O Festival da Mantiqueira, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, chega à quinta edição, nesse fim de semana, entre os dias, 25 a 27 de maio (sexta a domingo), em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (138 km de São Paulo). Entre os destaques, autores em processo de criação, e outros, com obras prontas para serem lançadas.
A curadoria de André Sturm, traz também na programação, autores que apresentam novas obras nos próximos meses. João Paulo Cuenca lança, em maio, A última madrugada, coletânea de crônicas publicadas entre 2003 e 2010.
A última mesa do sábado reúne José Castello (Vinicius de Morães: O Poeta da Paixão e Ribamar) e os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2011, Rubens Figueiredo (Passageiro do Fim do Dia) e Marcelo Ferroni (Método Prático da Guerrilha), para falar sobre ficção e realidade e responder à pergunta: Em que medida uma interfere na outra?
Dar visibilidade aos escritores e aos dois grandes vencedores da quarta edição do Prêmio São Paulo de Literatura, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura, e anunciados em 2011 virou o objetivo maior da Secretaria. Em breve, conheceremos os premiados desse ano. Rubens Figueiredo, autor de Passageiro do fim do dia, conquistou o prêmio na categoria Melhor Livro do Ano e Marcelo Ferroni foi o vencedor da categoria Melhor Livro do Ano – Autor Estreante, com Método prático da guerrilha.Na cerimônia, no Museu da Língua Portuguesa, cada escritor recebeu R$ 200 mil. Além da visibilidade: o Ministério das Relações Exteriores vai divulgar os vencedores em outros países.
Ao conceder os prêmios a Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni, Andrea Matarazzo prometeu aumentar o número de cidades incluídas no projeto Viagem literária e comentou os investimentos da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, no incentivo à literatura e novos autores: ” Este ano, foram 221 romances concorrentes, contra 217 em 2009 e em 2010, o que mostra como o Prêmio São Paulo de Literatura já está consolidado”
Anúncio Melhor Livro – Autor estreante para Marcelo Ferroni e entrevista
Em maio de 2004, o Departamento de Estado dos EUA libera a transcrição do interrogatório de Paul Neumann, ex-aluno de história da PUC-RS, realizado em 1967, em um hospital militar na Bolívia, por dois renegados cubanos a serviço da CIA. Essa é sumariamente a moldura ficcional deste thriller de espionagem, centrado na figura de um Che Guevara amargo, careca e barrigudo.
Valendo-se de paráfrases da história, através de diários e relatórios, Ferroni apresenta os bastidores da ação, na formação das redes urbanas do movimento da esquerda internacional e as frentes de batalha em Ñancahuazú, recriando os acontecimentos daquela trágica (e por vezes cômica) guerrilha.
Leitura de Método prático da guerrilha, pelo autor Marcelo Ferroni, gravada pela Companhia das Letras
Em Método prático da guerrilha, Ferroni põe à prova, com uma pesquisa minuciosa, os métodos preconizados pelo próprio Guerra de guerrilhas, de Che, e aponta, com algumas doses de ficção, as contradições da prática revolucionária.
O autor
Nasceu em 1974, em São Paulo. Vive atualmente no Rio de Janeiro, com a mulher e um filho. É editor da Alfaguara, selo de literatura da Editora Objetiva. Método prático da guerrilha é seu primeiro romance.
Prêmio de melhor livro do ano
O livro Passageiro do fim do dia (Companhia das Letras) é o quinto romance de Rubens Figueiredo. Assim mesmo ele se mostrou emocionado e surpreso com o prêmio por concorrer com outros 9 finalistas, autores de grande qualidade. Na entrevista, ele comenta que quis falar da opressão social, através do narrador que viaja dentro de um onibus, e se questiona.
Anúncio do Melhor Livro do Ano para Rubens Figueiredo e entrevista
Este romance de escritura primorosa narra um percurso. É o que se opera na consciência de Pedro durante uma viagem de ônibus para o bairro do Tirol, na periferia pobre da cidade onde mora – uma espécie de panela de pressão de violência e injustiça sistemática. É lá que mora Rosane, sua namorada.
