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09/10/2008 - 09:16

“Economist” reúne seus clássicos obituários em livro

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O obituário é um gênero jornalístico cada vez mais valorizado. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, especialmente, é tratado como uma forma nobre de jornalismo, quase uma arte. A publicação no Brasil, no início deste ano, de “O Livro das Vidas” (Companhia das Letras), uma antologia de obituários publicados no “New York Times”, alcançou surpreendente sucesso, mostrando que, também aqui, há interesse por textos de qualidade – pequenas jóias literárias capazes de, ao falar da morte de alguém, fazer uma ode à vida.

Na aula que dá sobre o assunto, no posfácio de “O Livro das Vidas”, Matinas Suzuki Jr. faz um histórico sobre a difusão do hábito de publicar obituários na imprensa de qualidade ao redor do mundo. Ele lembra que a revista “Economist” fez uma reportagem de três páginas em 1994 chamando a atenção para o alto nível dos obituários publicados então – “de longe, mais bem escritos do que as outras páginas dos jornais”. Um ano depois, a própria “Economist” instituiu um espaço semanal para os seus obituários – uma maneira de “trazer gente – ainda que morta – para a revista”, explicou o editor Bill Emmott (citado por Matinas).

Eis que, uma década depois, a “Economist” reúne em livro 200 dos seus formidáveis e surpreendentes obituários. Não está lá o famoso texto sobre Jesus Cristo, mas a antologia inclui, por exemplo, o obituário do papagaio Alex, morto aos 31 anos, em 6 de setembro de 2007, depois de anos de serviços prestados aos estudos sobre a fala dos animais. Sem preconceitos, a sóbria “Economist” publicou obituários sobre rebeldes do naipe de Syd Barret, do Pink Floyd, ou Hunter Thompson, o famoso jornalista gonzo, ou ainda do poeta beat Allen Ginsberg, mas também de gente séria, como o fundador da Sony, Akio Morita, ou o papa João Paulo II. A lista é enorme e pode ser acessada no site da Amazon UK, clicando-se na capa do livro, à venda lá.

“Book of Obituaries” foi editado por Ann Wroe, atual responsável pela seção da revista, e por Keith Colquhoun, o primeiro editor, que escreveu os obituários da “Economist” por oito anos. O livro acabou de ser lançado na Inglaterra (352 páginas, 20 libras) e sai nos Estados Unidos em novembro. Se você, por acaso, está com viagem marcada para Nova York e se interessa pelo assunto, saiba que a revista está anunciando a realização de um debate na cidade, no dia 31 de outubro, intitulado “A arte do obituário”, com a presença da editora Ann Wroe.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: ,
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