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27/08/2009 - 11:18

Tentando decifrar Bob Dylan

Quem já passou por este blog mais de uma vez deve ter percebido que sou fã de Bob Dylan. Isso não quer dizer que eu compreenda Bob Dylan. Ouço o músico e leio o que escrevem sobre ele já há 35 anos, mas com frequência me pego pensando, sem ter resposta, sobre os possíveis significados de algumas músicas e sobre o sentido de certas atitudes.

No magnífico documentário “No Direction Home”, Martin Scorsese tenta jogar alguma luz nos primeiros anos da carreira do músico (1961-1965), sem chegar a uma conclusão. Scorsese se detém num episódio-chave da trajetória de Dylan, o momento em que trocou o violão pela guitarra, causando profunda decepção nos fãs da música de protesto – o gênero que o tornou famoso naqueles conturbados anos de lutas pelos direitos civis, nos Estados Unidos.

Da soma de tudo que se vê e ouve no documentário, emerge a impressão que Dylan nunca foi um músico engajado nas causas dos anos 60. Não que fosse alheio ao que acontecia ou que não acreditasse no teor das músicas que escreveu – canções como “Blowin´ in the Wind” ou “The Times They are a Changin´”, que se tornaram verdadeiros hinos. Mas tenho a impressão, vendo o filme, que Dylan parece mais preocupado consigo mesmo do que com os anos 60.

E acho que essa é uma característica que percorre muitas das suas escolhas – pessoais e artísticas – ao longo do tempo. Não vejo isso como defeito, que fique claro. As idas e vindas na carreira, as diferentes opções religiosas, as escorregadas e os triunfos, Dylan nunca demonstra preocupação com o que vão pensar ou dizer dele e parece ter como único interlocutor a sua própria insatisfação.

Pensando nisso tudo, comento duas notícias aparentemente bizarras que circularam esta semana envolvendo Dylan. A primeira, a de que o músico está negociando emprestar a sua voz a um sistema de GPS; a segunda, que vai gravar um disco apenas com canções de Natal.

O próprio Dylan anunciou, na terça-feira, 25 de agosto, a novidade do GPS em seu programa de rádio, nos Estados Unidos. “Estou conversando com duas empresas”, disse o músico, cuja voz cada vez mais fanhosa parece ser tudo que você não quer ouvir quando estiver perdido procurando um endereço no carro.

Dylan fez piada sobre o assunto no rádio. “À esquerda na próxima rua. Não, à direita. Quer saber? Vá reto”. Em seguida, comentou: “Eu não deveria fazer isso porque, para onde quer que eu vá, eu sempre acabo no mesmo lugar – em Lonely Avenue”. E acrescentou: “Por sorte, não estou totalmente sozinho. Ray Charles me encontra lá.” A piada é uma referência ao blues “Lonely Avenue”, que Charles gravou com muito sucesso nos anos 50 e que teve posteriormente inúmeras versões. 

E na quarta-feira, 26 de agosto, Dylan anunciou em seu ótimo site que vai lançar, no dia 13 de outubro, um álbum com canções de Natal, cuja renda será revertida integralmente para entidades beneficentes. A notícia causou algum espanto, inicialmente, em função do músico ter nascido numa família de origem judaica, ter se convertido ao cristianismo na década de 70 e voltado a praticar o judaísmo.

O projeto do disco de Natal, no entanto, vai muito além de um compromisso religioso. O músico doou todos os royalties a que tiver direito por este disco, para sempre, nos Estados Unidos, a uma ONG chamada Feeding America e está negociando um acordo semelhante com duas entidades na Inglaterra.

Dylan comentou no site: “É uma tragédia que 35 milhões de pessoas neste país (os EUA) – sendo 12 milhões de crianças – costumam ir para a cama com fome e acordem no dia seguinte sem saber quando vão comer novamente”. Mais claro, impossível.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog Tags: , , , , , , ,
11/07/2009 - 12:06

Fifa proíbe propaganda religiosa e adverte o Brasil

Com alguma discrição, a “Folha de S.Paulo” noticia neste sábado que a Confederação Brasileira de Futebol recebeu na sexta-feira, 10, um ofício da Fifa “afirmando que não irá mais permitir mensagens religiosas em comemorações de jogadores durante suas competições”.

A notícia, em duas notas curtas na seção Painel FC, se completa com a informação que a Fifa, “detectou” ter ocorrido “propaganda religiosa no caminho para a tribuna de honra após a seleção vencer a Copa das Confederações”.

O recebimento do ofício da Fifa se dá menos de duas semanas após a partida decisiva, contra os Estados Unidos, concluída com um culto religioso no centro do gramado, sob a liderança do zagueiro e capitão Lucio.

Dois dias depois da partida, o jornal “O Estado de S.Paulo” informou que a atitude da seleção brasileira havia provocado reclamações de entidades filiadas a Fifa, como a Associação Dinamarquesa de Futebol, e também críticas na imprensa britânica.

Na ocasião, o jornalista Jamil Chade escreveu: “A Fifa confirmou ao ‘Estado’ que mandou um alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final.”

Um texto publicado neste blog, Fervor religioso nos gramados causa constrangimento, gerou quase 400 comentários – muitos deles negativos. Um grande número de comentaristas enxergou no texto uma crítica à liberdade de expressão religiosa, quando, na verdade, o que está em discussão é a propaganda e o proselitismo religioso em espaços públicos frequentados por pessoas de diferentes credos.

O ofício da Fifa avança em relação ao alerta de duas semanas atrás e, tudo indica, gerará uma reação em cadeia. A principal conseqüência, imagino, será a proibição aos jogadores de exibir em campo, mesmo depois dos jogos, camisas com inscrições religiosas, como as usadas por Lucio, Kaká e cia depois da final da Copa das Confederações.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , , , , , ,
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