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18/03/2009 - 10:41

O apelido “gordo” vai pegar em Ronaldo

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Para o bem e para o mal, o brasileiro prefere a conciliação à briga, a piada à ofensa. Veja o caso do apelido “gordo”. Diferentemente das mulheres, os homens não se ofendem quando chamados assim. Jô Soares chegou a incorporar ao seu marketing o apelido (“um beijo do gordo”). Agora, é a vez de Ronaldo. Semana passada, no jogo do Corinthians contra o São Caetano, vi mais de um torcedor, vestido com a camisa do time, incentivar Ronaldo aos gritos: “Vai, gordo!!!”. Até mesmo o presidente do clube, Andrés Sanches, se refere ao seu tesouro dessa forma. Ao ser questionado se planeja realmente contratar Zidane para jogar no time, Sanches foi ouvido (pela coluna de Monica Bergamo, da “Folha de S.Paulo”) dizendo: “Já tenho um gordo lá. Vou querer outro pra quê?”

Crédito da foto: Gazeta Press

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
13/03/2009 - 19:47

Ronaldo é um anúncio que joga

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Há alguns anos, ao observar a comercialização de tudo ligado ao universo do futebol, o escritor uruguaio Eduardo Galeano anotou: “Hoje em dia, cada jogador de futebol é um anúncio que joga”.

Penso nisso depois de ler no iG Esportes que, no intervalo de pouco mais de uma hora, uma montadora de motocicletas anunciou que iria estampar a sua marca no uniforme do Corinthians e em seguida desistiu. Motivo: Mano Menezes anunciou que Ronaldo não jogará contra o Santo André domingo.

A globalização do futebol prometia muitas maravilhas – entre elas a idéia de que os clubes se tornariam empresas modernas, rentáveis, eventualmente com ações nas Bolsas de Valores. Poucas dessas promessas se cumpriram no Brasil. Pior, com a penúria geral, os clubes passaram a vender o espaço da manga de camisa, do calção e até da meia para eventuais patrocinadores.

Agora, com Ronaldo, o Corinthians viu a possibilidade de ir para o varejão e vender espaços publicitários em doses homeopáticas, jogo a jogo. Mano Menezes, aparentemente, foi forte e causou um prejuízo ao clube. Se o salário no fim do mês atrasar, ele poderá ouvir reclamações. Por que não escalou Ronaldo naquele jogo? Tínhamos um ótimo patrocinador – alguém poderá dizer. Parafraseando Galeano, Ronaldo é um anúncio que joga. Uma tristeza.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
12/03/2009 - 10:09

Corintiano dá instruções ao time e pede o salário de Mano

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Assisti Corinthians e São Caetano no Pacaembu. Atrás de mim sentou-se um daqueles torcedores fanáticos, que passam o jogo inteiro dando instruções aos jogadores e fazendo comentários críticos. O sujeito só não criticou Ronaldo. Os demais… Douglas, André Santos, Felipe, ninguém escapou da fúria do torcedor. Mas o seu principal alvo era o meia Boquita. “O Boquita é preso”, começou ele, reclamando da falta de mobilidade do jogador. “Olha esse Boquita!”, suspirava, a cada passe errado. “Esse Boquita é uma merda!”, decretou ao final do primeiro tempo.

Antes do início do segundo tempo, o placar eletrônico anuncia. Sai Boquita, entra Dentinho. Consagrado, o torcedor atrás de mim enche o peito e diz: “Viu? E eu não ganho 450 paus!”. A referência, claro, era ao técnico Mano Menezes (salário de R$ 350 mil mensais), que fez a substituição.

O meu relato da noite consagradora de Ronaldo está publicado no Último Segundo (Fiel se rende a Ronaldo; só falta inventar um grito de guerra para Ele), em texto que descrevo o clima de paixão entre a torcida e o Fenômeno. Neste link aqui, também há uma reportagem em vídeo da noite gloriosa do atacante.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
09/03/2009 - 16:47

Ronaldo, Perrella e a magreza por falta de comida

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Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, colocou água no chope de Ronaldo nesta segunda-feira. O cartola do segundo time em que o craque atuou profissionalmente (o primeiro foi o São Cristovão) se irritou com um comentário feito domingo, no programa do Faustão.

Questionado pelo apresentador, em tom de brincadeira, sobre o aumento do seu peso durante a carreira, Ronaldo disse: “No Cruzeiro eu passava fome, eu era magro porque não tinha o que comer”. Na sua resposta, Perrella acertou Ronaldo acima da medalhinha:

“Primeiramente, o Cruzeiro Esporte Clube quer esclarecer que magro, desnutrido e sem base educacional era o garoto que chegou para treinar no clube no início da década de 90. De origem pobre e com dificuldades até para se alimentar no subúrbio do Rio de Janeiro, o menino Ronaldo se mudou para Belo Horizonte (em 1993) onde teve uma chance de ouro que mudou sua vida.”

