Rivalidade entre Rio e SP no futebol está de volta
O sempre sensato e elegante Lédio Carmona, comentarista do SporTV, escreveu em seu Twitter na quinta-feira: “O futebol, como um todo, está fora do tom. Discursos e atitudes raivosas por todos os lados. Me confesso assustado com tudo isso.”
Creio que Lédio referia-se, especificamente, à briga entre dois jogadores do Palmeiras, no intervalo da partida contra o Grêmio, mas também a uma série de outros episódios recentes. “Rivalidade e acirramento é uma coisa. Mas a sociedade do futebol está passando do ponto. Pensem nisso”, escreveu. E ainda: “A sociedade da bola é totalmente IN: Insensata, Intolerante, Invasiva, Insana, Insuportável…”
Todos nós, apaixonados por futebol, temos o hábito de exigir “profissionalismo” dos atores envolvidos neste mundo – jogadores, técnicos, dirigentes, árbitros e mesmo comentaristas. Por trás desta cobrança está a idéia de que todas essas figuras são remuneradas, logo, tem obrigações, deveres e compromissos.
Assim como exigimos conhecimento do médico que nos atende, educação do caixa no banco e pontualidade na entrega da loja, esperamos que o jogador do nosso time seja eficiente em campo, dentro da posição que é escalado, que o dirigente defenda o nosso clube da melhor forma possível, que o árbitro domine as regras do esporte e que o jornalista esportivo seja isento.
O problema todo é conciliar as nossas exigências com a paixão. Nisso, o esporte se diferencia de todas as outras atividades. Ninguém tolera um juiz ladrão, mas você já viu algum torcedor reclamar quando o próprio time é beneficiado por erro de arbitragem? Torcedor odeia cartola corrupto, mas se a ação dele, nos bastidores, ajudar o seu time, você é capaz até de votar no sujeito para deputado federal nas próximas eleições.
Para piorar, muitos dos atores envolvidos no mundo do futebol, apesar de profissionais, também não conseguem controlar sua paixão. Brigas entre jogadores do mesmo time, brigas entre dirigentes esportivos, acusações variadas e teorias da conspiração prosperam no momento em que o Brasileiro se aproxima do fim com um grau de competição nunca visto antes, tanto no alto quanto no fim da tabela.
Os ânimos de todos os envolvidos parecem mais exaltados do que nunca. E dentro dessa confusão toda, reaparece um elemento que andava adormecido – a rivalidade entre Rio e São Paulo. Muito por culpa do desempenho pífio dos times cariocas nos últimos anos, esse bairrismo andava sumido do teatro das paixões do futebol. Mas voltou com tudo nas últimas semanas, em função do bom momento do Flamengo. Infelizmente, prevejo ainda muita baixaria até o final do campeonato.




