06/05/2009 - 13:14
Será lançado nesta quarta-feira, em São Paulo, o livro “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, no qual descrevo o processo de criação daquele que se tornou o maior diário de esportes do país. O livro, editado com esmero pela Alameda Editorial, é um desdobramento da dissertação de mestrado que defendi em 2007 na FFLCH-USP.
Como observou Gian Oddi, na excelente resenha que escreveu no iG Esporte, Livro revela história do diário Lance! e discute o jornalismo esportivo no Brasil, “embora o texto tenha profundidade acadêmica, as deliciosas histórias colhidas pelo autor, sejam elas fruto da própria experiência no Lance! ou da pesquisa sobre o futebol e a imprensa esportiva no Brasil, dão ao estudo um caráter jornalístico que acaba por tornar a leitura do livro muito saborosa”.
Em entrevista à jornalista Ana Paula Sousa, publicada em seu blog, Futebol e jornalismo: uma relação muito delicada, eu detalho alguns aspectos do trabalho, em particular a recorrência, ao longo de 110 anos, de alguns mesmo problemas e vícios do jornalismo esportivo, como bairrismo, sensacionalismo e suspeitas de corrupção.
Aproveito este post para convidar os leitores para o lançamento, no bar Canto Madalena (rua Medeiros de Albuquerque, 471, Vila Madalena, a partir das 19hs) e informar que o livro será lançado no Rio de Janeiro, no próximo dia 13 de maio.
Também aproveito para agradecer de público aos muitos sites, blogs, revistas e jornais que trouxeram notícias, nos últimos dias, sobre este lançamento. Em particular, meu agradecimento ao iG, à CartaCapital (e também via o blog de Camila Alam), ao blog de Mauricio Noriega, ao blog do Menon, à coluna de Mônica Bergamo, na “Folha”, ao blog do Juca Kfouri, ao Terra Magazine, de Bob Fernandes, ao Caio Maia, da revista “Trivela”, ao Ubiratan Leal, do “Balípodo”, Observatório da Imprensa, Loucos por Futebol (ESPN), Jornalistas & Cia e Comunique-se.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo
Tags: Ana Paula Sousa, Bob Fernandes, CartaCapital, Gian Oddi, História do Lance!, iG, iG Esporte, Juca Kfouri, Mauricio Noriega, Menon, Monica Bergamo, Trivela, Ubiratan Leal
29/10/2008 - 15:45
O blog vem acompanhando, desde setembro, o mercado de publicações esportivas. Foi notícia aqui o surgimento de duas novas revistas, “Gol F.C.” e “Fut!”, bem como o anúncio de que “Placar” planeja lançar um jornal gratuito. Esta semana, diante de mais um título novo, a revista “FourFourTwo”, resolvi entrevistar todos os principais editores envolvidos nesse competitivo mercado. O resultado é uma extensa reportagem publicada nesta quarta-feira no Último Segundo.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo
Tags: FourFourTwo, Fut!, Gol F.C., jornalismo esportivo, novas revistas, Placar, Trivela
23/09/2008 - 10:21




Alguma coisa acontece no jornalismo esportivo brasileiro – e, tudo indica, parece coisa boa! No período de um mês, duas novas revistas dedicadas ao universo do futebol chegaram às bancas. Isso significa dizer que, da noite para o dia, houve um aumento de 100% na oferta. Para quem sempre ouviu dizer que futebol não vende revista no Brasil, trata-se de uma onda impressionante.
No final de agosto estreou o que podemos chamar de uma revista de futebol “popular”. “Gol F.C.” apresenta o Corinthians na capa, com um título bem apelativo (“Não pára! Não pára! Não pára!”). Também tem uma coluna chamada “Maria Chuteira”, com notícias sobre mulheres do universo futebolístico, uma coluna assinada por Ana Paula Oliveira (“Boa assistente ou assistente boa?”) e reportagens tão variadas quanto leves sobre diferentes times brasileiros. A revista estreou destacando o seu preço no alto da capa (“só R$ 5,90″), com 60 páginas (15% de publicidade).
Esta semana chegou às bancas “Fut!”, um ambicioso projeto da empresa que edita o diário “Lance!”. A matéria de capa, um perfil do craque argentino Messi, com a pergunta “Por que o Brasil ama esse cara”, já diz muito das intenções de “Fut!”. A revista tem um olho no futebol internacional, com várias matérias e seções dedicadas a este universo, mas também busca complementar a cobertura oferecida pelo jornal diário em outras áreas, como consumo, moda e beleza (!!!). Parecem iscas dedicadas a conquistar, também, um leitor de cabeça mais aberta que o boleiro tradicional e, quem sabe (sonhar não custa) o universo feminino. Com projeto gráfico de Antoni Cases, o mesmo designer catalão que criou o jornal em 1997, “Fut!” é vendida por R$ 8,90 e tem 100 páginas (14% de publicidade).