De radinho no ouvido, lendo a intervalos, ele observa o que se passa dentro do ônibus e fora nas ruas. No fim da viagem ele não será mais o mesmo: ele revê durante o trajeto, os fatos de sua vida, seus afetos, e o mundo opressivo em que está imerso.
não deixa dúvida sobre a importância de Rubens Figueiredo no cenário literário contemporâneo no Brasil.
O autor
Nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Formado em letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é tradutor e professor de português e tradução literária. Cronista e romancista, é autor de As palavras secretas, Barco a seco, ambos prêmio Jabuti, Contos de Pedro e O livro dos lobos (Companhia das Letras), entre outros.
A Tenda dos Estudantes, no Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier terá a jovem escritora premiada Tatiana Salem Levy. Ela encerra a tarde de sábado, e conversa com os estudantes logo depois do escritor João Paulo Cuenca: “Não faz mais sentido separar o que ficção, o que é realidade…” Carioca, ela veio a São Paulo lançar Dois rios – seu último romance, no fim de 2011. Na ocasião, Tatiana Salem Levy contou que recebia muitas mensagens pelo Facebook, cobrando um segundo livro.
É muita responsabilidade lançar um segundo romance depois de uma estreia tão triunfal. Tatiana Salem Levy ainda não se recuperou do sucesso da estreia! Seu primeiro livro A chave de casa mereceu todos os elogios da crítica, foi traduzido e publicado em Portugal, França, Espanha, Italia e Turquia. Ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura em 2008 e foi finalista do Jabuti e Zaffari & Bourbon de Literatura.
Nessa entrevista, ela comenta o peso da aclamação precoce e lê um trecho do novo romance pulicado pela Record, Dois Rios.
O violinista é um nome, uma figura que lembra a pintura de Chagall, onde os personagens parecem flutuar entre a realidade, o sonho e o céu.
” È a possibilidade de você se equilibrar, de você fazer a arte, quando tudo está ruindo ao seu redor, o musical fala de tolerância, convivência… Até que ponto voce pode ceder em relação ao outro”, comenta Charles Möeller.
Baseado nos tradicionais contos judaicos de Sholom Aleichem, ‘Um Violinista no Telhado’ estreou na Broadway em 1964, com música de Jerry Bock e Sheldon Harnick, imortalizando canções com If I were a rich man mundo afora. Depois da bem sucedida temporada carioca, chega aso palcos paulistanos.
A reeinvenção de José Mayer
Atuar em ‘Um Violinista no Telhado’ é uma prova de fogo para qualquer ator, o personagem – o patriarca Tevye - exige um intérprete carismático, que equilibre técnica vocal e carisma. José Mayer já tinha feito antes dois musicais, um deles com Aderbal Filho, o ator tem tido há três anos aula de canto, mas sabia que havia um belo desafio pela frente: ” Obsessão é a marca do meu trabalho, mas ganhei um presente ao poder fazer esse musical, com uma companhia que prima pelo capricho, esmero, acabamento”, falando da Conteúdo Teatral, de Isser Korick e Leo Steinbruck, que produz o musical.
Parece que o ator nasceu talhado para o papel. E como canta!
José Mayer e a tradição…
A história
Tevye (José Mayer) entra em atrito com as três filhas mais velhas, Tzeitel (Rachel Rennhack), Hodel (Malu Rodrigues/Karina Mathias) e Chava (Julia Fajardo), que desafiam a tradição judaica, ao rejeitar os casamentos arranjados e adotar comportamentos “modernos” para o padrão religioso da pequena aldeia onde vivem. Ao lado da esposa Golda, (Soraya Ravenle), ele tenta conciliar os conflitos familiares.
Sem nunca perder o bom humor, Tevye lida à sua maneira com os problemas. Pensa alto, ri de si mesmo e conversas com Deus. O mais duro é driblar a esposa! A cena do sonho com a sogra que está morta, que relata para a mulher, como prenúncio de que o casamento não vai dar certo é impagável.
