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11/10/2009 - 12:21

Maradona reinventa ofício de técnico com “peixinho”

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Para tristeza de quem gosta apenas do espetáculo em campo, da bola rolando, do drible e do gol, os técnicos de futebol ganharam nos últimos anos o status de estrelas. Tornaram-se figuras centrais do negócio, capazes de aplicar “nós táticos”, virar jogos impossíveis, fazer substituições genais, além de terem a força de motivar times derrotados e transmitir mensagens geniais.

Pense no Brasil. Pense em Wanderley Luxemburgo, Mano Menezes e Muricy Ramalho. Ou em qualquer técnico da sua preferência, aqui ou no exterior. Cada um a seu jeito, todos eles são, toda semana, tão ou mais protagonistas das partidas que seus clubes disputam do que Ronaldo, Diego Souza, Kaká etc etc. O que os técnicos dizem ou deixam de dizer, o seu bom ou mau humor, o que escrevem no Twitter ou no blog, acompanhamos tudo que fazem como se fossem realmente estrelas do espetáculo.

Para piorar, o protagonismo dos técnicos levou grande parte destes profissionais, como ocorre com toda figura no palco, a comporem personagens. Difícil encontrar hoje um técnico que soe espontâneo, que diga o que realmente pensa, que faça o que lhe dá na telha, que vista a roupa que gostaria… Com a ajuda de assessores de imprensa e de imagem, os técnicos se tornaram, realmente, astros de primeira grandeza, protagonistas, do mundo do futebol.

Não estou aqui dizendo que os técnicos são falsos, mas que agem de acordo com determinados roteiros, que construíram e seguem, para o bem da imagem deles. Tornaram-se previsíveis. Passamos a esperar o novo “nó tático” do “professor”, ou a nova “patada”, ou a nova “bronca” como quem espera um gol do craque do time. E sabemos que ela virá, mais cedo ou mais tarde, porque os técnicos viraram personagens de si mesmos.

Maradona iG EFETudo isso para falar de um técnico que parece não ter a menor vocação para ser técnico – Diego “Dios” Maradona, maior jogador da história da Argentina, hoje no palco à frente da cambaleante seleção de seu país.

Não vou aqui repetir os números e estatísticas que comprovam o desastre de sua gestão no comando da seleção. É possivelmente o pior e mais confuso técnico que o país já teve, nos últimos 40 anos. O que me chama a atenção é o fato de agir e se comportar como um jogador, e não como técnico.

Alguém poderá dizer que ele também está compondo um personagem. Que tudo não passa de encenação. Não é impossível. Mas mesmo que seja um personagem, é fantástico, porque é um personagem que vai totalmente contra a maré, contra essa onda “científica” que os “professores” tentam nos fazer engolir sobre o futebol “moderno”.

O “peixinho” que Maradona deu neste sábado à noite, na beira do gramado, depois do gol de “San” Palermo contra o Peru, aos 48 minutos do segundo tempo, impedido, sob chuva e vento, é uma dessas cenas que ficarão para a história do futebol.

No futuro, Maradona será lembrado pelo dois gols que fez contra a Inglaterra na Copa de 86 (pelo que eles ilustram da sua genialidade e malandragem em campo) e pelo “peixinho” no Monumental de Nunez. Este último, como exemplo da atitude de um técnico de futebol que reinventou o ofício.

Crédito da foto: EFE

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
22/05/2009 - 08:27

Ronaldinho Gaúcho e Riquelme ainda têm futuro?

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No mesmo dia em que Ronaldinho Gaúcho perdeu definitivamente o status de craque intocável, e virou apenas mais um numa lista de 40 nomes cogitados por Dunga, Riquelme foi protagonista do maior fracasso do Boca Juniors nos últimos dez anos, ao ser eliminado nas oitavas-de-final da Libertadores em plena Bombonera.

O que aconteceu com Ronaldinho Gaúcho? Duas vezes (2004 e 2005) eleito melhor jogador do mundo, o craque está numa fase descendente já longa, de pelo menos dois anos – o Barcelona melhorou depois de sua saída e no Milan não encontrou lugar no time titular, para não falar das suas atuações decepcionantes na seleção.

