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18/09/2009 - 11:14

“Os decepcionaldinhos”, Freud do Cariri e as crianças

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O grande Xico Sá, jornalista de múltiplos talentos, cunhou na “Folha” desta sexta-feira uma expressão genial para se referir aos torcedores que perseguem craques em momentos de crise. São os “decepcionaldinhos”, os “marcadores cricris”.

O próprio Xico faz uma autocrítica e conta que agiu assim, como um “decepcionaldinho”, em relação a Ronaldo, antes da última volta por cima do craque no Corinthians. “Ronaldo ensinou o que nem precisava”, reconhece.

O cronista protesta contra “gente que está sempre decretando o fim de carreira para uns, magoado com outros, dizendo que esperava mais de fulano etc… Não queria ser grosso, mas que tal cuidarem das suas próprias decepções, que são o que não nos falta pelo caminho?”, escreve, com precisão, o nosso Freud do Cariri.

Hoje, especialmente, Xico Sá reclama dos que pegam no pé de Ronaldinho Gaúcho. “O julgamento moral é implacável, e o nome da vez é de novo Ronaldinho, o grande Gaúcho. Especulam sobre a sua parada, haja bobagem, dizem que ele envergonha o Brasil em campos da Itália, qualé, cara pálida?”

Concordo com Xico. Devemos tomar sempre o cuidado de não projetar nos outros, amigos ou ídolos, as expectativas que temos em relação a nós mesmos. Evitar os julgamentos morais é fundamental.

Mas acho que há uma outra dimensão no caso Ronaldinho Gaúcho, que não é apenas a da decepção. Com seu futebol de lances imprevistos e geniais, e seu jeito engraçado de ser, Ronaldinho se tornou ídolo não apenas dos amantes do bom futebol, mas também das crianças. Vê-lo perdido em campo, sem brilho ou luz, provoca a mesma melancolia que assistir a um mágico aposentado em festa infantil.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, Esporte, jornalismo Tags: , , ,
16/01/2009 - 11:58

A arte da cantada numa feira livre em São Paulo

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No livro “Modos de Macho & Modinhas de Fêmea”, bem como em diferentes textos na imprensa, o jornalista Xico Sá vem refletindo com sabedoria única sobre a arte da cantada. Numa das crônicas que escreveu a respeito, publicada na revista “Homem Vogue”, onde mantém a coluna “Cantata”, Xico observou que “a cantada é como a revolução de Mao Tse-Tung, tem que ser permanente”. E teorizou:

Porque cantar, à vera, é cantar todas e não cantar nenhuma ao mesmo tempo. Explico: é espalhar pacientemente a devoção a todas as mulheres como quem espalha sementes nos campos de lírios. (…) A cantada permanente e indiscriminada é irresistível, quando você menos espera, acontece o que você tanto sonhava. Sim, tem que ter o cuidado para não ser simplesmente um chato que baba diante do melhor dos espetáculos, a existência das mulheres. Ter que cantar sempre a mesma mulher e parecer que está apenas de passagem, que o estribilho é sempre novo, nada de larararás que mais parecem refrões do Sullivan e do Massadas, lembram dessa dupla de músicas chicletosas?

Lembrei deste texto do Xico ao ver, quinta-feira, um feirante exibir o seu talento nesta arte para uma moça que, acompanhada de uma amiga, passou em frente da sua barraca:

“Fumar não pode, amor”, disse ele, provocando o olhar de espanto dela, que caminhava com um cigarro aceso na mão. “Vai prejudicar o meu bebê”, emendou ele, arrancando um sorriso dela.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: ,
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