e fala do último romance.
Demorou 15 anos para escrever a pentalogia Inferno Provisório
No romance, Ruffato dá continuidade às histórias de seus premiados e elogiados livros anteriores, Mamma, son tanto felice, O mundo inimigo, Vista parcial da noite e O livro das impossibilidades. O autor constrói seu texto com tintas políticas fortes e nos apresenta a vida dos miseráveis e invisíveis, traçando um painel das mudanças ocorridas no país por mais de cinco décadas.
Brasília
Autor: Marcel Gautherot – Brasília
Ensaios de Kenneth Frampton e Sergio Burgi
Páginas: 192
O Instituto Moreira Salles lança hoje no Rio de Janeiro, às 19h, o livro Brasília, com imagens do fotógrafo franco-brasileiro Marcel Gautherot e abre exposição sobre a capital, As Construções de Brasília.
São imagens da cidade pelo olhar de importantes fotógrafos como Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Peter Scheir e 44 obras de artes visuais modernas e contemporâneas, que ocupam todos os espaços do Instituto. Trabalhos de artistas como Cildo Meireles, Regina Silveira, Waldemar Cordeiro, entre outros.
Organizado por Samuel Titan Jr. e Sergio Burgi, mostra pela primeira vez parte do acervo de Gautherot que tirou mais de três mil fotografias da cidade. Em setembro, sai em Londres e em Nova York, a versão em inglês, pela editora Thames & Hudson.
Marcel Gautherot, tido como “o mais artista dos fotógrafos” foi chamado por Niemeyer pra fazer,a partir de 1958, a cobertura fotográfica da construção de Brasília, que em 1960 se tornaria a nova capital do Brasil e um marco da arquitetura e do urbanismo modernista. Íntimo de Paulo Costa e Niemeyer, ele frequentou os imensos canteiros de obras do planalto central, e registrou a imensidão do vazio e a esperança dos candangos na construção de um país melhor.
Nascido em Paris, Marcel Gautherot era apaixonado pelo Brasil que percorreu ao longo de sua vida, registrando com paixão e precisão os aspectos mais variados da vida nacional: das cidades históricas de Minas Gerais às festas populares do Nordeste, da paisagem amazônica à arquitetura modernista do Rio de Janeiro e de Brasília. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1996. Seu acervo de mais de 25.000 imagens passou a integrar a coleção fotográfica do Instituto Moreira Salles.
Projeção: Brasília nos muros de São Paulo
Um vídeo composto por 78 imagens do fotógrafo francês está sendo projetado na parede externa do Conjunto Nacional até amanhã, 30 de abril, ininterruptamente das 19h às 5h. A projeção ocupa toda a parede do prédio voltada para a avenida Paulista, com seis metros de altura e 35 metros de comprimento.
Exposição: As construções de Brasília Local: Instituto Moreira Salles Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea- Rio de Janeiro Até 25 de Julho de 2010
Projeção Brasília 50 anos Local: Parede externa do Conjunto Nacional Endereço: Av. Paulista, 2073-São Paulo Até 30 de abril, das 19h às 5h
O poeta José Santos realiza oficinas de rima para crianças há quase 9 anos! Ele conta que começou quando seu filho Jonas tinha apenas oito anos. Hoje os dois são parceiras no ofício de ensinar a garotada a fazer poesia.
Veja como é fácil!
Muito da obra atual de Adriana Varejão pode ser visto na retrospectiva “Histórias às Margens” no MAM – SP, sob curadoria de Adriano Pedrosa. Referência na arte contemporânea nacional, a artista ganha uma mostra panorâmica que reúne 42 trabalhos fundamentais, produzidos desde 1991, mais da metade inéditos no país, vindos de coleções como Fundación “la Caixa” (Madri) e da Tate Modern (Londres), além de novas pinturas feitas especialmente para a exposição.
Varejão é extremamente valorizada no exterior. Recentemente uma obra sua foi leiloada a preço recorde pela Christie´s de Londres. É a primeira vez que o paulistano poderá tomar contato com seu trabalho, numa mostra de grande dimensão.
O trabalho anterior de Adriana Varejão pode ser visto na exposição Paralela 2010 . Um prato gigantesco de resina, com elementos tridimensionais que saltam para fora, com um quê de mistério e assombramento como tudo que ela faz e muito de kitch. Animais marítimos e algas se misturam a temática da maternidade, o vovo, o bebê, o cordão umblical, a casca do marisco. Visitamos o atelier da artista no Rio de Janeiro e pudemos conversar sobre essa fase inspirada nas porcelanas produzidas em Caldas da Rainha, em Portugal por Bordalo Pinheiro: ” Uma coisa muito presente nesses motivos de Caldas da Rainha, é a vida marítima, conchas, ostras, molusco e eu introduzi a figura feminina. ” Em Lisboa, o museu Rafael Bordalo Pinheiro é vista obrigatória para quem quiser conhecer mais seu mundo fantástico conservado nas cerâmicas e faianças.