Além de conciliar a tradição com os novos tempos e a realidade das filhas casadoiras rebeldes, outro problema aflige a pequena comunidade de Anatevka: a hostilidade de grupos russos anti-semitas do Czar que começam a tumultuar o cotidiano das famílias. Os progroms - perseguições ás populações judaicas da Europa oriental – eram muito comuns no começo do século e duraram até as grandes guerras.
A vida em Anatevka podia ser pobre e difícil, mas era muito animada, com muita fofoca nos ghettos, música e dança. A dança da garrafa é hit da coreografia do musical e mostra a influência dos passos russos no repertório judaico.
A dança da garrafa é um tour de force para os atores/dançarinos
Entre rezas e festas tradicionais, celebrações de shabat e de casamentos, uma vitrine dos costumes judaicos
Na fictícia aldeia judaica de Anatevka, no interior da Rússia vivem moradores típicos, como o rabino, a casamenteira, o açougueiro, o mendigo e o forasteiro que chega para revolucionar os costumes seculares da aldeia.
Para vivê-los, o elenco participou de um workshop com Michel Gherman, mestre em História Judaica pela Universidade Hebraica de Jerusalém, e o ator e pesquisador Claudio Erlichman.
O produtor Isser Korik, da Conteúdo Teatral, discorreu sobre o significado religioso de cada costume judaico retratado no espetáculo: “O que os mantém juntos é a tradição. Eles poderiam ter desaparecido, mas não aconteceu por causa, do amor maior à família, à tradição e aos rituais. É muito bonito falar disso num musical que é um ícône da cultura. ”
Charles Möeller e Isser Korich falam da riqueza do musical
Canções bem-humoradas como ‘If I Were a Rich Man’, se misturam com outras mais líricas como ‘Do you Love Me?’ e ‘Sunrise, Sunset’, um dos grandes momentos, ainda que estranhamos vê-las cantadas nas versões em português.
É que ‘Um Violinista no Telhado’ tem uma longeva trajetória ao redor do mundo, no palco e no cinema. Na época da estreia, bateu recorde de permanência, ficou quase oito anos em cartaz. Teve dez indicações ao Tony, e venceu em nove categorias. A montagem londrina de 1967 consagrou o ator israelense Chaim Topol como Tevye, personagem que ele viveu também no filme (‘Fiddler on the Roof’, 1971) e até hoje segue em turnê pelos Estados Unidos.
A coreografia original de Jerome Robbins foi recriada aqui por Janice Botelho. O cenário é de Rogério Falcão, os figurinos de Marcelo Pies.
Teatro Alfa
Temporada de 16 de março a 15 de julho
R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro
Quintas, às 21h. Sextas, às 21h30. Sábados, às 17h (a partir de abril) e 21h. Domingos, às 17h.
Já pensou no seu presente para o dia das mães, deixou para a última hora? Então, não quebre a cabeça e vá correndo comprar o livro Coisas de mãe para filha, da Brinque-Book, editora reconhecida e premiada por sua produção infantil, que agora inaugurou um selo adulto.
O livro com prefácio de Davi Arriguci funciona tanto para mães como para filhas, e de todas as idades, tem belas intervenções gráficas. E é uma delícia poder compartilhar o prazer da maternidade, se reconhecer nos depoimentos emocionados de vinte e três mulheres, que abrem seu coração. Conhecidas ou não, todas se expressam de formas interessante sobre a beleza e o mistério de ser mãe, o significado desta experiência em suas vidas.
Marina , filha de Cláudia Costin, atual secretária de educação do Rio de Janeiro, conta que ficou emocionada ao ler o que a mãe escreveu: “Ela nunca havia verbalizado isso!” O depoimento de de Claudia é, de fato, síncero e pungente. E faz pensar… ” O que posso lhe dar como conselhos de vida? Seja autônoma, não dependa de mestres, nem da opinião de pessoas médias ou de líderes geniais das massas. Mostre-se solidária com os que sofrem. Envolva-se em projetos de transformação da realidade, não vendendo quimeras, mas ajudando efetivamente.”
