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06/10/2009 - 12:35

O “jeitinho” brasileiro no Santiago Bernabeu

De férias na Espanha, resolvi assistir uma partida de futebol no estádio. Estive em Sevilha e em Barcelona, mas em períodos que a bola não rolou. Em Madri, tive a oportunidade de ver Real Madrid e Olympique de Marselha, pela segunda rodada da Liga dos Campeões, na quarta-feira, 30 de setembro.

Logo pela manhã, fui ao estádio em busca de ingressos. O metrô deixa o espectador a 100 metros do Santiago Bernabeu. Ao longo do caminho, dois homens de terno, cambistas elegantes, me ofereceram ingressos na rua, antes que eu chegasse à bilheteria.

Cinco bilheterias estavam abertas por volta das 10h da manhã. Fiquei menos de cinco minutos na fila, organizada com a ajuda de dois seguranças. No guichê, uma funcionária me mostrou um mapa com todas as posições no estádio onde havia ingressos disponíveis.

Os ingressos avulsos, para quem não compra pacotes no início da temporada, seja para o Campeonato Espanhol, seja para a Liga dos Campeões, são bem caros. Há quatro posições nas laterais do campo e outras quatro atrás dos gols. Os ingressos vão de 40 euros (R$ 105) a 175 euros (R$ 455).

Comprei, por 40 euros, o ingresso na segunda fila do “quarto anfiteatro lateral oeste”, ou seja, no início da parte mais alta do estádio, com vista para o lado do campo.

Santiago Bernabeu visao realTodos os 80.354 assentos no Santiago Bernabeu são numerados. Com o jogo marcado para começar às 20h45, cheguei ao estádio, de metrô, por volta das 20h. Em 10 minutos, estava sentado no meu lugar. Segundo o diário “Marca”, a partida teve um público de 65 mil espectadores.

Vi muitos brasileiros, turistas como eu, no estádio. Muitos vestiam camisas do Real, com o nome de Kaká às costas. Também vi um com a camisa da seleção brasileira e outro com a do São Paulo. Também notei a presença de muitos turistas de outras nacionalidades – na fila atrás de mim, três armênios enlouquecidos assistiram a partida soprando uma barulhenta corneta a cada lance, de perigo ou não, do ataque do Real.

Um dos grupos de brasileiros sentou-se próximo a mim. Ainda faltavam uns 20 minutos para o início do jogo e havia muitos lugares vazios no terceiro anfiteatro, cujos ingressos custavam 75 euros (R$ 195). “Vamos descer que tem lugar vazio”, propôs um deles, sendo logo seguido por outros dois.

Com 10 minutos de jogo, vejo os brasileiros de volta, procurando seus lugares no quarto anfiteatro. Tinham acabado de ser expulsos dos lugares alheios que ocuparam, diante da chegada ao estádio dos donos dos assentos.

Santiago Bernabeu visao com zoomNão vou aqui falar da partida, vencida pelo Real por 3 a 0. O iG Esporte trouxe um relato preciso do que ocorreu em campo. Mas algumas coisas me chamaram a atenção.

O placar do estádio, diferentemente do que ocorre no Brasil, mostra o tempo de jogo, ao longo de toda a partida. Não entendo porque esse recurso é proibido nos estádios nacionais.

Já tinha reparado, vendo pela televisão, que Cristiano Ronaldo gesticula muito ao longo das partidas. Ao vivo, pude observar que ele reclama muito com os companheiros, aponta com as mãos onde a bola deveria ter ido, comporta-se, enfim, como uma estrela – o que deve, seguramente, incomodar seus colegas de time.

Na hora do pênalti, convertido por Kaká, a torcida ficou histérica. Enquanto ele se preparava para bater, os torcedores começaram a bater palmas, de forma ritmada. Uma cena que já tinha visto em disputas de provas de salto em atletismo. No momento em que Kaká chutou, o estádio inteiro estava batendo palmas, dando o ritmo da cobrança.

Ao ser substituído por Raul, Kaká foi bem aplaudido, mas o camisa 9 do Real foi ovacionado ao pisar no gramado. Aliás, na apresentação dos jogadores, antes de a partida começar, Cristiano Ronaldo foi saudado com mais entusiasmo que Kaká.

Santiago Bernabeu EuEm dois momentos, fui surpreendido por manifestações de entusiasmo da torcida do Real, sem que nada estivesse ocorrendo em campo que justificasse a alegria. A primeira, quando o placar do estádio anunciou que o Zurique estava vencendo o Milan, do mesmo grupo na Liga dos Campeões, por 1 a 0 – resultado final da partida, disputada em Milão. A segunda, quando foi anunciado que o Porto venceu o Atlético de Madrid por 2 a 0.

Ou seja, torcedor é igual em qualquer lugar no mundo: para ficar completamente feliz, não basta ver seu time vencer, é preciso que o rival também perca.

A saída do estádio não ocorreu com a mesma tranquilidade que a chegada, mas não chegou a ser caótica. Lentamente, segui a multidão que se dirigiu ao metrô para voltar para casa. Meia hora depois do final do jogo, já estava num bar, próximo do hotel, comendo tapas e bebendo cerveja.

Em tempo: A primeira foto no post mostra a visão que eu tinha do campo, do lugar que adquiri. A segunda foto foi tirada do mesmo lugar, mas com zoom. E a terceira imagem mostra o repórter, exibido, posando para a câmera.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
06/06/2009 - 18:29

Berlusconi e Kaká: tudo a ver

Sou do tempo em que jogador de futebol, substituído no meio do jogo, descia para o vestiário para tomar banho mais cedo. Mas alguém inventou, anos atrás, que é de bom tom o jogador, depois de ser trocado, colocar um casaco e ficar no banco de reservas até o final da partida, manifestando apoio ao time. É uma dessas besteiras de cunho moralista que pegou, virou regra. 

Enfim, lembro disso ao ouvir, quase ao final da transmissão de Brasil e Uruguai, o repórter da Rede Globo informar que Kaká foi autorizado a ir para o vestiário logo depois de ser substituído. Disse o jornalista que Kaká pediu para descer com a bola ainda rolando a fim de evitar ser entrevistado ao final do jogo e ouvir alguma pergunta sobre sua transferência do Milan para o Real Madrid.

Trata-se, informam os principais meios de comunicação, de um negócio já fechado. Mas o dono do Milan, Silvio Berlusconi, é também primeiro-ministro da Itália e enfrenta, neste final de semana, eleições para o Parlamento Europeu. Com medo de desagradar os torcedores do Milan – eleitores também – Berlusconi teria adiado o anúncio oficial do negócio com o Real para segunda-feira.

Não vou aqui falar sobre Berlusconi e como ele colabora para a decadência da Itália. O noticiário está repleto de informações – e fotos – a quem se interessar pelo assunto. O que me surpreende nesse episódio é a complacência de Kaká. A intenção, indica o noticiário da Globo, do jogador brasileiro de fazer o jogo do patrão –  seu e dos italianos. Uma pena.

Em tempo: ao deixar o estádio Centenário, cercado por jornalistas, Kaká não falou nada sobre a sua iminente saída do Milan.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, Mundo Tags: , , , ,
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