Sobre títulos de revista: “Serrote” ou “Maranhão”?
Revista nova na praça, “Serrote” tem nome inspirado na obra do poeta Murilo Mendes, autor de um livro de memórias intitulado “A Idade do Serrote” e de um divertido poema chamado “Serrote” (incluído em “Poliedro”), no qual a ferramenta é descrita de forma terrível – só menos ameaçadora que a bomba atômica.
A escolha de “Serrote” foi meio aleatória, orientada mais pelo estranhamento que causa o título do que por algum sentido que possa sugerir. Antes de se decidir por “Serrote”, conta Matinas Suzuki Jr., os editores da revista se divertiam dizendo que ela se chamaria “Maranhão”. Uma brincadeira do jornalista Marcos Augusto Gonçalves com o título (tão aleatório quanto) da revista “Piauí”, cujo editor, João Moreira Salles, é um dos diretores do Instituto Moreira Salles, onde “Serrote” nasceu.
Abaixo, reproduzo o poema “Serrote”, de Murilo Mendes (1901-1975). Uma reportagem sobre a revista “Serrote” foi publicada nesta segunda-feira no Último Segundo, o jornal do iG, e pode ser lida aqui .
Serrote
Tremo quando examino o serrote.
Acho angustiante a música dentada do serrote, rangendo, pai de Antonin Artaud, cuja mãe é
uma das Górgones.
Para libertar-me do serrote compus um drama mínimo sobre.
DRAMATIS PERSONAE:
O SERROTE;
EU PRÓPRIO, DE BINÓCULO E LUVAS PRETAS.
CENÁRIO: UM QUALQUER.
TEMPO DE AÇÃO: 1910 – 1965
ESPAÇO DA AÇÃO: JUIZ DE FORA – RIO – ROMA.
Aproximo-me bastante do serrote, calço as luvas, entrego-lhe o texto menor do mundo:
AI!
Fora o serrote. Ainda assim prefiro-o à bomba atômica. Se bem que terrível não ameaça nem
troveja. Além disto não há serrotes “limpos” ou “sujos”, americanos, russos ou chineses.
Todos são internacionais.
(Acabarei elogiando o serrote)
Serrote, caixinha de música dos nazistas.