Conversamos também com a senadora Marina Silva, ex-Ministra do Meio Ambiente, que fez questão de escrever individualmente para a cada uma de suas três filhas. E por fim, também ao seu filho, sobre a importância de não abrir mão de ideais, apesar das dificuldades: “Quem subtrai o seu desejo, cria filhos anêmicos de alma… A renúncia e o sacrifício nunca podem desconstituir aquilo que é o fundamento da existência de uma pessoa, porque é daí que vêm a densidade e a força para sustentar o outro e ser sustentado por ele.”
Estas mulheres, mães que já foram filhas, dividem as angústias e responsabilidades por suas escolhas. E, apesar do sofrimento, revelam a força para seguir adiante, como a Monja Coen, líder zen-budista, que recorre ao exercício do desapego para suportar a dor ao distanciar-se da filha: “Filha, eu estou morrendo. A cada instante me despeço de você e do mundo. Com tristeza. Porque continua sendo dolorido partir e me separar de você – assim como foi nas inúmeras vezes em que nos separamos.”
O livro por Adília Belotti
Do encontro de cinco amigas e do desejo de uma delas de escrever à filha que iria se casar, surgiu a ideia, conta Adília Belotti, editora de projetos especiais do iG. Junto com as outras organizadoras, Hilda Lucas, Regina Amaral, Suzete Capobianco e Vera Tarantino escolheram outras mulheres que pudessem compartilhar suas histórias de maternidade.
Não faltam, listas e conselhos, como nos casos da escritora Eugênia Zerbini, da geneticista Lygia Carramaschi. Outras preferiram expressar-se através da arte, como a psicanalista Luciana Pires, que escreveu uma divertida historieta em minicapítulos. A artista plástica Denise Milan, nos mostra que fez uma representação das relações familiares usando a imagem das pedras, como uma escultura.
Como uma delicada colcha de retalhos, costurada pelas diferentes visões de mundo de cada mãe, o livro é um belo presente que nos faz pensar sobre o legado que as une e que queremos deixar para filhos e filhas.
Com seu último filme Estamos Juntos,Toni Venturi, que no ano passado lançou o documentário Rita Cadillac- a Lady do Povo, quis fazer um poema para São Paulo. Ele que é italiano, nascido na capital lembra: “ É meu sétimo filme, mas o primeiro sobre São Paulo!” vibra.
Estamos Juntos – que já saiu em DVD – recebeu nessa quarta-feira, dia 2 de maio, na noite do Prêmio FIESP/CIESP do Cinema Paulista, três trofeús: o de melhor ator, o prêmio de melhor ator coadjuvante e o de melhor atriz, para Leandra Leal!
“É um filme sobre o coração da cidade. Os bairros são mais segregados, o centro não. No centro os mundos estão lá misturados, os mundos se encontram, colidem, se separam, convivem. Muita gente vive no centro de SP. É meu primeiro filme que fala de hoje, de São Paulo contemporânea”.
As cenas iniciais de sobrevoo sobre a cidade são de tirar o fôlego, durante mais de um minuto, a câmera passeia pelo céu paulistano, de tetos e telhados humildes – parecem caixas de fósforos – chegando até os prédios sofisticados do Morumbi. A cena prenuncia o entrelace de dramas humanos no centro de São Paulo.
O bom resultado das vivências e improviso dos atores, segundo Toni Venturi e Débora Duboc
Toni Venturi explica como o elenco participou da criação: “Eu os coloquei em ambientes reais onde aqueles personagens existiam para que contruissem os personagens e depois fizémos as experimentações, os ensaios, que eram improvisos, e a gente foi reescrevendo os diálogos. Eu precisava da contribuição deles. Todos participaram desse laboratório que interferiu na estrutura do roteiro. A idéia é ter um filme vivo, essa é a proposta.”
