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23/03/2009 - 15:18

Radiohead: leitores descrevem show de horrores

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Escrevi hoje de manhã um comentário sobre a falta de estrutura e a desorganização do show do Radiohead. Deixei claro que gostei do ótimo show, mas mesmo assim temia que fosse ouvir desaforos dos fãs da banda. Que nada!!! A caixa de comentários do blog lotou com depoimentos de leitores descrevendo um show de horrores ainda pior do que eu vi. Fiz uma atualização no post, às 11h30, chamando a atenção para problemas que eu não tinha percebido, mas resolvi escrever um novo texto, agora à tarde, para dar mais destaque à voz dos leitores.

Um dos maiores dramas, que não enfrentei, porque fui e voltei de táxi, foi vivido por aqueles que deixaram o carro no estacionamento oficial. Há relatos de pessoas que, duas horas depois do fim do show, ainda não tinham conseguido sair do local. Como Ana M., que definiu a sua experiência como uma “bad trip”:

Ninguém lembrou de comentar que na 1h30 de espera não havia nenhuma alma penada para organizar o trânsito dentro do estacionamento? (se tinha, eu não vi) Ficamos todo o tempo sem saber o que estava acontecendo num terreno praticamente baldio com trechos escuros e escorregadios. Certamente essa “bad trip” vai fazer muita gente pensar muitas vezes antes de ir a um show num lugar isolado como a chácara. Santa desorganização!

O depoimento de Victor Ramos também dá a dimensão do horror. Ele optou por um estacionamento “não oficial” e se deu tão mal quanto:

Show dos extremos: extrema qualidade musical, extrema ridicularização e humilhação dos que foram agraciados com a boa música. A saída foi um dos piores momentos que já vivenciei numa multidão: 30 mil pessoas afuniladas, ao mesmo tempo, numa única e pequena saída!!! Por que não abriram as saídas de emergência no fim do show? Pra dar risada daquele monte de formiga se espremendo e passando mal? Tive que pagar 50 reais num estacionamento com chão de barro/lama pra não ter que ficar preso 1h30 no “estacionamento oficial”. Um falta de respeito que só se vê no Brasil.

Mais de um leitor falou de carros arrombados e furtados nas imediações da Chácara do Jockey. Thiago Pellegrini escreveu:

Passei mais de uma hora e meia para ir do Eldorado até o show e perdi o Los Hermanos. Total falta de apoio dos organizadores e da CET. E ainda teve muitas pessoas no estacionamento em que parei que tiveram seus carros arrombados pelos flanelinhas. É duro, mas 200 paus vale pelo show, que foi ótimo, mas o preço da desordem é muito maior.

Ricardo descreveu situação semelhante:

Acho que você teve sorte de não ir de carro. Mas tem uma coisa que precisa ser apurada corretamente. Cerca de 50 carros foram arrombados no estacionamento do show. Levaram de estepes a gasolina. Nem precisa falar que quebraram vidros e tal. A polícia foi chamada, inclusive, mas pouco fez e o roubo continuou noite adentro.

A saída, para quem foi de táxi e ficou até o último bis, foi igualmente complicada. Conta Eduardo Nasi, que também reclama da péssima qualidade do serviço de bar do evento:

De táxi também não foi fácil. Na saída, levamos duas horas e meia para conseguir um. E a “praça de alimentação”. Depois de pagar oito reais por um XIS e esperar por mais de meia hora, minha namorada recebeu um CACHORRO-QUENTE. Porque o XIS, vejam só, tinha acabado.A pizza, outra opção, estava com a massa crua e era montada porcamente.

Daniela aponta um outro problema de logística, não pensado pela organização:

Não havia banheiros químicos do lado de fora do lugar, quem se aventurou a ir em um banheiro teve que recorrer aos postos de gasolina que ficavam perto, no fim do show apenas UMA saída para 30 mil pessoas, um absurdo!!

