Olá a todos,
Em meu último post, falei sobre a necessidade de termos melhores equipamentos esportivos no Brasil, particularmente nesse momento em que lutamos para termos a melhor participação brasileira na história dos Jogos Olímpicos, quando os sediarmos, em 2016. Esse deve ser o empenho de todos os envolvidos, direta ou indiretamente, com o esporte no Brasil.
Por isso, foi com pesar que ouvi ontem, no rádio, que o prefeito do Rio de Janeiro assinou uma resolução tornando sem efeito o tombamento do Estádio Célio de Barros e do Parque Aquático Júlio Delamare, o que abre a possibilidade, a curtíssimo prazo, da demolição desses centros.
Tenho muitas memórias boas do Célio. Uma das mais charmosas pistas de atletismo do Brasil, bem ao lado do Estádio do Maracanã, foi onde conquistei minha primeira medalha de ouro em Troféus Brasil. Foi nos 100m com barreiras, em 1997, e lembro que chorei muito! O Troféu Brasil de 99, também no Célio, definiu minha participação nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. Venci os 100m com barreiras com recorde brasileiro, e também o salto em distância, meu primeiro título nacional na prova que se tornaria minha especialidade.
Em 2000, foi lá que fiz um duelo memorável com a italiana Fiona Mai no GP Brasil de Atletismo, e também onde conquistei meu primeiro título Ibero-americano.
Muito antes de mim, no entanto, verdadeiras lendas do atletismo brasileiro passearam pela pista de atletismo do Célio de Barros. Para lembrar de alguns: João Carlos de Oliveira, Nelson Prudêncio, Silvina das Graças Pereira, Nelson Rocha dos Santos, Zequinha Barbosa, Agberto Guimarães, Joaquim Cruz.
Gente que só conheço de nome, como o finalista olímpico Rui da Silva, e outros com os quais convivi nas pistas por algum tempo, como o Robson Caetano e o Arnaldo Silva. E outros, muitos outros, do Rio de Janeiro e do Brasil todo. E muitos mais, anônimos ou consagrados, que usaram a oportunidade que o Célio lhes deu para conhecerem o atletismo e, por meio dele, encontrarem caminhos dignos para suas vidas.
Hoje, a Confederação Brasileira de Atletismo lamentou o destino reservado ao Célio. Faço minhas as palavras do presidente Roberto Gesta de Melo e dos meus colegas medalhistas olímpicos, Robson e Arnaldo. Se a decisão for irreversível – o que, por si só, já é uma lástima – outro estádio tão bem localizado como o Célio precisa ser entregue ao atletismo carioca e brasileiro ANTES de sua demolição.
Beijos da Maurren!