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09/04/2009 - 05:52

“O Equilibrista”: prazer (e fama) de andar na corda bamba

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Philippe Petit é um maluco. Desde a adolescência, ganhava a vida fazendo truques na rua como equilibrista, mágico e ilusionista. Em 1971, aos 22 anos, ficou famoso ao atravessar, numa corda bamba, esticada entre as duas torres, a Catedral de Notre Dame, em Paris. Dois anos depois, usando a mesma técnica, fez a cidade de Sydney parar para ver a sua travessia no alto da maior ponte de arcos de aço do mundo. Finalmente, no dia 7 de agosto de 1974, véspera da renúncia do presidente Richard Nixon, Petit realizou a sua obra-prima (foto), ao caminhar sobre uma corda de aço, de um lado para o outro, no alto das Torres Gêmeas, no World Trade Center, em Nova York.

Em cartaz desde esta quinta-feira, “O Equilibrista” (“Man on Wire”), de James Marsh, dedica-se a contar a história de Petit, com foco especial na operação de guerra montada por ele e sua equipe para burlar a segurança do WTC. Também esmiúça a trajetória do equilibrista, por meio de entrevistas variadas, com o próprio Petit (na foto ao lado, em imagem recente), bem como com a ex-namorada, o melhor amigo e vários companheiros que participaram, direta ou indiretamente, da aventura americana.

Para ter uma pequena idéia da maluquice, assista o trailer.

Há várias razões para ver este filme que, desde 2008, vem acumulando uma série impressionante de prêmios (a lista completa pode ser vista aqui), consagração que se completou, em 2009, com o Oscar de melhor documentário.

Alguém pergunta a Petit por que ele faz essas travessias malucas e perigosas. “Por quê? Não há um porquê”, ele responde (à dir., na travessia em Sydney). Cabe ao diretor James Marsh tentar explicar. Ele toma o cuidado de não dar uma resposta explícita, mas traça, com delicadeza, o perfil de um personagem fascinante, autoconfiante, sedutor e tão apegado ao prazer de andar na corda bamba quanto à possibilidade de ficar famoso.

Outro filme dentro do filme é a história da “invasão” do World Trade Center. Há algo de cômico e infantil nos truques que Petit e sua equipe utilizam para enganar os seguranças do, então, prédio mais alto do mundo. Ao se deter nesta história, e recriar alguns episódios, “O Equilibrista” perde um pouco o ritmo e a força, mas acaba por fazer uma homenagem ao conjunto de prédios desaparecido da paisagem de Nova York em consequência do atentado de 2001.

Por fim, um tema lateral, mas curioso em “O Equilibrista” é o choque cultural entre, de um lado, os franceses (Petit, seu amigo e sua namorada) e, de outro, os americanos (a sua equipe de apoio). Mediado por um inglês, o diretor James Marsh, o conflito é explorado com algum humor, mas não deixa de repisar clichês sobre estes dois mundos.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , ,
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