Nara Alves relata que sofreu um desmaio e foi acudida pelos amigos. Não viu nenhuma equipe de socorro por perto:

Antes do início do show do Radiohead eu tentei chegar mais perto do palco. Não consegui ficar mais de 20 minutos porque estava tão abafado que eu desmaiei no meio da multidão. Apaguei (e não estava bêbada e tinha almoçado super bem!) pela primeira vez na vida. A sorte é que caí em cima do meu amigo, que me segurou. As pessoas em volta deram algum espaço para jogarem água no meu pulso e darem uns tapas no meu rosto. Fiquei um minuto desacordada, sem socorro médico, contando só com a galera em volta. Depois, acordei e fui curtir o show lá de trás… Adorei! Radiohead é demais! Mas fica o registro sobre a falta de atendimento por parte da organização…
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Por fim, uma moradora da região onde ocorreu o show, também se manifestou sobre o caos e o barulho nas imediações. Eis o que escreveu Rosa:

Pena tanto sofrimento para ver um show. Moro perto do local, nosso bairro é bastante populoso e não sei como eles obtém licença para esses tipos de evento num lugar como este, tivemos que ficar ouvindo música altíssima o dia inteiro, terminou perto de meia noite e os apitos de pessoas que tentavam ajudar na saída do evento só terminaram perto de duas horas da madrugada. Depois de tudo isso saber que pessoas gastaram tanto para poder ver seus grupos de música e não ficarem felizes é muito triste

O blog, evidentemente, está aberto às explicações dos produtores do show e das autoridades municipais (Contru, CET) e estaduais (polícia) que poderiam acrescentar algo sobre esse caos, que manchou um dos grandes eventos musicais ocorridos em São Paulo nos últimos tempos.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, São Paulo Tags: , , , ,
08/03/2009 - 11:16

Wagner Moura: cantor de música brega, com paixão

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Ele é um dos melhores atores da sua geração. Mesmo quem não aprecia a montagem de Aderbal Freire Filho, reconhece o impacto do seu Hamlet. Agora, no papel de líder de uma banda de rock – muito boa, por sinal – Wagner Moura dá mais um exemplo de versatilidade.

Criada em 1992, nos corredores da Universidade Federal da Bahia, onde Moura cursou jornalismo, a banda Sua Mãe havia sido deixada de lado nos últimos anos. A turma, porém, voltou a se reunir em meados do ano passado, em Salvador. O primeiro show em São Paulo ocorreu na madrugada deste domingo, no Studio SP, na rua Augusta, coração da cidade.

Foi um show consagrador. Moura diz que a banda tem influência do rock inglês dos anos 80 (o que talvez seja verdade em sonho), mas o seu foco visível é a dedicação ao repertório do cancioneiro brega brasileiro (“prefiro dizer da música superpopular brasileira”, define o ator).

Diante de uma platéia histérica, majoritariamente feminina, o ator cantou com gosto e talento pérolas de Marcio Greyk, Waldick Soriano, Reginaldo Rossi (“saí da sua vida de cabeça erguida”), Altemar Dutra (“para que maltratarmos o amor?”), Roberto & Erasmo, além de composições próprias, como “Prefixo Solidão”. Diferentemente de projetos como a banda Vexame, de Marisa Orth, a releitura do cancioneiro brega é feita com paixão, sem ironia explícita – o que dá mais força ainda ao trabalho.

Wagner Moura não é cantor, mas não passa vergonha com a voz. Mais: exibe-se no palco com uma segurança impressionante – como se fosse um músico profissional. O seu parceiro principal é Gabriel Carvalho (guitarra), colega dos tempos da faculdade. Os outros integrantes da banda, que parecem se divertir a valer, são Leco (bateria), Serjão (baixo), Ede (guitarra base e vocal), Tangre (teclados e vocal) e Claudinho (violão, ritmo e vocal).

A poucos dias da estréia de “Hamlet” no Rio de Janeiro, depois de cumprir carreira muito bem-sucedida em São Paulo, Wagner Moura parecia muito à vontade no papel de líder de banda. Cheguei a ficar em dúvida. Ele manda muito bem como músico ou está apenas interpretando mais um papel? Ser ou não ser?

Em tempo: as fotos, como dá para perceber, foram feitas por um fotógrafo amador, no caso eu, e não por um profissional. Fico devendo essa.

Atualizado às 10h de 9 de março: Consegui trocar as minhas fotos por duas imagens da AGNews. Apenas esta terceira e última foto é do autor do blog. Permanece na página como registro da dificuldade que enfrentei para fotografar Moura no meio da platéia, cercado por uma multidão enlouquecida de tietes. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , ,
11/11/2008 - 10:22

Pontos positivos e negativos do show de uma banda que promete e cumpre

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Ao final das quase duas horas de show, já na madrugada de terça-feira, me dei conta da cilada em que me meti ao fazer a pergunta que dá título ao post publicado na manhã de segunda-feira: “Será que o R.E.M. consegue superar o show de 2001?” Cilada porque, como já relatado pelo iG Música logo depois da apresentação, o grupo beirou a perfeição no seu primeiro show em São Paulo.

