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18/08/2009 - 19:09

PVC: “Você não pode gostar menos de futebol que o cara que te lê”

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Conheci Paulo Vinicius Coelho na redação do “Lance!”, em agosto de 1997, na fase de estudos e testes do novo jornal, que chegou às bancas em 25 de outubro daquele ano. Vindo da revista “Placar”, PVC era um dos poucos repórteres com alguma experiência na área. Não o conhecia e logo me impressionou pela memória e, sobretudo, pela paixão pelo jornalismo esportivo.

Saí do “Lance!” em maio de 1998 e desde então tenho acompanhado o seu trabalho à distância, na ESPN, em seu blog – hoje no site da própria emissora – e na coluna que agora escreve na “Folha”. Eventualmente nos encontramos, como ocorreu em março, no programa “Loucos por Futebol”, onde estive como convidado, e vi PVC dar uma aula sobre o Botafogo bicampeão de 1967-68.

A última vez que o vi foi em meados de junho, no lançamento do livro “Por que não desisto”, de Juca Kfouri, na Livraria Cultura, em São Paulo. PVC chegou logo depois de mim, trazendo seu filho, João Pedro, e ficamos juntos na longa fila de autógrafos.

Ao longo de quase uma hora de espera, o jornalista deu entrevistas para a televisão, assinou uma dezena de autógrafos e posou para outra dezena de fotografias, abraçado a fãs seus. Várias pessoas, jovens em sua maioria, chegaram para puxar conversar, perguntar sobre detalhes do Campeonato Brasileiro, pedir a opinião de PVC sobre os mais variados assuntos. A todos ele atendeu do mesmo jeito, como se fossem velhos conhecidos.

Naquela fila, me dei conta que PVC, com 39 anos, havia se transformado numa celebridade do jornalismo esportivo – uma fama construída com base apenas no conhecimento sobre o assunto que trata. No momento em que está lançando um novo livro, “Bola Fora – A história do êxodo do futebol brasileiro” (Panda Books, 196 págs., R$ 29,90), sugeri ao iG uma entrevista com ele, na tentativa de explicar esse sucesso. O resultado foi publicado nesta terça-feira, com o título “Superpop”, PVC lança livro sobre êxodo de jogadores brasileiros

Convido à leitura os leitores que gostam do assunto. Adianto apenas uma passagem, essencial, a meu ver, no texto. “Acho que o público mais jovem enxerga em mim um cara que gosta de futebol como eles. Você não pode gostar menos de futebol que o cara que te lê ou assiste.” No fundo, tendo a achar que a reflexão serve para qualquer experiência profissional.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte, jornalismo Tags: , , , ,
27/03/2009 - 15:35

E se Rogério tivesse ido à Copa de 70?

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Nas minhas lembranças futebolísticas da infância, o primeiro dos muitos dramas que me recordo diz respeito a Rogério. O ponta-direita integrou uma linha de frente dos sonhos, certamente responsável por toda uma geração escolher o Botafogo como time do coração. Era formada (na ordem em que aparecem na foto) por Rogério, Gerson, Roberto, Jairzinho e Paulo Cesar. Com esses cinco, o Botafogo foi bi-bi, ou seja, bi-campeão da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca, que eram disputados separadamente, em 1967 e 1968.

Em 1970, o camisa 8 (Gerson) já estava no São Paulo, mas os camisas 7 (Rogério), 9 (Roberto), 10 (Jairzinho) e 11 (Paulo Cesar) continuavam no Botafogo e eram presença constante nas convocações da seleção brasileira. Um pouco antes da Copa, porém, Rogério se machucou. Eu tinha 9 anos, recém-completados, mas me lembro bem de acompanhar a dramática novela sobre a capacidade, ou não, do ponta se recuperar a tempo de ir para o México.

Não deu, mas Rogério era tão próximo do grupo, que foi levado à Copa na condição de “espião” de Zagallo. Acompanhou vários jogos e transmitiu informações importantes sobre o desempenho dos adversários do Brasil ao técnico da seleção.

Com Rogério cortado, Zagallo fixou Jairzinho na ponta-direita. E, bem, o resto vocês já sabem. O camisa 10 do Botafogo transformou-se no Furacão da Copa, marcando gols em todos os seis jogos do torneio.

Sempre me perguntei: e se Rogério tivesse ido à Copa de 70? Esta semana tive uma oportunidade de ouro para fazer esta pergunta a quem entende do assunto. Convidado do programa “Loucos por Futebol”, exibido quinzenalmente na ESPN Brasil, tive a chance de conversar sobre este assunto com Marcelo Duarte, Paulo Vinicius Coelho e Celso Unzelte.

Um dos temas do programa foi justamente uma reportagem com Rogério – onde anda o ex-jogador? Ele é hoje pastor de uma igreja messiânica em São Paulo e guarda, com o maior carinho, as planilhas que preencheu com observações sobre os adversários do Brasil na Copa.

Perguntei a PVC, meu colega na primeira redação do “Lance!”, o que ele achava: e se Rogério tivesse ido à Copa? Paulo Vinicius me chamou a atenção para o fato de que, no primeiro semestre de 1970, a seleção brasileira disputou cinco amistosos – em três, Jairzinho foi escalado na ponta-direita e Rogério ocupou a posição em dois. Ou seja, Zagallo já tinha em mente esta opção tática – colocar o camisa 10 do Botafogo com a 7. Afinal, Jair jogava muito, mas a camisa 10 da seleção tinha dono, né?

Em tempo: o Loucos por Futebol será exibido na ESPN Brasil à 0h30 deste domingo. Vi no quadro de programação que estão previstas algumas reprises: segunda-feira, dia 30, às 9h e às 16h, terça, 31, às 20h, e quinta, 2 de abril, às 20h45.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , , , , , , , ,
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