Do azul dos azulejos e dos mares portugueses às carnes…
Ela tem lugar cativo nas galerias e museus internacionais, os trabalhos de Varejão integram as coleções do Guggenheim, em Nova York; do Stelekijk, em Amsterdam; Fundação Cartier, em Paris. Em Inhotim, Minas Gerais, o pavilhão construído especialmente para abrigar a sua obra é o que mais chama atenção. Nele, ela que é uma das mais instigantes artistas brasileiras, exacerba o trabalho que já vinha fazendo em cima da tradicional azulejaria portuguesa, ao compor as 4 paredes da sala com pinturas de gigantescos azulejos craquelados. É impossível não sair impactado desse ambiente que assim como toda sua obra faz uma ponte entre a modernidade e o barroco brasileiro, que ela descobriu adolescente, numa viagem a Minas Gerais.
No Livro “Entre Mares e Carnes” da editora Cobogó, uma interpretação das carnes, convulsões físicas e mentais, elementos que voltam na obra dela, seja nas saunas, ou nas esculturas com azulejos e representações explícitas de vísceras expostas. O resultado me remete á imagem dos corpos emparedados da ditadura militar chilena. No que, a artista responde: ” Gosto de construir uma narrativa e dar elementos para que cada um construa a sua história. ”
Pintar carnes é uma tradição da pintura
Adriana lembra que artistas como Goya, Rembrandt, Francis Bacon já usavam essa temática…
Conta que a maternidade – Adriana tem uma filha de 4 anos com o colecionador Bernardo Paz – teve influência marcante na sua obra; a começar pela mudança da forma, do quadrado para o oval, redondo, o elemento água… Mas, definitivamente é fascinada e fortemente marcada pelo período Barroco: ” A carne é um pouco a tradução dessa volúpia barroca. Sempre me fascinou muito visitar mercados, acho muito alegre. Eu lido com a teatralização da matéria, da carne. As aberturas, as feridas, dentro de uma igreja barrroca também é um espetáculo. È essa ficção, essa teatralização que pretendo trazer”.
Adriana Varejão participou de mais de setenta exposições em diversos países e ganhou em 2008 um pavilhão dedicado à sua obra no Instituto Inhotim de Arte Contemporânea.
Começou em Ourinhos o A(o) Gosto das Letras em sua quarta edição. “Escrevendo para jovens” é o tema da mesa de discussões que acontece na quarta-feira, dia 22, com as escritoras Ivana Arruda Leite e Índigo Ayer. “É uma fase em que os jovens se afastam da leitura, não se reconhecem nos textos infantis e ainda não se interessam por literatura mais complexa”, explica Marco Aurélio Gomes, um dos curadores do A(o)Gosto das Letras, justificando a importância do assunto.
A adolescência é, sem dúvida, uma época complicada. No encontro, professores, contadores de histórias e outros profissionais que trabalham com jovens, poderão conversar sobre a adolescência e os desafios do convite para a leitura nessa fase da vida, em que os livros acabam competindo com jogos eletrônicos, celulares e redes sociais.
Com o corpo e a mente em transformação, os jovens vivenciam tantas dúvidas e conflitos que é comum serem chamados de “aborrecentes”.
A escritora Índigo, que você pode ouvir aqui no meu programa Letras & Leituras, é pioneira no uso da literatura na internet, escreve contos para publicar em sites e blogs. Seus livros recebem ilustração caprichada, e uma linguagem que atrai crianças e jovens. A autora revela que gosta de dar voz a animais como personagens de suas histórias, também recheadas de aventuras que agradam os adolescentes.
Ivana Arruda Leite que também foi ouvida pelo Letras & Leituras é mestre em sociologia pela USP e autora com foco no universo feminino e juvenil. Em 2003, começa a escrever para adolescentes com o livro “Confidencial – anotações secretas de uma adolescente”. Publicou contos nas revistas Ácaro, Coyote e PS.SP. Participou de diversas antologias como “Putas – o melhor do conto brasileiro e português”; “Geração 90: os transgressores”; “Ficções fraternas”, entre outros. Em 2006, seu livro “Ao homem que não me quis” foi indicado ao prêmio Jabuti. Aqui ela nos fala de seu primeiro romance.