Descontada a falta de humor e de jogo de cintura, Perrella nos lembra de uma imagem que não temos o hábito de evocar: as origens humildes de Ronaldo e os seus primeiros passos, 16 anos atrás.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , ,
09/03/2009 - 09:39

Uma turma de ronaldianos vê o jogo na tevê do porteiro

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Festinha infantil no prédio onde mora um casal de amigos. Enquanto o mágico enganava as criancinhas no salão, eu corri para a entrada, onde o porteiro assistia, dentro da sua guarita, Palmeiras e Corinthians. Ronaldo havia acabado de entrar em campo. Fora da guarita, esticando o pescoço para acompanhar a partida, já estava um senhor de cabelos brancos.

Cheguei logo depois de Ronaldo acertar o travessão. Ainda vi o replay do lance. Com um olho na pequena tevê e outro no monitor que exibe as imagens das câmeras de segurança do prédio, o porteiro não falava uma palavra – e a tevê estava sem som. Quando dei por mim, já havia uns cinco marmanjos em volta da porta da guarita dele. Nenhum corintiano – todos ronaldianos. Impressionante.

Depois daquela jogada que ele driblou um, foi à linha de fundo e cruzou na cabeça de um companheiro, um torcedor ao meu lado disse que já estava satisfeito, que Ronaldo não precisava fazer mais nada. Na hora do gol, fizemos tanto barulho que os últimos pais que ainda estavam no salão de festas saíram para olhar o que acontecia. Ronaldo está tão gordo que até quebrou o alambrado, alguém ainda disse, para logo ser recriminado. Não foi só ele. Vários jogadores subiram na hora do gol, defendeu um ronaldiano. O alambrado estava podre, disse outro.

A tevê estava sintonizada na Band. Antes do gol, sem assunto, a turma que assistia o jogo do lado de fora da guarita ainda debateu sobre essa preferência do porteiro. O fato é que a Band repetiu a imagem do gol e do desabamento do alambrado umas 25 vezes seguidas. Para nossa sorte, dentro do salão, o mágico estava desempenhando muito bem. Do contrário, umas 30 crianças teriam se juntado a nós – e aí aquela guarita ia abaixo também.

Crédito da foto: AFP

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
05/03/2009 - 10:29

Por que gostamos tanto de Ronaldo?

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Difícil não ficar alegre ao ver Ronaldo em campo. Aqui no meu bairro, em São Paulo, estouraram rojões, como que a comemorar um gol, quando ele pisou no gramado, na noite de quarta-feira. Apesar das besteiras que já fez fora de campo (ou por causa delas, também), a sua saga como jogador é tão fascinante, tão repleta de altos e baixos, que é preciso ser um freezer para não se emocionar com as cenas do seu retorno.

Ronaldo, por um lado, parece um personagem épico – o herói que enfrenta todos os desafios e armadilhas da vida (as inúmeras contusões) para cumprir o seu destino. Ao mesmo tempo, na sua desorientação pessoal, expõe as fraquezas mais terrenas do ser humano e provoca um misto de desalento e compaixão em seus admiradores.

A rigor, Ronaldo não fez nada em campo. Acertou os onze passes que deu, ok. Pedalou um pouquinho. Posicionou-se corretamente para receber uma bola na cara do gol (mas não a recebeu de Douglas). Driblou dois zagueiros… Só não se livrou do repórter que lhe acertou um microfone na cara (outra imagem literal, sem metáforas, do que é a vida de um craque-celebridade como ele).

Enfim, foram 27 minutos de pouco futebol, mas carregados de simbolismo – a volta, a enésima volta de Ronaldo. Há 13 meses, ao deixar os gramados urrando de dor e chorando de desespero, estava mais uma vez condenado a nunca mais jogar futebol. E mais uma vez desmentiu a profecia.

Por tudo que já fez no futebol (e fora dele), Ronaldo é realmente um fenômeno. Redondo como está, longe da forma (irrecuperável?), talvez nunca mais nos encante como jogador. Mas há algo no seu esforço para voltar, na sua alegria e no cansaço estampados no seu rosto que humanizam a história – e nos emociona.

Em tempo: O colega Michel Laurence, em seu blog, argumenta em direção oposta. Para ele, foi uma tremenda sacanagem deixarem Ronaldo voltar aos campos nesta quarta-feira.

Crédito da foto: EFE

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
23/01/2009 - 09:54

Ronaldo já é nome de prato em restaurante paulista

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Principal contratação do futebol brasileiro em 2009, o Fenômeno ainda não vestiu a camisa do Corinthians, nem se sabe com certeza quando isso vai acontecer. Os inimigos o chamam de “Ronalducho”, ou “Fofucho”, por conta dos nítidos quilos em excesso que carrega. Além de um forte programa de treinamentos, Ronaldo segue uma rígida dieta em seu esforço de entrar em forma.

Não deve, por esse motivo, passar perto do restaurante Esquina Grill, de Fuad Sallum, em Santa Cecília. Há poucas semanas, Fuad criou um novo prato em homenagem ao jogador, a calórica “Picanha a La Ronaldo”, servida com mandioca crocante e agrião. O número de referência do prato, para controle dos garçons, é nove, o número da camisa do craque, e o preço da porção é R$ 29,99.

