“Os decepcionaldinhos”, Freud do Cariri e as crianças
O grande Xico Sá, jornalista de múltiplos talentos, cunhou na “Folha” desta sexta-feira uma expressão genial para se referir aos torcedores que perseguem craques em momentos de crise. São os “decepcionaldinhos”, os “marcadores cricris”.
O próprio Xico faz uma autocrítica e conta que agiu assim, como um “decepcionaldinho”, em relação a Ronaldo, antes da última volta por cima do craque no Corinthians. “Ronaldo ensinou o que nem precisava”, reconhece.
O cronista protesta contra “gente que está sempre decretando o fim de carreira para uns, magoado com outros, dizendo que esperava mais de fulano etc… Não queria ser grosso, mas que tal cuidarem das suas próprias decepções, que são o que não nos falta pelo caminho?”, escreve, com precisão, o nosso Freud do Cariri.
Hoje, especialmente, Xico Sá reclama dos que pegam no pé de Ronaldinho Gaúcho. “O julgamento moral é implacável, e o nome da vez é de novo Ronaldinho, o grande Gaúcho. Especulam sobre a sua parada, haja bobagem, dizem que ele envergonha o Brasil em campos da Itália, qualé, cara pálida?”
Concordo com Xico. Devemos tomar sempre o cuidado de não projetar nos outros, amigos ou ídolos, as expectativas que temos em relação a nós mesmos. Evitar os julgamentos morais é fundamental.
Mas acho que há uma outra dimensão no caso Ronaldinho Gaúcho, que não é apenas a da decepção. Com seu futebol de lances imprevistos e geniais, e seu jeito engraçado de ser, Ronaldinho se tornou ídolo não apenas dos amantes do bom futebol, mas também das crianças. Vê-lo perdido em campo, sem brilho ou luz, provoca a mesma melancolia que assistir a um mágico aposentado em festa infantil.



