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15/09/2009 - 17:33

‘Salve Geral’ dá recado forte sobre crise da segurança

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Salve Geral 1Pelo assunto que escolheu e pelo ponto de vista que adotou, “Salve Geral”, de Sergio Rezende, está destinado a se tornar o lançamento cinematográfico brasileiro mais polêmico do ano. O filme conta uma história ficcional ambientada em maio de 2006, em São Paulo, nos dias em que ocorreram os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) a postos policiais em diferentes pontos da cidade.

Salve Geral 3O título do filme refere-se à ordem (o “salve”) espalhada a partir dos presídios, e para fora dele, no sentido de atacar o Estado. Ao longo de três dias, entre sábado e segunda-feira, os ataques causaram a morte de 46 agentes de segurança, além de terem provocado pânico entre a população. A ação foi orquestrada dentro dos presídios, pela liderança do PCC, em resposta à transferência de quase 800 presos para um presídio de segurança máxima.

O filme gira em torno de Lucia, professora de piano, classe média empobrecida, vivida por Andrea Beltrão, cujo filho, Rafa (Lee Thalor), envolve-se em um crime e é preso. Na tentativa de ajudar Rafa, Lucia conhece Ruiva (Denise Weinberg), advogada dos líderes do PCC.

A partir daí, “Salve Geral” convida o espectador a uma viagem por um mundo terrível, sem meios tons, protagonizado por criminosos cruéis e policiais sem escrúpulos. Violência de lado a lado, corrupção, miséria, despudor moral: não há mocinhos neste filme, talvez o mais ousado de Sergio Rezende (“Homem da Capa Preta”, “Lamarca”, “Zuzu”, “Mauá”).

“Salve Geral” será possivelmente acusado de “humanizar” criminosos, de manifestar pena de presidiários ou tomar partido do crime. Não acho que esta seja a mensagem do filme, que estreia no próximo dia 2 de outubro. Com orçamento de U$ 9 milhões, e apoios da Globo Filmes e da Sony Pictures, o longa-metragem de Sergio Rezende fala de um mundo desgovernado, violento, sem ética.

“O filme aborda a situação de perda de controle, na vida como um todo. Ninguém tem o controle de nada. O Estado não tem o controle da situação, assim como as pessoas também não. A vida é um cavalo em disparada”, disse  Rezende a Jorge Antonio Barros, um respeitado jornalista especializado em segurança pública. É esse, exatamente, o recado que “Salve Geral” tenta dar.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, São Paulo Tags: , , , ,
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