18/09/2009 - 14:09
Além do diploma de jornalismo, sou também formado em economia, como já escrevi aqui no blog, mas nunca, curiosamente, pratiquei jornalismo econômico.
Fiz matérias de economia, eventualmente, nos diferentes locais onde trabalhei, mas confesso que nunca tive gosto, realmente, pela coisa. Esta semana, curiosamente, fiz duas reportagens ligadas ao universo econômico. Em ambas, fui encarregado de tentar dar alguma cor, alguma vida, à realidade dos números.
No primeiro caso, um especial do Último Segundo sobre o aniversário de um ano da crise financeira global, parti pela Avenida Paulista procurando a crise. Em meio a diferentes histórias e visões sobre este período, tropecei numa mulher descalça, gritando diante de uma farmácia: “Vocês vão vender pra mim um Lexotan?”. Ao me ver com o bloco de anotações na mão, ela gritou: “Nem todo mundo aqui rouba carro”. Acho que a materia valeu por esta história.
No segundo caso, a divulgação dos dados da PNAD 2008, saí pelo bairro do Bom Retiro em busca de pessoas que reunissem as principais características do “brasileiro médio” que emerge da pesquisa. Encontrei, por acaso, a pernambucana Rizoan Vieira de Moura, vendedora numa loja no bairro, cuja história me comoveu. “Há dois anos não tinha nada, nada, nada. Nada mesmo. Nem lugar para dormir”, ela me disse.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, jornalismo
Tags: crise financeira, Economia, PNAD, um ano
11/08/2009 - 16:48
No dia 11 de agosto de 2008, exatamente um ano atrás, este blog deu início às suas atividades. Minha experiência como jornalista na internet começou logo com dois posts – um sobre o topete do cineasta David Lynch e outro sobre a visita do governador José Serra ao MIS (Museu da Imagem e do Som) no dia de sua reinauguração.
Convidado por Caio Túlio Costa e Alessandra Blanco a ser repórter do Último Segundo (iG), ganhei este blog como uma espécie de complemento do trabalho. Ambas as atividades – repórter do portal e blogueiro – me fizeram entender, com atraso, como havia alimentado preconceitos em relação à Internet. Não que os problemas que sempre enxerguei nesta mídia inexistissem, muito pelo contrário, mas minha atitude distante, até então, me impedia de perceber as suas potencialidades.
A Internet é incompatível com a atitude, muito comum, de indiferença, quando não de arrogância, dos jornalistas com os seus “clientes” (leitores, espectadores, ouvintes). Não é possível fazer jornalismo nesta mídia sem levar em conta o impacto (ou a falta dele) no receptor da notícia. Da mais alta autoridade ao leitor menos instruído, cuja dificuldade de compreensão nos obriga a repensar nossa maneira de comunicar, esta mídia provoca um ímpeto de participação que altera, de fato, o fazer jornalístico.
Correção imediata de erros, sugestões de assuntos, dicas sobre enfoques, críticas duras, ofensas pesadas – esse diálogo com o leitor, que muitos colegas classificam como inútil, infrutífero ou demagógico, renovou, realmente, a minha percepção sobre o meu trabalho como jornalista.
Eu teria inúmeros exemplos para contar aqui sobre como foi feliz esse meu primeiro ano de blog e de internet. Ao leitor que estiver interessado sugiro a leitura do post anterior, no qual faço um balanço numérico da minha atividade neste primeiro ano e relato alguns casos. Aos demais, que chegaram até aqui, apenas informo que acabo de assinar a renovação de meu contrato com o iG por dois anos, o que sinaliza para mim a possibilidade de desenvolver um aprendizado que tem se revelado fascinante. Obrigado.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet
Tags: iG, Ultimo Segundo, um ano
11/08/2009 - 16:35
Nunca escrevi tanto como jornalista quanto neste primeiro ano de atividades na Internet. Foram 140 textos publicados no Último Segundo – uma série de reportagens sobre adoção, uma série sobre a Cracolândia e a visita ao ex-jogador Nilton Santos estão entre as matérias mais emocionantes que fiz no período. A de maior repercussão foi uma entrevista com Pedro Bial, durante o BBB9, no qual o apresentador fez uma série de revelações e inconfidências sobre o programa.
Mariana Castro, editora do Último Segundo, tem sido minha guia neste mundo da Internet. Devo a ela, e a seus jovens pupilos, muitas lições neste período. Todo jornalista sabe que notícia não tem hora para acontecer; na nova mídia, aprendi, notícia não tem hora para ser publicada.
No blog, nestes 365 dias, publiquei 446 posts. São quase 900 mil caracteres – 332 páginas no arquivo Word onde escrevo a primeira versão de cada texto. Publico abaixo links dos 20 posts mais comentados neste primeiro ano de atividade. Eles dão uma pista dos interesses dos leitores e da popularidade de certos assuntos na internet.