Autora: Ivana Arruda LeiteEditora: IluminurasPáginas: 160
Ivana Arruda Leite é engraçada e não cansa de rir de si mesma. Suas personagens refletem a autora que parece estar sempre acordando de uma boa ressaca, depois de passar a noite na Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, em São Paulo. Misto de boteco e sebo, o lugar virou point da nova geração de autores e lá costuma juntar, em noites animadas, gente como Marcelino Freire, Andrea Del Fuego, Reinaldo Morais e a própria Ivana, no twitter doidivana.
As histórias de Alameda Santos surgiram de sua própria vivência. No romance, a protagonista que ameça se atirar do prédio onde mora, gosta de gravar em fitas cassette seu drama eterno de rejeições amorosas. Com riqueza de detalhes, ela descreve seus casos e paixões na era anterior a aids, no final dos anos 80, quando o sexo era celebrado sem medo e com alegria. Impagável é o trecho onde ela tenta converter o melhor amigo gay, e fazê-lo mudar de opção amorosa.
“A personagem é alguém que fala no gravador. E todo final de ano, quando chega o Reveillon, pega o gravador e conta as agruras pela qual teve de passar” . Ivana me confessou que ela mesma tinha mania de gravar fitas, que foram recuperadas agora. As histórias são bastante autobiográficas.
Situações hilárias à parte, Ivana nos traz para a história recente do Brasil, quando o país emergia da ditadura, pedia pela redemocratização e se moblizava em manifestações pelas Diretas Já nas praças públicas. Boa leitura, divirta-se!
Marcada pelo humor às vezes escrachado, a obra de Angélica também carrega uma dimensão trágica, de tristeza e deslocamento. Nesse volume, ela faz uma releitura da tradição poética que a formou, à qual dedica, uma língua ferina. Ela flerta abertamente com a popularidade e lembra, a alguns, o estilo da poeta portuguesa Adília Lopes, que tem uma Antologia (Cosac Naify).
a pia pinga
Neste ano, o livro foi lançado na Alemanha em edição bilíngue, com tradução da poeta franco-germânica Odile Kennel. A versão alemã de Rilke Shake (Wiesbaden: Luxbooks, 2011) não é apenas uma tradução integral do volume brasileiro, mas inclui ainda poemas da autora gaúcha publicados em revistas e outras edições. Seus poemas foram traduzidos na França pela importante poeta contemporânea Nathalie Quintane, e uma seleção em língua inglesa foi traduzida por Hillary Kaplan para uma revista nos Estados Unidos.
Rilke Shake faz parte da coleção de poesia contemporânea Ás de Colete, coordenada por Carlito Azevedo para a parceria das editoras Cosac Naify e 7Letras. É um dos livros mais conhecidos da coleção. Já está na segunda edição após esgotar a primeira, de 1500 exemplares. Algo extraordinário em termos de publicação de poesia no Brasil.
A autora
Nasceu em 8 de abril de 1973, em Pelotas, Rio Grande do Sul. Estudou jornalismo em Porto Alegre, na UFRGS. Trabalhou como repórter no O Estado de S. Paulo e na revista Informática Hoje, em São Paulo. Atualmente dedica-se à tradução de poesia e ao segundo livro, com pequenos poemas de viagem pela Bolívia. Publicou em diversas revistas como Inimigo Rumor, Diário de Poesía (Argentina) e aguasfurtadas (Portugal). Integra a coletânea Cuatro poetas recientes de Brasil (Buenos Aires, 2006). Rilke shake é seu primeiro livro (coleção Ás de Colete) e está na lista dos 51 títulos que foram aprovados pela comissão do Prêmio Portugal Telecom 2008. Por anos manteve o blog tome uma xícara de chá e é coeditora da Modo de Usar & Co..
A poeta já participou de festivais de poesia contemporânea como o Poesiefestival Berlin na capital alemã, quando este dedicou seu foco à língua portuguesa em 2008, além de festivais no México, Chile, Argentina e Romênia. Seu próximo livro, intitulado Um Útero é do Tamanho de um Punho, será lançado este ano, após receber a bolsa do Programa Petrobras Cultural.
O violinista é um nome, uma figura que lembra a pintura de Chagall, onde os personagens parecem flutuar entre a realidade, o sonho e o céu.
” È a possibilidade de você se equilibrar, de você fazer a arte, quando tudo está ruindo ao seu redor, o musical fala de tolerância, convivência… Até que ponto voce pode ceder em relação ao outro”, comenta Charles Möeller.