Fuad é presidente da Associação dos Moradores e Comerciantes de Higienópolis e pensou na homenagem quando ouviu dizer que Ronaldo ia se instalar no bairro – o que ainda não aconteceu. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , , ,
11/12/2008 - 14:20

Correspondentes internacionais preferem o Rio de Janeiro

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 No programa “Arena Sportv”, nesta quinta-feira, Cleber Machado perguntou ao ítalo-brasileiro Claudio Carsughi sobre a repercussão internacional da contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Cleber achou curioso os jornais italianos, como mostrou o iG, darem mais destaque ao fato de Ronaldo não ter ido para o Flamengo do que para a notícia de que jogará no Corinthians.

Tranquilão, como sempre, e sem demonstrar ironia, Carsughi explicou: “É que tanto o correspondente da ‘Gazzetta dello Sport’ quanto do ‘Corriere della Sera’ moram no Rio”. É possível, sugeriu Carsughi, que esse fato tenha influenciado a forma pela qual os jornalistas italianos compreenderam a notícia do negócio.

Fiquei com uma pulga atrás da orelha e fui ao site da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE). Informa-se ali que há cerca de 200 profissionais de rádio, jornal e televisão atuando no Brasil. Na relação de sócios efetivos, encontrei os nomes de 108 correspondentes. Destes, 103 moram no Rio de Janeiro, três estão estabelecidos em São Paulo, um reside em Niterói e não consta o endereço de um deles. Impressionante.

PS. Depois de publicada esta nota, consegui contato com Paula Gobbi, ex-presidente da ACIE. Aqui, ela comenta a preferência dos correspondentes pelo Rio de Janeiro. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , , ,
10/12/2008 - 11:40

Garrincha e Ronaldo no Corinthians: semelhanças e diferenças

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Na biografia definitiva de Garrincha, “Estrela Solitária” (Companhia das Letras), Ruy Castro trata da passagem do jogador pelo Corinthians ao longo de dois capítulos. Há incríveis semelhanças – e muitas diferenças – entre a situação que o craque vivia no período de sua contratação pela equipe paulista, dezembro de 1965, e o momento de Ronaldo neste dezembro de 2008, quando acaba de acertar com o time.

Garrincha tinha, então, 32 anos – como Ronaldo hoje. Desprezado no Botafogo, onde virara reserva de Jairzinho, foi negociado com o Corinthians por 220 milhões de cruzeiros (100 mil dólares) – o craque ficou com 15%, pagos pelo Botafogo. No dia 14 de janeiro de 1966, assinou contrato de dois anos. Receberia salário de 200 mil cruzeiros mensais, mais luvas de 12 milhões parceladas em 24 prestações mensais de 500 mil. Ou seja, começaria ganhando 700 mil cruzeiros fixos – ou 300 dólares.

O técnico do Corinthians era Oswaldo Brandão, que teve papel fundamental na vinda de Garrincha. Devoto de pai-de-santo, ele sabia que o guru do jogador, o pai-de-santo Alberto, havia recomendado a Garrincha e Elza Soares que deixassem o Rio de Janeiro para fugir da energia negativa que estava afetando o craque. Ao chegar a São Paulo, Brandão levou “seu” Alberto ao Parque São Jorge, tarde da noite. O Corinthians não ganhava nada havia 12 anos. Brandão pediu a Alberto que encontrasse sapos enterrados no gramado – e o pai-de-santo logo “viu” um enterrado dentro de um dos gols.

Garrincha alugou um apartamento na rua Maranhão, em Higienópolis, bairro nobre da cidade. Os moradores logo reclamaram do barulho que o casal fazia de madrugada. Elza tentava controlar o ímpeto do craque pela bebida, mas a situação já estava incontrolável àquela altura, conta Castro.

“Certa manhã, o repórter José Maria de Aquino foi entrevistá-lo e percebeu seu bafo. Alertou-o:
“Começando cedo, Mané?”
Garrincha se traiu:
“Não é possível! O hortelã disfarça!”

Garrincha chegou a São Paulo com 79 quilos, oito acima de seu peso normal. Antes de contratá-lo, o Corinthians fez o ortopedista João de Vicenzo examinar o seu joelho. Ele não encontrou nada de anormal. Precisava apenas emagrecer e recuperar a potência da perna direita, disse o médico.

Estreou no dia 2 de março, contra o Vasco, no Pacaembu. “Na semana do jogo, Elza foi de bar em bar nas proximidades do parque São Jorge implorar aos seus donos que, se Garrincha aparecesse, não lhe vendessem bebida. Os empregados dos botequins acharam graça – Garrincha já se tornara um habituê”, escreve Castro.

Jogou 13 partidas em um ano – no meio, houve a Copa da Inglaterra, da qual participou. Em janeiro de 1967, sem clube, sem futuro e alcoólatra, voltou ao Rio de Janeiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
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