1. BBB9 – Globo se recusa a esclarecer dúvida sobre votação (31/03/2009) – 2.185 comentários
2. BBB9 – Globo deve explicação sobre placar da eliminação (04/03/2009) – 1.760 comentários
3. Galvão: “O Brasil é Vettel desde criancinha”. Hã?! (02/11/2008) – 1.606 comentários
4. Suspeitas de “acerto” pró e contra o Corinthians em 2007 (20/12/2008) – 576 comentários
5. Mentiras de Mano Menezes incomodam a imprensa (18/05/2009) – 570 comentários
6. “Lei antifumo dissemina a doença do autoritarismo” (26/05/2009) – 493 comentários
7. Fifa proíbe propaganda religiosa e adverte o Brasil (11/07/2009) – 455 comentários
8. Fervor religioso nos gramados causa constrangimento (02/07/2009 – 10:49) – 445 comentários
9. Madonna cai e a música continua igual, Será playback? (16/12/2008) – 392 comentários
10. Publicidade deforma Ronaldo (15/04/2009) – 357 comentários
11. BBB9 – O fantasma da teoria da conspiração (05/03/2009) – 355 comentários
12. Gretchen, Caroline, Thamy, Sula: a saga da família Miranda (23/09/2008) – 317 comentários
13. Por que gostamos tanto de Ronaldo? (05/03/2009) – 307 comentários
14. Como convenci minha filha a desistir dos Jonas Brothers (23/05/2009) – 293 comentários
15. Sobre torcida, patriotismo e comentário dos leitores (03/11/2008) – 292 comentários
16. No futebol, só a audiência importa, lamenta Tostão (08/07/2009) – 283 comentários
17. BBB9 – Em defesa de Boninho, o estressado (16/03/2009) – 279 comentários
18. Nem tudo é espontâneo: “CQC” também ensaia piadas (14/10/2008) – 274 comentários
19. “A Fazenda” ensina ao “BBB”: roupa suja se lava em público (25/06/2009) – 265 comentários
20. BBB9 – Duas dúvidas: Boninho acredita em enquetes? Por que a aula de sexo anal sumiu? (02/04/2009) – 265 comentários
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet
Tags: assuntos mais comentados, Blog, iG, um ano
06/08/2009 - 12:27
Em nova fase, a “Ilustrada” da “Folha” tem brindado os leitores com bons exemplos de jornalismo cultural desvinculado da agenda da indústria e de assessorias de imprensa. A capa do caderno desta quinta-feira, com título inspirado (“Som, imagem e silêncio”) e boa reportagem de Silas Marti, descreve o fracasso do Museu da Imagem e do Som, reinaugurado com fanfarra há um ano, de atrair público para as suas exposições e atividades.
Com orçamento anual de R$ 7,2 milhões, o MIS recebe uma média mensal de 3.600 visitantes, ou 120 pessoas por dia. A Pinacoteca do Estado, com orçamento de R$ 10,5 milhões, recebe cerca de 50 mil visitas por mês. A reportagem informa que tanto a diretora do MIS, Daniela Bousso, quanto o secretário da Cultura de São Paulo, João Sayad, reconhecem que a frequência ao museu está “bem abaixo do desejável”.
Ao ler a reportagem me lembrei que este blog estreou, há um ano, com um texto sobre a reinauguração do museu. Resolvi, então, relê-lo. Acho que há ali, no meu post, uma pista para as dificuldades de público que o MIS tem enfrentado. O texto, intitulado O governador vai ao museu, contava o seguinte, em dois parágrafos:
Concluída a reforma que o deixou fechado por oito meses, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo foi reinaugurado com a proposta de ser “um museu para a arte do século XXI”. Não sei bem o que é isso, mas ele está mais bonito. O governador José Serra, que visitou o MIS no sábado, também achou. Em companhia do secretário de Cultura, João Sayad, e da diretora do museu, Daniela Bousso, Serra conheceu todos os ambientes, incluindo o moderno laboratório, para artistas desenvolverem seus trabalhos in loco, um novo auditório, para shows, e várias exposições.
Um pequeno problema ocorreu diante de “Espelho”, obra dos artistas Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti. Serra parou, se aproximou, olhou, andou de lado, andou pra trás, voltou – e não entendeu. Cochichou algo para Daniela Bousso, que tentou explicar. A diretora começou a falar, gaguejou e pediu ajuda a uma assistente. “Chama a Rejane”, suplicou Daniela. Até que a autora da obra chegou e esclareceu que “Espelho” é um espelho acrescido de um dispositivo que o altera à medida que as pessoas se aproximam ou afastam dele, provocando distorções na percepção que temos de nós mesmos. Entendeu, Serra?
Em tempo: Foram 440 posts neste primeiro ano de vida do blog. Aprendi muita coisa sobre este novo ofício – blogueiro e jornalista na Internet –, mas ainda estou engatinhando. Agradeço ao iG, pelo espaço generoso que tem me dado, e à colaboração dos milhares de leitores que passaram por aqui até hoje, em particular aqueles que têm feito críticas ao trabalho, e peço que continuem me orientando.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura
Tags: Blog, Daniela Bousso, João Sayad, MIS, Museu da Imagem e do Som, Pìnacoteca do Estado, um ano
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