Essas duas novas revistas chegam dispostas a enfrentar uma verdadeira instituição (”Placar”) e uma aposta atrevida (”Trivela”) do jornalismo esportivo.
Nascida no final de março de 1970, pouco antes da Copa do Mundo no México, “Placar” reinou soberana por três décadas. Várias gerações de jornalistas esportivos se formaram nas páginas da revista, para não falar dos inúmeros prêmios que ela conquistou por conta de históricas reportagens investigativas, da famosa máfia da loteria ao doping de Mazolinha. Na Europa, Placar seria uma lenda jornalística; aqui, enfrenta os altos e baixos de um mercado instável. Começou como revista semanal, virou mensal, voltou a ser semanal e hoje, mais uma vez, sai a cada 30 dias. Com 108 páginas (20% de publicidade), a revista custa R$ 9,99 e traz em sua mais recente edição uma capa com Rogerio Ceni e Marcos, indagando qual é o melhor goleiro do Brasil, e uma capa alternativa, dedicada ao Grêmio, o líder do Brasileiro.
Em setembro de 2006, chegou “Trivela”. A edição de estréia tinha na capa o número 7; as seis primeiras edições se chamaram “Copa 06”. Com ênfase em futebol internacional e um olhar crítico sobre as mazelas nacionais, a revista comemora dois anos com uma reforma no projeto gráfico e uma capa sobre Vanderlei Luxemburgo: “Empresas e relacionamentos – como funciona a vida do treinador do Palmeiras fora do campo”. Esta edição, que custa R$ 8,90, tem 68 páginas (7% de publicidade).
Aguardemos os próximos meses para ver como esse mercado, agora altamente competitivo, vai se comportar. Não dá para dizer se estamos vivendo uma espécie de “bolha” do jornalismo esportivo, que vai estourar em breve, ou se este é um fenômeno que veio para ficar. Torço que seja algo mais do que passageiro.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo
Tags: Fut!, Gol F.C., jornalismo esportivo, Placar, Trivela
12/08/2008 - 07:08

Caso único no Brasil, talvez no mundo, “Trivela” é uma revista especializada em esportes que boicota a mais importante competição esportiva do planeta. Na edição de junho, o editor, Caio Maia, defendeu a idéia que a imprensa não deveria “contribuir para construir uma imagem mistificada de um regime que tortura, mata e censura”. Acrescentou, então, que não haveria na revista nenhuma menção aos Jogos com exceção de notícias sobre as partidas do torneio de futebol olímpico. “Nossa opção é de noticiar o esporte, mas não o evento”.
Maia chegou a pensar num boicote total, mas reviu a decisão depois de ser pressionado pelos jornalistas da redação e pelos leitores. Após publicar uma capa com o título “Dunga, pede pra sair”, o site da revista perguntou aos internautas se eles iriam acompanhar a seleção brasileira na China. Foi uma enquete levemente dirigida, que incluía as seguintes opções: a) “Torcer para o Brasil. Apesar do Dunga, é o título que falta”; b) “Torcer para o Brasil. O trabalho do Dunga é bem feito”; c) “Torcer contra o Brasil. Só assim para o Dunga cair”; d) “Torcer contra o Brasil. Senão fica difícil aturar o Galvão”; e) “Olimpíadas? Não é aquilo que tem no colégio?” Venceu a opção “a) com quase 50% dos votos.
Nesta semana, o tema reapareceu no blog da revista. Depois de um post com comentários sobre o desempenho da seleção brasileira na estréia, uma nota anunciava que “Trivela” se curvava aos leitores no empenho de mantê-los bem informados sobre os acontecimentos na China, mas condenava “categoricamente” o governo chinês e o Comitê Olímpico Internacional. Este último, “por se curvar à pressão econômica de uma ditadura que não respeita os direitos humanos, liberdade de imprensa e meio-ambiente”.
Os leitores, na área de comentários, se dividiram entre aprovação, repúdio e ironia. Um internauta observou que chegou a pensar em boicotar os Jogos, mas… “Olhei meu iPod, meus tênis e muitas outras coisas. Para ser coerente, teria que jogar tudo fora. Fico com minha crise de consciência, sem saber bem o que fazer”…
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo
Tags: Adicionar nova tag, Jogos Olímpicos, jornalismo esportivo, Trivela