Baseado nos tradicionais contos judaicos de Sholom Aleichem, ‘Um Violinista no Telhado’ estreou na Broadway em 1964, com música de Jerry Bock e Sheldon Harnick, imortalizando canções com If I were a rich man mundo afora. Depois da bem sucedida temporada carioca, chega aso palcos paulistanos.
A reeinvenção de José Mayer
Atuar em ‘Um Violinista no Telhado’ é uma prova de fogo para qualquer ator, o personagem – o patriarca Tevye - exige um intérprete carismático, que equilibre técnica vocal e carisma. José Mayer já tinha feito antes dois musicais, um deles com Aderbal Filho, o ator tem tido há três anos aula de canto, mas sabia que havia um belo desafio pela frente: ” Obsessão é a marca do meu trabalho, mas ganhei um presente ao poder fazer esse musical, com uma companhia que prima pelo capricho, esmero, acabamento”, falando da Conteúdo Teatral, de Isser Korick e Leo Steinbruck, que produz o musical.
Parece que o ator nasceu talhado para o papel. E como canta!
José Mayer e a tradição…
A história
Tevye (José Mayer) entra em atrito com as três filhas mais velhas, Tzeitel (Rachel Rennhack), Hodel (Malu Rodrigues/Karina Mathias) e Chava (Julia Fajardo), que desafiam a tradição judaica, ao rejeitar os casamentos arranjados e adotar comportamentos “modernos” para o padrão religioso da pequena aldeia onde vivem. Ao lado da esposa Golda, (Soraya Ravenle), ele tenta conciliar os conflitos familiares.
Sem nunca perder o bom humor, Tevye lida à sua maneira com os problemas. Pensa alto, ri de si mesmo e conversas com Deus. O mais duro é driblar a esposa! A cena do sonho com a sogra que está morta, que relata para a mulher, como prenúncio de que o casamento não vai dar certo é impagável.
Além de conciliar a tradição com os novos tempos e a realidade das filhas casadoiras rebeldes, outro problema aflige a pequena comunidade de Anatevka: a hostilidade de grupos russos anti-semitas do Czar que começam a tumultuar o cotidiano das famílias. Os progroms - perseguições ás populações judaicas da Europa oriental – eram muito comuns no começo do século e duraram até as grandes guerras.
A vida em Anatevka podia ser pobre e difícil, mas era muito animada, com muita fofoca nos ghettos, música e dança. A dança da garrafa é hit da coreografia do musical e mostra a influência dos passos russos no repertório judaico.
A dança da garrafa é um tour de force para os atores/dançarinos
Entre rezas e festas tradicionais, celebrações de shabat e de casamentos, uma vitrine dos costumes judaicos
Na fictícia aldeia judaica de Anatevka, no interior da Rússia vivem moradores típicos, como o rabino, a casamenteira, o açougueiro, o mendigo e o forasteiro que chega para revolucionar os costumes seculares da aldeia.
Para vivê-los, o elenco participou de um workshop com Michel Gherman, mestre em História Judaica pela Universidade Hebraica de Jerusalém, e o ator e pesquisador Claudio Erlichman.
O produtor Isser Korik, da Conteúdo Teatral, discorreu sobre o significado religioso de cada costume judaico retratado no espetáculo: “O que os mantém juntos é a tradição. Eles poderiam ter desaparecido, mas não aconteceu por causa, do amor maior à família, à tradição e aos rituais. É muito bonito falar disso num musical que é um ícône da cultura. ”
Charles Möeller e Isser Korich falam da riqueza do musical
Canções bem-humoradas como ‘If I Were a Rich Man’, se misturam com outras mais líricas como ‘Do you Love Me?’ e ‘Sunrise, Sunset’, um dos grandes momentos, ainda que estranhamos vê-las cantadas nas versões em português.
É que ‘Um Violinista no Telhado’ tem uma longeva trajetória ao redor do mundo, no palco e no cinema. Na época da estreia, bateu recorde de permanência, ficou quase oito anos em cartaz. Teve dez indicações ao Tony, e venceu em nove categorias. A montagem londrina de 1967 consagrou o ator israelense Chaim Topol como Tevye, personagem que ele viveu também no filme (‘Fiddler on the Roof’, 1971) e até hoje segue em turnê pelos Estados Unidos.
A coreografia original de Jerome Robbins foi recriada aqui por Janice Botelho. O cenário é de Rogério Falcão, os figurinos de Marcelo Pies.
Teatro Alfa
Temporada de 16 de março a 15 de julho
R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro
Quintas, às 21h. Sextas, às 21h30. Sábados, às 17h (a partir de abril) e 21h. Domingos, às 17h.