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29/01/2009 - 15:44

Autor da versão comenta polêmica sobre “Mr. do Pandeiro”

Um post sobre o novo disco de Zé Ramalho, no qual ele canta versões de músicas de Bob Dylan, provocou uma interessante discussão aqui no blog. Escrevi especificamente sobre como me agradou a versão de “Mr. Tambourine Man”, realizada pelo poeta e escritor Bráulio Tavares, que transformou o personagem-título da canção em “Mr. do Pandeiro” e, num segundo verso, em “Jackson do Pandeiro”.

Rodolfo Tornesi, em seu comentário, realçou algo que também me chamou a atenção – que o esforço de tradução das músicas de Dylan resulta igualmente numa adaptação à cultura brasileira e ao universo de Zé Ramalho. Tornesi cita a menção ao filme “Tropa de Elite” na adaptação de “Rock Feelingood”.

Houve também, é claro, leitores que discordaram totalmente dos meus elogios. Beto, por exemplo, que se disse autoridade em matéria de Bob Dylan, escreveu: “Afirmar que o sr. Ramalho tem algo a ver com Bob é o mesmo que afirmar que Che Guevara tem algo a ver com São Francisco de Assis.”

O músico Claudio Henrique, que é autor de uma versão de Dylan (“Just Like a Woman”, que virou “Apenas Uma Mulher” no seu CD de estréia, em 2002), avaliou que a versão de Bráulio Tavares para “Mr. Tambourine Man” comprometeu a sonoridade da letra original. “Numa versão, é fundamental que a sonoridade da palavra seja respeitada, e não seu sentido literal”, escreveu. Também registrou o seu “desconforto” com o fato de a versão manter a palavra “Mr”. “Se era pra ficar regional, como se supõe, de onde vem este Mister?????”, protestou.

Jairnumo contribuiu no post com uma lista de músicos brasileiros que já gravaram versões de músicas de Dylan, lembrando da ótima versão do Skank para “I Want You”. Malaquias reconheceu que “a questão da tradução sempre é questionável, e ninguém precisa gostar da tradução, mas que as músicas tiveram novo fôlego, e dos bons isso é indiscutível.”

Por fim, para alegria deste blogueiro, o criador da versão de “Mr. Tambourine Man”, Bráulio Tavares, em pessoa, entrou no blog . Em seu comentário, Bráulio reconhece as dificuldades envolvidas na sua versão, acolhe as críticas recebidas e dá uma aula de boa educação ao dialogar com as opiniões dos leitores. Reproduzo neste post o seu comentário:

Obrigado a Maurício e a todos pelos comentários. Fazer versão é uma tarefa ingrata, e para mim toda versão é uma perda em relação ao original. Paciência. É um quebra-cabeças poético, e quando a gente encontra alguma solução que se encaixa bem o prazer supera o desânimo de todas as vezes em que só se acha uma solução insatisfatória. Manter a sonoridade é tão importante quanto acompanhar o sentido. Só que na maioria das vezes não dá. Mais até do que na poesia impressa, a sonoridade das palavras é importante numa canção, mas nem sempre dá para manter. O que a gente perde de um lado procura compensar do outro. É preciso ter humildade e tentar fazer o melhor possível. Se a gente for esperar atingir a versão ideal, não grava nunca…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , ,
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