iG

Publicidade

Publicidade

28/07/2009 - 09:46

O que aconteceu com Romário?

Compartilhe: Twitter

É impressionante a lista de más notícias recentes que envolve Romário. Depois de ser preso por 24 horas por não pagar pensão alimentícia à ex-mulher, o ex-jogador terá nesta terça-feira um apartamento avaliado em R$ 9 milhões leiloado em conseqüência do não pagamento de dívidas. A ação judicial que levou a este leilão foi motivada por obras em um apartamento de sua propriedade, que causaram danos em dois imóveis vizinhos.

O prejuízo foi calculado pela Justiça em 5,6 milhões. Romário também deve cerca de R$ 1,2 milhão de condomínio atrasado, além de mais de R$ 700 mil de IPTU. O craque da Copa de 94 teve três carros (Ferrari, Porsche e Mercedes Benz) e uma moto (BMW) penhorados, que podem ser leiloados caso o imóvel não alcance o valor necessário à quitação do que deve.

Em outras frentes, Romário coleciona diferentes ações na Justiça. Foi condenado a indenizar, no valor de R$ 900 mil, Zagallo e Zico por pintar caricaturas dos dois nos banheiros do Café do Gol, um bar do qual foi sócio, no Rio de Janeiro. Aliás, esta semana, o Baixinho foi condenado a pagar uma indenização de R$ 3,7 mil por passar um cheque sem fundo a um técnico de som, por serviços prestados no tal bar.

Não bastasse, em junho, Romário foi condenado a três anos e meio de prisão por crime tributário, além de sofrer uma multa de R$ 1,7 milhão, acusado de sonegação fiscal nos anos de 1996 e 1997. Ele ainda pode recorrer da decisão.

Há uma semana, foi obrigado a depor na polícia, suspeito de envolvimento num jogo conhecido como “pirâmide da fortuna” e, depois, voltou à delegacia para dar explicações sobre o destino de um carro seu, um Hummer, que teria sido passado adiante para cobrir o prejuízo que um conhecido teve no suposto esquema. Romário nega qualquer envolvimento no caso.

Nada disso parece combinar com a imagem que guardamos de Romário em seu período como jogador. O Baixinho era uma figura diferenciada. Além de ter sido um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, construiu uma reputação original. Sempre demonstrou orgulho da fama de “bad boy” e “marrento”, que construiu com a ajuda de uma mídia complacente, ao mesmo tempo em que demonstrava coragem de falar “verdades” para dirigentes, técnicos, jogadores e jornalistas.

Fugindo dos lugares comuns, Romário cultivou o hábito, pouco comum no meio futebolístico, de falar o que passava pela sua cabeça, frequentemente em defesa dos seus próprios interesses e, em menor escala, dos “grupos” que integrou como jogador.

Pela segurança e auto-confiança que sempre demonstrou, Romário passava a impressão de que, diferentemente de outros jogadores, tinha a cabeça no lugar e sabia administrar a fortuna que o futebol lhe proporcionou. Pela avalanche de más notícias recentes, não é o que parece ter acontecido. O que será que houve?

Atualizado às 22h. Como informa o iG Esporte, não apareceu nenhum comprador no leilão judicial do apartamento de Romário. Novo leilão será realizado, no próximo dia 12 de agosto, desta vez com um lance mínimo 50% inferior ao pedido, como manda a legislação.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , , , , , , , ,
17/07/2009 - 10:31

A estranha Copa que o Brasil ganhou, mas não ficou feliz

Compartilhe: Twitter

Advertência: Esse blog não faz pregação de VERDADES ABSOLUTAS. O que você vai ler aqui é a reprodução de um ESTADO DE ESPÍRITO, num determinado tempo e lugar.

Sexta-feira, 17 de julho: há 15 anos, neste dia, o Brasil venceu a Itália, nos pênaltis, na final da Copa de 94. É um título especialmente importante por encerrar um período de 24 anos (ou cinco copas seguidas) sem conquistas.