Débora Duboc, atriz casada com o cineasta, com quem fez os excelentes Latitude Zero e Cabra Cega, descreve a vivência: “Esse universo de pronto-socorro é muito intenso. Foi muito legal estar lá para tirar muitos pré-conceitos. São pessoas lindas”, comenta Débora Duboc que faz o papel da enfermeira Elisa: “Ela faz a ponte da Carmen com o pessoal do MSTC, é uma enfermeira-padrão com formação universitária e muito bom-humor. Nós ficamos um tempo no Hospital Universitário (USP) e eu levei para o Toni uma frase maravilhosa que uma enfermeira falou para um paciente. “Dona Adriana, quando é que o médico vai me dar alta?” Aí, ela respondeu: “Mas já?! Eu estou aqui há 19 anos e não reclamo!’”
Leandra Leal comenta seu papele como elaborou sua Carmen
Leandra Leal é Carmem, médica, que divide seu cotidiano no hospital público, com o contato com o movimento dos Sem-Teto. Na agitada São Paulo, ao lado do seu amigo DJ, Murilo (Cauã Reymond), ele se distrai do trabalho, na aventura amorosa com um músico argentino, Juan (Nazareno Casero). Quando os sintomas de uma grave doença surgem na rotina da médica residente, sua vida se transforma, com o contato humano.
7 tróféus Calunga para Estamos Juntosem Recife
Consagrado como o grande vencedor no 15º Cine PE Festival do Audiovisual, levou 7 troféus: Melhor Filme, Prêmio da Crítica, Melhor Diretor (Toni Venturi), Melhor Atriz (Leandra Leal), Melhor Roteiro (Hilton Lacerda), Melhor Montagem (Marcio Hashimoto) e Melhor Fotografia (Lula Carvalho). ” O filme tocou as pessoas e esse foi o objetivo principal. Fazer um filme que emocionasse que trouxesse um pouco da mágica do cinema. A premiação foi uma surpresa para nós.” comenta o cineasta.
No longa, as cenas de repressão policial ao movimento dos Sem Teto, têm a minha locução jornalística. Muitas delas são reais, foram feitas por Toni Ventuni quando ele gravou o documentário Dia de Festa. O roteiro original é assinado por Hilton Lacerda (Amarelo Manga), que provou não ser regional, com participação do colaborador e longa data, Di Moretti: “É um roteiro original. Mexemos muito na edição final, é a dificuldade de uma obra inédita, diferente da adaptada que já foi testada. É um roteiro de camadas (á la Cortázar) e tem história de amor, dos jovens, o drama de Carmen quando descobre a doença, tem a questão social. Eu sinto que cada um pega um lado do filme, o que eu acho legal”
A direção de arte de Renata Pinheiro (Feliz Natal) e direção de fotografia de Lula Carvalho (Tropa de Elite 2) e a trilha sonora do músico BiD, premiado por seus trabalhos em Chega de Saudade e As Melhores Coisas do Mundo.
Veja no Blog especial de Estamos Juntos mais detalhes da produção, curiosidades e novidades deste longa, que estreia em 3 de junho em 41 salas de cinema, por todo o país.
“Não viemos nesse mundo como convidados… Somos criadores, nós criamos nossa vida, nosso próprio mundo. Então, antes de criar, devemos imaginar que tipo de mundo queremos… e depois começar a criá-lo.” As palavras de Muhammad Yunus refletem o sonho ou melhor a realidade de pessoas transformadoras, que fazem acontecer. O que o conhecido banqueiro dos pobres e Joaquim Mello do Banco de Palmas têm em comum com Wellington Nogueira, dos Doutores da Alegria, Rodrigo Bagio do CDI, Comitê de informatização, e Eugenio Scanavino da ONG Saúde e Alegria. Os dois primeiros criaram o microcrédito e conseguiram fazer uma moeda circulante fazer girar a roda dos negócios em comunidades pobres. Os outros assim como o resto dos exemplos do documentário Quem se importa – são 18 casos escolhidos pela cineasta – impactaram comunidades e grupos de pessoas, cada um a seu modo.
