A opinião de Lula Rodrigues
Hoje tem ressaca fashion, mesmo assim, resolvemos postar a entrevista com o Lula Rodrigues, editor de moda do O Globo.
Conversamos com ele no desfile do Lino Villaventura, último de ontem, na correria, só hoje que conseguimos fazer a transcrição, mas vale a pena.
Virei mais fã ainda!

A tendência saiu de moda?
É eu acho que a gente está em um momento que é um linear de mudanças na moda. Então não ter uma tendência acaba sendo uma tendência. O mecanismo que constrói a tendência é muito grande. Tem a indústria químico-têxtil conectada nisso. É ela que dita o caminho ou os caminhos.
A gente demorou muito tempo para construir essa estrutura e eu acho que ele não acaba de uma hora pra outra. Não é simplesmente um editor dizer: “acabou a tendência” ou um estilista dizer: “eu não sigo tendência”. Se ele compra pano, o pano tem caminhos e segue tendências. Então se ele faz roupa com qualquer coisa que esteja vinculada com a indústria químico-têxtil, o pigmento, a cor, o tipo de tecido inteligente. Se ele está completamente fora disso tudo, ele vai fazer duas ou três peças.
Como aconteceu nos anos 80. O Yamamoto descobriu na Tailândia um grupo de freiras que fazia um tecido em tear. Uma pessoa dele foi lá e comprou todo o tecido. Só ele tinha aquilo e acabou. Mas a partir do momento que as freiras começam a fazer mais, mais e mais, vira tendência.
Então eu acho que é muito irresponsável dizer acabou. Um estilista pode não seguir o que é o bê-á-bá, mas de alguma forma ele vai estar conectado a alguma coisa. O povo já digere muito a tendência daí surge a expressão “estar na moda” então, a tendência vai continuar.
Já que ela continua, o que é tendência para próximo verão?
Vou falar da moda masculina que é a minha praia. Para o homem não acontece nada do dia para a noite. Ele precisa de um tempo, tipo água mole em pedra dura, tanto bate, até que vira moda masculina.
O xadrez já vinha desde o verão passado, no inverno continuou, mas as bermudas xadrez pode ser que só emplaque agora. São vários tipos de xadrez. O paletó de três botões acabou. É claro que o homem não vai deixar de usar, porque ele já comprou, mas daqui pra frente ele vai começar a investir em um paletó de dois botões.
A silhueta dot que o cavalo é lá embaixo, também chamam de saruel, mas na verdade é dot, ela agora que está emplacando. Agora que ela consegue pegar o homem brasileiro e começa a usar. Foi lançada em 2005, quando a Osklen fez um modelo. Em 2005 o Oskar já estava antenado nisso. Isso é tendência e demorou três anos para emplacar. As tendências têm um tempo de maturação na moda masculina.
Listra, o néon e o flúor, já vem de algum tempo, meio 80s. Flúor nos detalhes como a Reserva fez, a Amapô fez com cores fantásticas.
O Ivan Aguilar no Rio fez bermuda xadrez, segundo ele, o cliente dele foi muito resistente e agora está comprando muito.
O que você leva para o seu guarda-roupa?
Eu levo paletó de dois botões. Eu levo a calça xadrez e a silhueta dot, como essa calça que eu estou. Super discreta, mas é uma silhueta trabalhada. O gavião dela, o cavalo é mais baixo e super confortável. Eu já incorporei as listras também.
O melhor desfile do SPFW?
Posso falar três? Gostei muito da Osklen, do Alexandre, que é imbatível e achei a Reserva muito bom.
E o pior?
A Colcci me decepcionou muito.O masculino da Colcci eu achei realmente. Olha! Sem comentários.
Moda pra você é…
Moda pra mim é alegria. É alto astral. Eu sei que é batido falar isso, mas moda é feita para você se sentir bem vestindo e com conforto. É um pacote. Sobretudo para mim, moda é auto-estima.

AUTO-ESTIMA
meninas, amei passar a semaninha no quadrado com vocês. uma amiga mandou um post onde vocês me chamam de super-repórter e vim agradecer rsrsrs… beijos!!!
Ele realmente sabe o q fala…