Acompanhei a Copa direto dos Estados Unidos, enviado pela “Folha de S.Paulo”. Participei da equipe que, como carrapato, seguiu a seleção brasileira por 45 dias – basicamente na Califórnia. Foi uma experiência profissional fantástica, mas ao mesmo tempo muito dura.

A insistência do técnico Carlos Alberto Parreira num esquema muito cauteloso e pouco criativo gerou críticas pesadas, do início ao fim da Copa. Em resposta, a seleção, de uma maneira geral, tratou com pouca simpatia, quando não com aberta hostilidade, a imprensa brasileira.

Até hoje, 15 anos depois, essa vitória é considerada uma conquista “menor”, por conta do desempenho esquemático, eventualmente tedioso, da seleção de Parreira. O troféu levantado pelo capitão Dunga não suporta a comparação com as outras quatro copas vencidas e chega a ser questionado até mesmo diante da derrota em 1982. Para piorar, a final contra a Itália, debaixo do sol de meio-dia, no estádio Rose Bowl, em Pasadena, terminou 0 a 0 depois de 120 minutos e foi decidida nos pênaltis – fato inédito e inusitado  em uma final de Copa do Mundo.

Acabooou! É teeeeetra!!! – Lembranças agridoces da Copa de 94

Resolvi reler a edição de 18 de julho de 1994 da “Folha”. O “day after” da Copa. É um trabalho do qual eu me orgulho muito de ter feito parte e que deixou para a história um registro forte, até um pouco amargo, do que foi essa conquista. Todos os trechos a seguir, com a exceção de um, foram publicados no dia seguinte à conquista do tetra.

Johan Cruyff (colunista da “Folha” na Copa de 94): “A partida (final) foi ruim e não vale a desculpa de que dificilmente em uma final se pode ver bom futebol. O que acontece é que o Brasil jogou demasiadamente preocupado com seu rival e em nenhum momento conseguiu impor seu domínio de bola”

Telê Santana (colunista): “Taticamente, a seleção brasileira encerrou sua participação na Copa devendo alguma coisa. Jogou da mesma maneira, do primeiro ao último dos 600 minutos disputados”.

Alberto Helena Jr (enviado especial aos EUA): “O Brasil é o primeiro tetracampeão do mundo da história, mesmo que o futebol que o conduziu ao título seja o anti-Brasil”. Sobre a entrada de Viola no segundo tempo da prorrogação, Helena observou: “Em 15 minutos, Viola jogou mais, agrediu mais, criou mais do que Zinho ao longo de todo o campeonato”.

José Simão (enviado especial): “Essa é a filosofia do Parreira: quem quer bola na rede que vá assistir basquete. Rarará. Muda de esporte”.

Marcelo Fromer e Nando Reis (colunistas): “Ninguém nos convence de que foi este esquema medroso que garantiu nosso sucesso nesta Copa.”

Romário, ao receber a medalha de campeão, disse que o título ia “calar a boca” dos críticos. Dirigiu-se aos fotógrafos – que pediam que ele se virasse para facilitar a foto da premiação – com as seguintes palavras: “Vocês todos foram contra. Se quiserem fotografar agora vão ter que ir lá na puta que o pariu”.

Dunga: “Agora é fácil me elogiar. Mas na hora difícil a equipe teve que se unir para suportar as críticas”. Ao receber o troféu, ao lado de Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, gritou “porra”, virou-se para os fotógrafos e disse: “Traíras!” Também disse naquele dia: “Foi uma vitória de homens!”

Este repórter escreveu: “O técnico Carlos Alberto Parreira foi vaiado pelo público ao ter seu nome anunciado pelos microfones do estádio antes do jogo. Essa cena se repetiu nas sete partidas que o Brasil disputou na Copa”.

