O caso do menino que (não) sumiu no balão permanece na mídia mesmo depois dos 15 minutos de fama obtidos pelos envolvidos. A razão é a perseguição legal aos pais do garoto, que possivelmente serão presos e processados por fraude.
A proliferação de boatos e notícias falsas ganhou grande impulso na era da Internet – e mais ainda nestes tempos de Twitter, em que a informação circula quase na velocidade da luz.
Na confusão instalada nos dias de hoje, misturam-se diferentes tipos de fraudes. Há de tudo, para todos os gostos, desde vídeos publicitários disfarçados até “informações” plantadas com o objetivo de prejudicar políticos, artistas ou jornalistas.
O caso do menino no balão se enquadra na categoria das mentiras que, em tese, não fazem mal a ninguém e, ao final, podem até ser engraçadas. Para usar a linguagem do meio, foi um “viral”.
Nesta categoria, conseguir disseminar um vídeo ou uma informação falsa na rede tornou-se motivo de glória para seus autores – normalmente publicitários ou humoristas profissionais, que vivem disso e divertem a audiência com seus “virais” e piadas.
Segundo a polícia, a história do balão teria sido pensada com o objetivo de chamar a atenção para a família e promover um futuro “reality show”. A ser verdade esta versão, não é difícil imaginar onde Richard e Mayumi Heene tiveram a ideia. A velocidade com que a história se disseminou, transformando-os em questão de horas em celebridades mundiais, mostra que pensaram corretamente.
O problema no caso, e esta é a lição que outros inventores de notícia devem tirar da história, é que o “sumiço” do menino colocou a engrenagem do Estado (polícia, bombeiros etc) em ação. Deixou de ser apenas uma brincadeira com o objetivo de chamar a atenção para se transformar num trote, que causou prejuízos a terceiros.
Em resumo, ninguém pode impedir você de lutar desesperadamente pelos seus 15 minutos de fama, mas você pode ser preso se envolver as pessoas erradas na brincadeira.
Ela apresenta-se como Karen e, com um bebê no colo, chamado August, dirige-se ao público, informando que é dinamarquesa e diz: “Estou fazendo esse vídeo porque estou tentando encontrar o pai de August”. E conta a história de como, meio bêbada, tropeçou em um estrangeiro nas ruas de Copenhague, começaram a conversar e acabaram a noite juntos.
De manhã, quando acordou, prossegue Karen, ela não encontrou o sujeito ao seu lado. Não se lembra do nome nem da nacionalidade dele. Não faz idéia alguma de quem seja. Por isso, pede a quem assiste o vídeo, caso tenha alguma pista, que a ajude.
Em questão de dias, o vídeo postado no You Tube e chamado “Danish mother seeking” foi visto por mais de um milhão de pessoas em 150 países. O link do vídeo apontava para um site, em que inúmeras fotos da loirinha com seu bebê eram exibidas. O caso explodiu, com direito a reportagens na mídia dinamarquesa e estrangeira.
Logo surgiram dúvidas se o vídeo contava uma história verdadeira ou era uma peça de marketing – o chamado marketing viral – financiado por uma marca de preservativos. Dois dias atrás, o diário “Politiken” informou que o vídeo era parte de uma campanha publicitária do Visit Denmark, o órgão oficial de turismo do país.
Segundo o presidente do órgão, a intenção era propor uma imagem positiva do país e “gerar um buzz”, um assunto, na mídia mundial sobre a Dinamarca. Não passou pela cabeça dele, disse, que o vídeo pudesse ofender pessoas mais sensíveis ao também sugerir que um dos encantos da Dinamarca é a possibilidade de encontrar lindas garotas para uma agradável noite de amor.
Ao perceber a mancada, o Visit Denmark retirou o vídeo do ar, mas inúmeras cópias podem ser encontradas no You Tube. Ficou mal para o órgão, mas a Dinamarca caiu na boca do povo – como eles sonhavam.
Na Internet blogueiros discutem as razões do fracasso deste viral. Não é o primeiro, nem será o último. O sonho de todo publicitário parece ser emplacar um viral na grande rede. Para quem não é do ramo, só resta permanecer alerta e reticente. Parodiando o célebre ditado futebolístico, não tem mais bobo na Internet.
É repórter especial do iG. Jornalista desde 1986, começou no Jornal do Brasil, passou pelo Estadão, ficou dez anos na Folha (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o Lance! e a Época, foi redator-chefe da CartaCapital e diretor editorial da Glamurama Editora. É carioca, mora há 22 anos em São Paulo e nunca deixou de sofrer pelo Botafogo.
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