O que vale a pena nos desfiles do Rio Moda Hype é que em geral esses novatos ainda não tem uma grande marca por trás e nem preocupação com o lado comercial. Então eles conseguem colocar aquele ar de novidade no quinto dia de evento.
A Fernanda Yamamoto fez a coleção Sport Chic, pegando inspiração no inverso do esporte mesmo e não só do nome “traje esportivo”. Ela traz o conforto dos “uniformes” para as passarelas em formas de alfaiataria.

Martins Paulo fez um desfile fofíssimo e cheio de cores. O lado lúdico ao som de Lithium do Nirvana deu um belo contraste para a apresentação e Ligia acaba de apelidar a coleção inspirada nos poemas de Cecília Meireles em “grunge coloridinho”.

Destaque para essa versão fofa do coletinho pop, que segundo Erika Palomino ainda dura mais umas 4 estações.
Alisson Rodrigues em urbanidades trouxe os sinais de trânsito e transformou em padronagem. Ligia Helena Não se empolgou, mas eu adorei.
Sabe aquela plaquinha vermelha de “PARE”? Esteve nas estampas. Tinha até uma samba-canção com luzinha vermelha, tipo a do semáforo.
A minha preferida foi a versão “sinais de trânsito” para os triângulos escoceses com o fundo cinza do concreto.

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Agora quem escreve é Ligia Helena!
Adoro o Rio Moda Hype! Este ano Mayara e eu dividimos a missão de falar desses novos talentos, porque escrever sobre seis desfiles na sequência não é bolinho. Ela ficou com os três primeiros, e eu fiquei com os três últimos: Júlia Valle, Renata Veras e Frame.
A Júlia Valle fez uma coleção bastante voltada para as working girls desse meu Brasil. Com cores suaves, comprimentos comportados, ela subverteu algumas peças clássicas, como o blazerzinho, que ganhou volume nas costas, e deslocou a abotoação de camisas e vestidos para a lateral do corpo, o que deu um toque diferentão às peças. Destaque para os cintinhos finos – voce já tem um (ou mais) em seu armário?

Renata Veras continua a desenvolver seu trabalho em couro, a gente acompanha o trabalho dela já há duas edições e eu acho que ela muda bastante a cada coleção, ainda que trabalhando praticamente com os mesmos materiais. Isso já é um mérito, porque eu acho que a Renata consegue manter sua identidade sem cair na mesmice. Dessa vez ela misturou couro com seda, em modelagens que pendiam mais para o esportivo.

A Frame se inspirou em artistas como Marcel Duchamp para sua coleção “Moda Aleatória”. O resultado, eu achei meio grunge, meio anos 90, e sei lá se isso é bom. Aliás, as meninas pareciam grunginhas, os meninos pareciam mochileiros (amei as mega mochilas nas costas de alguns deles), mas ambos com roupas sobrepostas, naquele estilo “cebola”, com muitas camadas. Sem dúvida muito jovem – e com muito moletom.

