
Esta semana começou com duas matérias bem interessantes. A primeira, que recebi via Lucasof, foi publicada no Link, do Estadão. Nela, o jornalista Rodrigo Martins entrevista a pesquisadora de mídias sociais Danah Boyd, conhecida como uma das principais especialistas no assunto ao redor do mundo. Na outra, do IDG Now, uma pesquisa afirma que quem faz a Web 2.0 são jovens. De 33 anos.
Por que você usa a internet? Aliás, para que você usa o Orkut, MSN, Twitter e afins? Para se comunicar com os seus amigos? Bom, isso pode ser, na verdade, somente uma negação para o real motivo de você navegar tanto por aqui. A real é que, por mais que a gente não aceite, assim que começamos a participar de uma rede social, deixamos de lado o real intuito, que era se comunicar com conhecidos. Vale lembrar que a maioria dessas comunidades são públicas. No Twitter, todo mundo pode ler as suas atualizações. O Orkut está testando mudanças nas opções de privacidade de um tempo para cá. Quem restringe as fotos, no entanto, acaba mais esperando receber novas requisições de amigos do que simplesmente compartilhar sua vida somente por conhecidos.
A web, sem querer, envenena as pessoas. Assim como uma sociedade real, os sites de relacionamentos criam essa necessidade de ver e querer ser visto. Como diz Danah na matéria, “as pessoas gostam de compartilhar. Isso dá status social, uma forma de se conectar às outras pessoas. E não é a tecnologia que trouxe isso. Somos biologicamente programados para sermos sociais. Só que as possibilidades aumentaram. Se antes ter status social significava colocar uma roupa legal, hoje, é estar em blogs, redes sociais ou sites de vídeo.”
Para Danah, a intenção do usuário ao ingressar em uma rede social é ser especial e ser notado da multidão. É assim que funciona a rede: você tem um amigo, um amigo do seu amigo te vê e, se interessar, te adiciona. Sem querer, a web funciona como a sociedade real. De tanto o homem se ocupar com outras tarefas, ele se acolheu à internet para criar a sua vida social, seja ela de verdade ou não.
O grande problema dessas relações virtuais é o quanto elas são superficiais ou não. Conhecer uma pessoa pela internet, sem ao menos saber as suas reais intenções, é um tanto perigoso. Por isso, muitos acreditam que a web é um meio perigoso e que nada do que acontece ali é real. Para Danah, ocorre exatamente o contrário. “Os amigos estão sempre com você, a um clique”, afirma.
Para mim, esse é um dos grandes trunfos da internet. Participar e aparecer. Nós crescemos em uma sociedade onde temos como espelho as celebridades da televisão. Todo mundo acaba, de certa forma, ganhando uma vontade de se tornar conhecido, mesmo que seja com um texto seu publicado em algum lugar. Essa é a grande sacada: na web, existe lugar para todo mundo. Seja criando um blog, publicando um vídeo no YouTube, a pessoa sempre tem a chance e espera aparecer, ser destacado. Por mais que neguemos, a intenção em ter um Orkut é bem maior do que simplesmente manter contatos com amigos antigos…
E, ao contrário do que muita gente pensa, quem faz essa internet colaborativa não são os jovens de, tipo, 18 anos. Um estudo da Netpop Research, nomeado de Media Shits to Social 2009, apontou que a maioria dos usuários que utilizam a Web 2.0 com maior frequência possuem 33 anos de idade. Além disso, a probabilidade entre homens e mulheres é praticamente igual e a classe que domina a web é a mediana.
Claro que, sem surpresa alguma, a maioria dessas pessoas passam a maior parte do seu tempo nas suas vidas online. Quando estão longe do PC, ainda procuram um smartphone um ponto público para acessar a rede.
E você, acha o que dessa sede por redes sociais, de se mostrar, de querer ser visto? Você colabora com a Web 2.0? Conta aí =)