Mara Mourão explica que foi difícil escolher os nomes: ” São tantas pessoas fazendo coisas legais pelo mundo… Meu critério foi escolher gente que tivesse causado um impacto grande, em áreas diferentes e diversos países.” Com um currículo de dois longas bem sucedidos, as comédias Alô e Avassaladoras, Mara se lançou no documentário ao registar o dia a dia nos hospitais do grupo Doutores da Alegria, atores profissionais liderados por Wellington Nogueira. Agora ela quer que o seu cinema mude o mundo e possa atingir o coração das pessoas, como o filme Verdade Inconveniente, de Al Gore. ” Quero que as pessoas vejam esses exemplos transformadores, inspiradores e possam sair inspiradas. Não importa onde voc~e esteja no setor público ou privado, você pode fazer a diferença. ”
Os 136 anos de nascimento do autor foram celebrados através do projeto “Outros Contextos” com um espetáculo teatral, bate-papos e uma exposição no SESC, ano passado.
Painéis com vida e obra de Rainer Maria Rilke, fotos em ordem cronológica destacaram passagens da história do poeta tcheco, um dos mais celebrados no mundo. Seus poemas foram traduzidos por Manuel Bandeira, José Paulo Paes, Cecília Meireles e Augusto de Campos. Agora a peça Cartas a um Jovem Poetai, interpretada pelo ator Ivo Muller, volta a ser apresentada no Espaço Viga, às terças e quartas, às 21h. Quem ainda não viu, não deve perder!
“Cartas a um Jovem Poeta” é uma viagem pelo mundo do famoso poeta Rainer Maria Rilke. A peça tem como ponto de partida a troca de correspondência entre o poeta e um jovem, indeciso se abraça a carreira militar ou a literatura.
Os temas abordados: a formação humana, a criação artística, o auto-conhecimento e a importância do contato com a natureza mostram a atualidade da obra de um dos maiores escritores do século 20 que inspira gerações.
A atriz Domingas Person atua como produtora desse monólogo com supervisão da atriz Arieta Corrêa e co-direção de Claudio Cabral. Segundo ela, a montagem é inédita e não há notícia de outras adaptações para o teatro.
O ator Ivo Müller conta que sua paixão por Rilke nasceu após a leitura de Cartas a um Jovem Poeta. A partir daí, pensou o em adaptar a obra para o teatro: “Durante semanas passei a sonhar com a peça”. Sem conseguir dormir, ele voltou para a sala de ensaios e depois de 4 meses de trabalho intenso, o sonho resultou na peça.
Depois de temporada vitoriosa no Rio, e de apresentar no Festival de Teatro de Curitiba, a peça Marlene Dietrich – As Pernas do Século, chega finalmente a São Paulo, no Teatro Nair Belo. Por sua atuação nesse espetáculo, a atriz foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro 2010, na categoria Melhor Atriz.
A biografia musicada Marlene Dietrich – as pernas do século, com texto de Aimar Labaki. Essa é a primeira montagem teatral brasileira sobre um mito: Marlene Dietrich. Sex symbol, sinônimo de sofisticação e sensualidade, ela viveu o apogeu da Berlim dos anos 20, a Hollywood dos anos 30 e 40. Recusou convite milionário de Goebbels, o poderoso ministro da propaganda de Hitler, para voltar a sua Alemanha natal.
No espetáculo, a atriz e cantora alemã, naturalizada norte-americana está perto de completar 90 anos de idade; ao mesmo tempo em que faz um balanço da carreira, conta e revive com bom humor passagens importantes de sua vida, cheia de amores…
Sylvia encarna a personagem como ninguém, utiliza todo seu charme, inteligência e memória para seduzir com sua história um jovem, vivido por José Mauro Brant. E seduz a plateia com sua performance.
E como solta a voz! Sylvia Bandeira canta em inglês, francês, alemão e russo, também em português, em recriações de letristas e poetas brasileiros como Nelson Ascher e Aldir Blanc. Alterna texto e canções de Burt Bacharach, Cole Porter, Kurt Weill e George Gershwin. Aqui um pot-pourri com as francesas La Vie en Rose, Que Reste-t-il de Nos Amours e a emblemática Lili Marlene, que Marlene cantava para os soldados no front. Impossível não tremer de emoção ao vê-la contar como deparou, em plena guerra, com o ator que seria a sua grande paixâo.