Carlos Alberto Parreira: “O que as pessoas não entendem no Brasil é que a fantasia, a magia, o sonho e o show acabaram no futebol. Agora, o importante é ser competente” (a frase foi dita numa entrevista no meio da Copa e relembrada na edição de 18 de julho)

Zagallo (na véspera do jogo): “Fui burro em 70, sou burro em 94. Mas não reclamo”. Indagado sobre a possibilidade de ser o único tetra-campeão do mundo, um dia antes da final, disse a Mario Magalhães: “Vão ter que me engolir!”

E você, leitor, qual é a sua lembrança desta Copa?

No iG Esporte: Por andam os heróis do tetra?

Crédito da foto: Getty Images

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, Esporte Tags: , , , , , , ,
17/05/2009 - 18:44

Qual é o problema do gol de bico?

Compartilhe: Twitter

Final do primeiro tempo de São Paulo e Atlético (PR). O repórter de uma emissora de rádio aproxima-se de Rafael Santos, autor do único gol da partida até então, e pergunta, não sem ironia: “Gol de bico, né?” Rafael explica que pegou na bola do jeito que ela veio, de bico, sim. Se fosse um pouco abusado, teria perguntado ao repórter: E daí? Fiz alguma coisa errada?

O gol de bico é o patinho feio do futebol. Pega mal apelar para a ponta da chuteira em momento de gol. No país que cultua o futebol-arte, a pedalada, a ginga, recorrer ao bico é sinônimo de falta de habilidade – como se o craque fosse menos craque, apelasse a um golpe baixo, para fazer o que há de mais sublime no futebol.

Não entendo por que há tanto preconceito com o gol de bico. Qual é a diferença entre empurrar a bola para o fundo das redes com o peito do pé, a “chapa” ou a bicanca? Romário fez gol de bico em Copa do Mundo. Ronaldo idem. Basílio tirou o Corinthians de uma fila de 22 anos com um gol de bico. Você lembra de outros?

Lanço aqui uma campanha em defesa do gol de bico. Feio é não fazer gol.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
10/04/2009 - 20:42

A fama de Ronaldo num táxi em Buenos Aires

Compartilhe: Twitter

Conversa animada sobre futebol dentro do táxi, no centro de Buenos Aires. O motorista é torcedor fanático do River Plate, que anda em má fase, e grande admirador do futebol brasileiro. A sua primeira pergunta para mim é sobre Dunga. Digo que esperava mais coragem e ousadia de um técnico seleção brasileira. “Ele é técnico da mesma forma que era jogador”, resume o taxista.

“Técnico era Santana”, ele diz, referindo-se a Telê. “E por que Ronadinho nao é titular do time?” Digo que ele está em má fase, é reserva também no Milan. E ele: “É o melhor jogador brasileiro, muito melhor do que Kaká”.

O taxista faz outra pergunta difícil: “E Robinho, o que acontece com ele? Era um craque…” Conversamos sobre alguns jogadores que atuam bem em time, mas mal em selecionados nacionais. Riquelme, ele começa. Edmundo, ele acrescenta. E citamos uma dezena de craques, brasileiros e argentinos, que jogam bem em seus clubes, mas “diminuem” quando vestem a camisa da nacional.

“Mas um que eu gostaria de ver na minha seleção é o gordo”, lança o taxista. Que gordo?, eu pergunto, espantado. “Ronaldo. É um definidor. Todo mundo tem medo dele, mesmo com uns quilos a mais”. É verdade, concordo. “Melhor que ele só o Chapolim”. Chapolim??? “Sim, Romário. É um gênio.”

PS. Leitores perguntam a respeito do apelido Chapolim para Romário. É uma referência ao seriado “Chapolim”, o herói que aparecia quando alguém dizia: “E agora, quem poderá me salvar”. Foi essa a frase que o taxista me disse quando me surpreendi ao ouvi-lo chamar Romário de Chapolim. (Atualizado às 11h de 11 de abril)

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , , , , ,
Voltar ao topo