Olá a todos,
Nos últimos dias, vocês devem ter lido ou assistido relatos sobre uma atleta alemã chamada Gretel Bergman. Em 1936 ela venceu o salto em altura na seletiva alemã para os Jogos Olímpicos de Berlim, com recorde nacional: 1,60m. Porém, por ser judia, não foi convocada, e seu recorde jamais foi validado. Em 2009, finalmente, a Federação Alemã reconheceu o resultado, e seu nome figurará para sempre nos anais do esporte. Gretel é viva, tem 95 anos, e merecia ver ao menos esse erro reparado. Mas como ela mesma diz, não é uma história com final feliz. Foi tirada dela a oportunidade de realizar o maior sonho que um atleta pode ter: participar dos Jogos Olímpicos. Isso, é impossível reparar.
Participei de duas edições dos Jogos Olímpicos. Foram duas experiências únicas, enriquecedoras. Um atleta olímpico, só por estar lá, já é um vitorioso. Gretel é vitoriosa, mesmo sem nunca ter tido a chance de compartilhar o Olimpo com outros “deuses” do esporte…
No ano passado, estive treinando na Alemanha em fevereiro, na cidade de Saarbrucken (muito frio!!!!). Depois, voltei no verão para competir no Campeonato Mundial, em Berlim. Sempre fui muito bem recebida lá, tenho bons amigos, os tempos ruins vividos pela Gretel ficaram para trás. Berlim é uma cidade que está em alta, particularmente agora que a queda do muro acaba de completar 20 anos. Entre os amigos que fiz, gostaria de lembrar de uma saltadora como eu: Bianca Kappler.
Fomos companheiras de final no Campeonato Mundial de Osaka, em 2007, e o Nelio (meu treinador) colabora com o Ulli (treinador dela), já deu duas clínicas lá. A Bianca também tem uma filhinha, mais ou menos da idade da Sophia. Em 2005, ela competiu no Campeonato Europeu Indoor, em Madri, e chegou à última rodada de saltos com 6,53m. Naquele momento, a medalha de ouro estava sendo conquistada com 6,70m, e ela precisava de ao menos 6,59m para levar o bronze. Fez sua última tentativa, e mal acreditou quando viu o resultado no placar: 6,96m! Sabem qual foi a reação dela? Não, não foi de euforia, felicidade, nada disso. Ela correu para os árbitros e protestou, dizendo que era impossível ter saltado aquela distância! Depois de muitas deliberações, o resultado dela foi anulado, mas pelo fair play, ela dividiu a medalha de bronze com a romena Adina Anton.
Duas histórias maravilhosas, que só o esporte pode escrever!
Beijos da Maurren