“Logo no meu primeiro show, de repente, enquanto eu cantava, eu vi, eu não quis acreditar… Mas era ele mesmo, olhando pra mim! Parecia uma miragem: o comandante de tanque das Forças Francesas Livres, Jean Gabin!”
Atuação política
Durante a II Guerra, Marlene fez a sua parte. Seu campo de batalha vira outro, larga Hollywood e troca os palcos e o cinema, pela visitas aos campos das tropas aliadas. Marlene canta para animar os soldados…
O amor e o tempo, a ousadia e a reinvenção
Nas memórias, a história revisitada de uma mulher destemida que viveu uma vida plena, de amor e liberdade. Verdadeira musa, símbolo sexual, a grande artista foi também uma mulher corajosa, rebelde, que se opôs ao nazismo, deixando a Alemanha, tão logo pode. Ela tampouco, abriu mão do prazer. O casamento – até quase o fim de sua vida-, com um marido compreensivo, pai de sua única filha, não impediu que passassem por sua movimentada vida amorosa, grandes nomes do mundo artístico da época: o escritor Eric Maria Remarque, os atores Jean Gabin, Gary Cooper, os cantores Burt Bacharach, Frank Sinatra e Cole Porter.
Desde o início de sua carreira, Marlene esteve sempre no centro dos acontecimentos: na Berlim dos anos 20; em Hollywood, a partir dos anos 30; no front da II Guerra Mundial, quando cantou para os soldados; em Paris e Nova York nas décadas seguintes. A biografia musicada recupera sua trajetória que se mistura com a história do século XX.
“Não se leva lanche a banquete!”
Marlene, contando ao rapaz, que não levava o marido às animadas festas de Berlim…
A diva Sylvia Bandeira conquista a plateia narrando alguns dos acontecimentos mais importantes do século 20, vividos por Marlene: a ascenção do nazismo, o glamour de Hollywood entre os anos 40 e 60, além de sua participação no front da II Guerra e de seu sucesso pelos palcos do mundo.
Foi a artista que mais arrecadou dinheiro para os bônus de guerra, depois passou o resto de sua vida, cruzando o mundo como a mais bem paga cantora de cabaret de seu tempo.
Marlene Dietrich- As pernas do século
Local: Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca
Endereço: Rua Frei Caneca nº 569 – 3 Piso – Loja 401A
Cerqueira César | São Paulo – SP
Fone: 3472.2414
Datas e Horários: De sexta a domingo.
Sexta ás 21h30, Sábado às 21hj e domingo às 18h.
Este espetáculo não é indicado para menores de 14 anos.
“Um salve a todos que transformam essa cidade cinza em um lugar mais colorido, divertido e menos agressivo.
Salve os escritores, riscadores, pintores e coladores… a cidade é nossa!” Hoje 27 de março é o dia do graffiti. Mas todo dia é dia de celebrar esses artistas urbanos que deixam a cidade com uma cara melhor. Que fazem da arte uma forma de protesto, com a maior graça. É o caso de Ozi Duarte com quem bati um papo.
Muito antes da Alicemania gerada pelo filme de Tim Burton, a personagem de Caroll já inspirava Ozi, artista que ocupa os muros paulistanos com seu graffiti transgressor e irreverente desde os anos 80. Certamente você já viu por aí as várias versões de seus personagens questionadores, como a Shirley, Ronald Mac Donald, Sininho, Mickey, Alice…
Suas intervenções começaram por incentivo dos papas Alex Vallauri (precursor do graffiti em São Paulo) e Maurício Villaça , dois importantes artistas paulistas que fazem parte da primeira geração envolvida com a arte do graffiti que invadiu a cidade. ” Hoje São Paulo é uma das cidades mais graffitadas! ”, conta Ozi ou Ozeas Duarte que ganhou homenagem da Ação Educativa por seus 30 anos de ativismo.