Riquelme abriu mão de jogar na seleção, em conflito aberto com Maradona, e é responsabilizado pelo atual racha na equipe do Boca – não se dá com a turma de Palermo. Com problemas na sola do pé direito, ficou 40 dias sem jogar, antes de voltar a campo nesta quinta-feira, contra o Defensor Sporting, do Uruguai. Não é de se espantar que, depois desse longo período de inatividade, Riquelme não tenha jogado nada.

As duas notícias desta quinta-feira colocam nuvens negras sobre as cabeças de Ronaldinho e Riquelme. O que será do craque brasileiro agora? Aos 29 anos, sem lugar garantido na seleção e no Milan, precisa se reencontrar urgentemente com o futebol caso ainda sonhe em disputar uma Copa do Mundo.

E Riquelme, próximo dos 31 anos, o que o futuro reserva ao craque? Prevê-se um desmonte do atual Boca, a começar pelo técnico Carlos Ischia, ex-assistente de Carlos Bianchi, que dificilmente resistirá à eliminação do time na Copa, como dizem os argentinos. Riquelme vai sobreviver? 
 
Na Bolsa de Valores do Futebol, quem ainda não havia se desfeito das ações de Ronaldinho Gaúcho e Riquelme está agora com dois micos na mão. O que não quer dizer que daqui a três ou seis meses essas ações voltem a se valorizar e dar muito lucro a quem apostou neles. Espero que sim.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , ,
07/05/2009 - 15:14

Quem rivaliza com Ronaldo na seleção? Ninguém

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Se “seleção é momento”, como gostam de dizer os “professores” de futebol, não há discussão possível sobre a convocação de Ronaldo. É óbvio, na comparação com qualquer camisa 9 brasileiro, atuando no país ou no exterior, que Ronaldo tem vaga entre os atacantes que serão selecionados para os próximos jogos – mesmo que ele ainda seja motivo de piadas.

O problema, a meu ver, é outro. O que significa o fato de um jogador da idade de Ronaldo, com o seu histórico de problemas físicos, estar jogando mais bola que todos – ou quase todos – os seus concorrentes brasileiros?

Ronaldo está brilhando por méritos próprios, mas é evidente que a safra de centroavantes brasileiros talvez nunca tenha sido tão fraca. Luis Fabiano? Fred? Grafite? Keirrison? Nilmar? Quem é o craque que rivaliza hoje com o 9 do Corinthians? Aceito sugestões.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
16/10/2008 - 00:44

A importância de chamar as coisas pelo nome

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Outro dia comentei aqui sobre a dificuldade em que Cleber Machado se meteu ao ter que narrar um jogo do Corinthians ao mesmo tempo em que três dos quatros principais times da Série A disputavam partidas do campeonato. Na noite desta quarta-feira, dia de Brasil e Colômbia no Maracanã, Cleber deu um banho na transmissão da Globo. Sóbrio, logo aos 20 minutos do primeiro tempo, teve a coragem de dizer: “A Colômbia está mandando no jogo. Parece até que a partida é em Bogotá, não no Rio de Janeiro”.

No SporTV, a diversão coube a Muller. O ex-atacante estava inspirado. Aos 9 minutos do segundo tempo, depois de Elano errar uma jogada pela enésima vez, ele se soltou: “Será que eu vou ter que ir lá bater a falta? Eu e o Júnior?” No final do jogo, sobrou para Gilberto Silva: “ Esperava o que do Gilberto Silva? É um jogador limitado”.

Já Cleber, na Globo, ousou criticar até Robinho – uma espécie de Pelé para certa crônica esportiva. “(Se) está num dia em que o drible não está saindo, deveria mudar o repertório”.

Irritado, Junior, no SporTV, fez coro: “A seleção brasileira jogou assim: chutão para cima”.

Até Falcão, o mais vaselina de todos os comentaristas, foi sincero esta noite: “O grande Kaká está fazendo falta, porque hoje não está tão grande assim”. No fim do jogo, também disse: “O Brasil não teve competência para ganhar”.

Seria bom se fosse sempre assim, não apenas quando a seleção joga como o Olaria.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , ,
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