Mas vou encarar a tarefa. Primeiro, alguns pontos negativos, na minha visão. Uma lata de cerveja Itaipava por R$ 6 é um abuso. Um copinho de água mineral por R$ 4 é um escândalo. O absurdo preço dos ingressos, como escrevi aqui antes, teve como conseqüência um show do R.E.M. com ingressos disponíveis até o último minuto e cambistas oferecendo descontos na rua. O som, em ótimo volume, parecia abafado, porém, para quem assistiu na área da platéia abaixo do mezanino.

O R.E.M. levou ao Via Funchal gente na casa dos 20, dos 30 e dos 40 anos. Sinal da sua popularidade e abrangência. O repertório, como já observado, incluiu sucessos de todas as fases da carreira da banda. Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck exibem o prazer de iniciantes no palco. O vocalista ensaia alguns passinhos no palco que poderiam ser vistos como ridículos, mas expressam a sua alegria de estar ali e provocam total simpatia.

Stipe falou bem de Obama e mal de Bush, mas está longe de ser um oportunista: tem criticado o presidente americano há anos. Falou da sua alegria de tocar em São Paulo pela primeira vez – e parecia sincero. Pediu apoio à Anistia Internacional, e não soou demagógico. Enfim, esbanjando carisma, Stipe levou a platéia ao delírio. O R.E.M. promete e cumpre.

Não diria que a apresentação conseguiu superar a do Rock in Rio de 2001, pois aquela foi ao ar livre e tinha o sabor da novidade, mas quem nunca havia assistido a banda ao vivo saiu do Via Funchal com a sensação de ter visto o melhor show de suas vidas. Com razão.

 

Crédito da foto: Luciano Trevisan/AGNews

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
10/11/2008 - 09:13

Será que o R.E.M. consegue superar o show de 2001?

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Rob Fleming, o personagem do saboroso romance “Alta Fidelidade”, de Nick Hornby, celebrou um tipo de comportamento bem pop, o de elaborar listas dos “5 mais” – desde as “cinco piores separações” da sua vida, que é o ponto de partida do livro, até “as cinco melhores primeiras faixas de lado B de LP”, entre outras maluquices.   

Bem diferente de Fleming, não faço lista de nada. Em parte, porque não vejo tanta graça na brincadeira, em parte porque a (falta de) memória não ajuda muito. Em todo caso, eu tenho uma lista – a lista dos melhores shows que já vi. É uma lista pequena. Na verdade, é uma lista de um show só. Das centenas que já assisti, até hoje, só um mereceu entrar na lista: o show do R.E.M. no Rock in Rio, em 13 de janeiro de 2001.

Foi a primeira vez que a banda tocou no Brasil. Falam que havia 200 mil pessoas no local armado para a apresentação. O R.E.M. fez um show tipo “maiores sucessos”, com direito a todos os hits da banda. Não bastasse, Michael Stipe estava inspiradíssimo, movido a caipirinha (fato que ele citou) e numa alegria só. Conversou com a platéia, falou da alegria de fazer aquele show (o maior público da história do R.E.M.) e da noite linda que estava fazendo no Rio. Enfim, foi um show perfeito, histórico.

Pelos relatos disponíveis sobre os shows já realizados em Porto Alegre e no Rio, na semana passada, a apresentação do R.E.M. nesta segunda-feira em São Paulo promete ser de primeira. Planejo estar lá para conferir. Não deveria, já que acho impossível este show superar o do Rock in Rio de 2001. Mas tudo é possível…

Com quase 30 anos de estrada, a banda americana ainda acha energia para se renovar e se divertir. Gostei muito de ler, no blog de Jamari França, que o sempre bem-humorado Stipe fez propaganda da cerveja brasileira Itaipava no show no Rio (“E pensar que tem banda brasileira que pede cerveja importada no camarim”, escreve Jamari). O repertório do show, como já havia antecipado Marcelo Costa em seu blog, inclui os principais sucessos da banda, além de algumas novidades. Tudo indica, em suma, que será mais um grande show. Será que a lista dos melhores shows que já vi sofrerá alteração? Prometo contar aqui…

 

Crédito da foto: Camila Domingues/Opinião Produtora

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
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