Para o crítico de arte Paulo Klein, Ozi é o mago pintor da Paulicéia, mantém características da fase romântica do graffiti paulistano, o stencil como técnica e conteúdos inteligentes e irônicos em seus temas.
Ele participa ativamente da cena street art de São Paulo e exposições no Brasil e exterior em galerias, museus e instituições culturais. “ Muita coisa mudou, o graffiti ganhou status de arte, é mais reconhecido e aprovado. O que faço ainda é graffiti, por mais que insistam que estencil é isso ou aquilo e queiram colocá-lo como o primo pobre do que se chama Arte de Rua “ .
Veja na entrevista porque a personagem virou Vandalice nas mãos de Ozi e confira depois o trailer de Tim Burton.
Durante uma semana, a partir sesse sábado 17 até o outro 24 de março, a paisagem paradisíaca de Trancoso será o cenário de um festival inédito e totalmente gratuito, o Música em Trancoso – MeT. Um anfiteatro, montado no alto das falésias, perto do Club Mediterranée, irá acomodar mais de 1.000 pessoas na plateia e cerca de 100 artistas no palco, que se apresentarão sempre ao pôr do sol. Durante o dia estudantes de todo o Brasil que se inscreveram pela internet poderão assistir a workshops com musicistas internacionais de peso.
A iniciativa partiu de um grupo de amigos que tem casa de veraneio na região, entre eles, Sabine Lovatelli, presidente do Mozarteum, com o objetivo de levar a boa música para um lugar pouco acostumado a ver orquestras ao vivo.
“A ideia também é poder dar uma nova possibilidades de desenvolvimento econômico para os habitantes locais, numa região que vive da sazonalidade do turismo. Assim conseguimos estender o movimento dos restaurantes, pousadas, hotéis, serviços de transporte, quase até a Páscoa.” comemora.
A programação que vai invadir os canions de Trancoso
No Festival em Trancoso, grandes clássicos serão apresentados por nomes da música clássica e da MPB, como as irmãs Katia & Marielle Labèque (piano) e os integrantes da Filarmônica de Berlim, Rüdiger Liebermann (violino), Walter Küssner (viola) e o Walter Seyfarth (clarinete) proporcionarão ao público interpretações primorosas de instrumentos de cordas, sopro e metais e canto. As irmãs Katia & Marielle Labèque (piano) e os integrantes da Filarmônica de Berlim, Rüdiger Liebermann (violino), Walter Küssner (viola) e o Walter Seyfarth (clarinete) estão entre eles. Prometem também emocionar a platéia os músicos Andreas Grünkorn (violoncelista), Benoit Fromanger (flauta), Jonathan Williams (trompete) e Richard Galler (fagote). A soprano Julia Thornton, o tenor Tadeusz Szlenkier, o maestro Cesar Camargo Mariano, ao piano, e a cantora Mônica Salmaso compõem os destaques do festival.
Destaque para a apresentação do dia 20, quando a maioria dos solistas convidados, acompanhados das irmãs Labéque, subirão ao palco para juntos executarem O Carnaval dos Animais, a belíssima composição de Camille Saint-Saëns; Conhecidos musicais compõem a programação, com trechos de West Side Story e Porgy and Bess. Todas as apresentações serão acompanhadas pela Orquestra Juvenil da Bahia, com regência do maestro Ricardo Castro.
Além dela, a orquestra imperial e os músicos convidados tocarão um repertório de fácil digestão, pensado especialmente para a formação de platéia; nada de tocar uma peça inteira. Fica claro que essa primeira edição é um teste para o público, a programação destacará clássicos da música erudita e peças de óperas e de musicais consagrados. A MPB será contemplada com uma noite dedicada à Bossa Nova e um jam session com músicas do nosso compositor maior, maestro Antonio Carlos Jobim. Se você ficou animado, desista! Não há mais ingressos disponíveis, nem passagens aéreas. Quem sabe, no ano que vem. Resta esperar que o festival vingue. Vida longa ao Met!