Radiohead: leitores descrevem show de horrores
Escrevi hoje de manhã um comentário sobre a falta de estrutura e a desorganização do show do Radiohead. Deixei claro que gostei do ótimo show, mas mesmo assim temia que fosse ouvir desaforos dos fãs da banda. Que nada!!! A caixa de comentários do blog lotou com depoimentos de leitores descrevendo um show de horrores ainda pior do que eu vi. Fiz uma atualização no post, às 11h30, chamando a atenção para problemas que eu não tinha percebido, mas resolvi escrever um novo texto, agora à tarde, para dar mais destaque à voz dos leitores.
Um dos maiores dramas, que não enfrentei, porque fui e voltei de táxi, foi vivido por aqueles que deixaram o carro no estacionamento oficial. Há relatos de pessoas que, duas horas depois do fim do show, ainda não tinham conseguido sair do local. Como Ana M., que definiu a sua experiência como uma “bad trip”:
Ninguém lembrou de comentar que na 1h30 de espera não havia nenhuma alma penada para organizar o trânsito dentro do estacionamento? (se tinha, eu não vi) Ficamos todo o tempo sem saber o que estava acontecendo num terreno praticamente baldio com trechos escuros e escorregadios. Certamente essa “bad trip” vai fazer muita gente pensar muitas vezes antes de ir a um show num lugar isolado como a chácara. Santa desorganização!
O depoimento de Victor Ramos também dá a dimensão do horror. Ele optou por um estacionamento “não oficial” e se deu tão mal quanto:
Show dos extremos: extrema qualidade musical, extrema ridicularização e humilhação dos que foram agraciados com a boa música. A saída foi um dos piores momentos que já vivenciei numa multidão: 30 mil pessoas afuniladas, ao mesmo tempo, numa única e pequena saída!!! Por que não abriram as saídas de emergência no fim do show? Pra dar risada daquele monte de formiga se espremendo e passando mal? Tive que pagar 50 reais num estacionamento com chão de barro/lama pra não ter que ficar preso 1h30 no “estacionamento oficial”. Um falta de respeito que só se vê no Brasil.
Mais de um leitor falou de carros arrombados e furtados nas imediações da Chácara do Jockey. Thiago Pellegrini escreveu:
Passei mais de uma hora e meia para ir do Eldorado até o show e perdi o Los Hermanos. Total falta de apoio dos organizadores e da CET. E ainda teve muitas pessoas no estacionamento em que parei que tiveram seus carros arrombados pelos flanelinhas. É duro, mas 200 paus vale pelo show, que foi ótimo, mas o preço da desordem é muito maior.
Ricardo descreveu situação semelhante:
Acho que você teve sorte de não ir de carro. Mas tem uma coisa que precisa ser apurada corretamente. Cerca de 50 carros foram arrombados no estacionamento do show. Levaram de estepes a gasolina. Nem precisa falar que quebraram vidros e tal. A polícia foi chamada, inclusive, mas pouco fez e o roubo continuou noite adentro.
A saída, para quem foi de táxi e ficou até o último bis, foi igualmente complicada. Conta Eduardo Nasi, que também reclama da péssima qualidade do serviço de bar do evento:
De táxi também não foi fácil. Na saída, levamos duas horas e meia para conseguir um. E a “praça de alimentação”. Depois de pagar oito reais por um XIS e esperar por mais de meia hora, minha namorada recebeu um CACHORRO-QUENTE. Porque o XIS, vejam só, tinha acabado.A pizza, outra opção, estava com a massa crua e era montada porcamente.
Daniela aponta um outro problema de logística, não pensado pela organização:
Não havia banheiros químicos do lado de fora do lugar, quem se aventurou a ir em um banheiro teve que recorrer aos postos de gasolina que ficavam perto, no fim do show apenas UMA saída para 30 mil pessoas, um absurdo!!
Nara Alves relata que sofreu um desmaio e foi acudida pelos amigos. Não viu nenhuma equipe de socorro por perto:
Antes do início do show do Radiohead eu tentei chegar mais perto do palco. Não consegui ficar mais de 20 minutos porque estava tão abafado que eu desmaiei no meio da multidão. Apaguei (e não estava bêbada e tinha almoçado super bem!) pela primeira vez na vida. A sorte é que caí em cima do meu amigo, que me segurou. As pessoas em volta deram algum espaço para jogarem água no meu pulso e darem uns tapas no meu rosto. Fiquei um minuto desacordada, sem socorro médico, contando só com a galera em volta. Depois, acordei e fui curtir o show lá de trás… Adorei! Radiohead é demais! Mas fica o registro sobre a falta de atendimento por parte da organização…
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Por fim, uma moradora da região onde ocorreu o show, também se manifestou sobre o caos e o barulho nas imediações. Eis o que escreveu Rosa:
Pena tanto sofrimento para ver um show. Moro perto do local, nosso bairro é bastante populoso e não sei como eles obtém licença para esses tipos de evento num lugar como este, tivemos que ficar ouvindo música altíssima o dia inteiro, terminou perto de meia noite e os apitos de pessoas que tentavam ajudar na saída do evento só terminaram perto de duas horas da madrugada. Depois de tudo isso saber que pessoas gastaram tanto para poder ver seus grupos de música e não ficarem felizes é muito triste
O blog, evidentemente, está aberto às explicações dos produtores do show e das autoridades municipais (Contru, CET) e estaduais (polícia) que poderiam acrescentar algo sobre esse caos, que manchou um dos grandes eventos musicais ocorridos em São Paulo nos últimos tempos.








