Woody Allen: A insegurança do artista aos 74 anos
Em excelente entrevista a Marília Martins, nesta terça-feira, em “O Globo”, Woody Allen fala de seu novo filme, “Whatever Works”, que marca a volta do cineasta à Nova York, depois de quatro produções na Europa. Allen diz que evitou os cartões postais de Manhattan e filmou “uma Nova York da crise econômica”.
Em outra passagem da entrevista, ele fala da dificuldade de conseguir filmar hoje nos Estados Unidos. É muito caro, diz, “até mesmo para mim, que tenho filmes de orçamento barato”. Por esse motivo, o cineasta volta em breve à Londres, para filmar uma comédia romântica com Nicole Kidman, Anthony Hopkins e Antonio Banderas, e cogita, no futuro, filmar no Brasil:
“São conversas ainda preliminares. É claro que precisaria estudar um pouco sobre o país para ver um roteiro que se adapte bem por lá. Mas estou interessado em fazer este filme no Brasil, se a oferta da produção seguir adiante”, diz (um resumo da entrevista pode ser lido aqui).
Mas a parte que eu mais gostei foi o seguinte diálogo. Pergunta: “E como foi a reação da platéia na estréia de ‘Whatever Works’?” Resposta: “Bem, não vi. Eu subi ao palco, tirei umas fotos e saí dali correndo para jantar com minha mulher, enquanto as pessoas viam o filme. Depois, veio um monte de gente até o restaurante apertar a minha mão. Eles disseram que gostaram, mas eu nunca sei.”
Woody Allen tem 74 anos e já fez 45 filmes. Ainda fica nervoso quando estréia um filme e inseguro em relação ao que pensam da sua obra. Eis um artista, ainda inquieto, preocupado em criar e eternamente insatisfeito. De tirar o chapéu!
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: entrevista, O Globo, Whatever Works, Woody Allen


