iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

16/06/2009 - 12:39

Uso de vídeo em partidas deveria ser aceito?

A Fifa promete divulgar ainda nesta terça-feira um comunicado em resposta ao protesto do Egito relativo à marcação do pênalti que decidiu a partida contra o Brasil, na primeira rodada da Copa das Confederações.

Como se sabe, o lance ocorreu no finalzinho da partida. Daniel Alves cobrou falta pelo alto, a bola sobrou para Lúcio, que chutou em direção ao gol. A bola provavelmente ia para o fundo das redes, mas foi desviada pelo braço direito de Ahmed Al Muhamadi, saindo pela linha de fundo. O árbitro inglês Howard Webb, imediatamente, apontou escanteio a favor do Brasil – marcação idêntica à do auxiliar. Os jogadores do Brasil cercaram Webb, pedindo o pênalti. As imagens da TV mostram que, num primeiro momento, o árbitro rechaçou a reclamação, mas em seguida voltou atrás de sua decisão e, então marcou pênalti e expulsou Ahmed Al Muhamadi. Foi, então, a vez de os egípcios cercarem o árbitro em protesto (foto).

O que se passou entre a marcação inicial e a seguinte é o xis da questão. Tudo indica que Webb foi alertado pelo quarto árbitro, o australiano Matthew Breeze. Não terá ocorrido problema algum se Breeze apenas viu que foi pênalti e advertiu Webb do erro que ele estava cometendo. O que se suspeita, porém, é que Breeze teria visto a repetição do lance num monitor de tevê – que não deixa dúvidas sobre o pênalti.

O uso de imagens de vídeo para esclarecer dúvidas no meio de uma partida de futebol é uma idéia colocada em discussão já há muito tempo. Utilizado nas ligas de basquete e futebol americano, o recurso é vetado pela Fifa. O presidente da entidade, Joseph Blatter, já se manifestou mais de uma vez contrário a esta possibilidade. O uso de imagens gravadas é hoje aceito apenas em tribunais esportivos, para auxiliar na punição de agressões ocorridas em campo, mas não relatadas na súmula dos árbitros.

Na final da Copa do Mundo de 2006, o árbitro Horacio Elizondo não viu a cabeçada de Zidane em Materazzi, mas foi advertido a respeito pelo quarto árbitro, o espanhol Luis Medina Cantalejo. O técnico da França, na ocasião, acusou Cantelejo de ter recorrido a um vídeo para ver a agressão, o que obrigou a Fifa a divulgar um comunicado negando que isso tenha ocorrido. Aposto que este será o tom do comunicado que a entidade divulgará hoje sobre a polêmica marcação do pênalti contra o Egito. (atualizado às 13h54: a Fifa rejeitou o protesto dos egípcios, afirmando que Webb não recebeu apoio da tevê)

Qual é a opinião do leitor: a Fifa deveria aceitar o uso de imagens de vídeo durante uma partida para esclarecer dúvidas?

Crédito da foto: AP

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , , , , , , , , ,
17/03/2009 - 11:37

Os ídolos do futebol na sala de aula – na França e no Brasil

Com alguns dias de atraso, ai vai um comentário sobre “Entre os Muros da Escola”, o impressionante filme de Laurent Cantet, em cartaz no Brasil desde a última sexta-feira. Palma de Ouro em Cannes, em 2008, o filme retrata um semestre dentro de uma sala de aula de uma turma formada por jovens entre 13 e 15 anos em uma escola pública, em Paris.

“Entre os Muros da Escola” é baseado num romance do escritor François Bégaudeau, que é também corroteirista e ator principal do filme. Ele interpreta o papel do professor de francês, colocado na linha de frente, numa batalha com os alunos – grande parte formada por filhos de imigrantes árabes e africanos.

Embora Bégaudeau assegure que livro e filme tenham a intenção, apenas, de discutir “os mal entendidos entre um adulto e um adolescente em um ambiente escolar” (veja entrevista concedida à “Folha”), há claramente outras questões em jogo.

Um dos temas mais visíveis é o da adaptação dos imigrantes à cultura francesa. E aqui entra um aspecto muito interessante de “Entre os Muros da Escola”: o papel dos jogadores de futebol na formação da identidade dos jovens filhos de africanos. O filme deixa claro, pela repetição com que são citados, que esses craques são uma referência fundamental no imaginário dos jovens.

Numa das cenas de maior impacto, os filhos de imigrantes discutem sobre os seus ídolos. O primeiro, filho de um antilhano, fala de Thierry Henry, cujo pai nasceu em Guadalupe e a mãe, na Martinica – duas ilhas nas Antilhas, colonizadas pela França. Outro fala de Zinedine Zidane, cujos pais nasceram na Argélia. Tanto o árabe Zidane quanto o negro Henri são franceses e responsáveis, em boa parte, pelo sucesso do futebol da França no cenário mundial nos últimos anos.

Até que um terceiro estudante fala de Didier Drogba. Apesar de sua família ter imigrado da Costa do Marfim para a França, onde iniciou a sua carreira, Drogba sempre defendeu a seleção de seu país de origem – da mesma forma, aliás, que outros africanos, como George Weah e Samuel Eto´o, para citar apenas mais dois. A discussão no filme não se prolonga. Mas o menino que evoca Drogba parece sugerir que, na sua visão, o fato de o jogador atuar por uma seleção africana dá um valor especial ao seu ídolo na comparação com os craques, filhos de imigrantes, que atuam pela França.    

Em todo o caso, “Entre os Muros da Escola” faz pensar sobre o papel que todos esses jogadores representam para uma geração de jovens de origem humilde. Descontadas as diferenças, sobretudo a questão da imigração, é um quadro que tem muito a ver com o Brasil. Mesmo que não queiram, jogadores como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros são vistos como heróis pelas crianças e, de alguma forma, como modelos a serem seguidos. É uma grande responsabilidade.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , , , , , ,
Voltar ao topo