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17/06/2009 - 10:38

Chico substitui Caetano em filme sobre os Mutantes

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Há seis meses, quando “Loki” foi exibido na Mostra de Cinema de São Paulo, escrevi no Último Segundo  
que aquela seria, possivelmente, a última oportunidade de assistir na tela grande o documentário sobre Arnaldo Baptista, o cérebro dos Mutantes.

“Primeiro longa-metragem produzido pelo Canal Brasil, ‘Loki’ caminha para se tornar um produto de exibição exclusiva na tevê fechada e em DVD”, escrevi em outubro de 2008. Os custos envolvidos no pagamento de direitos de exibição das quase 50 músicas, além dos respectivos direitos autorais, inviabilizariam a sua exibição em cinemas, disse então Paulo Henrique Fontenelle, diretor do filme.

Outro empecilho, observou o diretor na ocasião, seria a distribuição do filmes nos cinemas. “É complicado. No máximo, a gente consegue exibir duas cópias nos cinemas, uma no Rio e outra em São Paulo. O filme poderia fazer 100 mil espectadores. Na tevê, você faz isso numa única exibição”, disse Fontenelle.

Tudo mudou em pouco tempo. “Loki” foi escolhido pelo público tanto do Festival do Rio quanto da Mostra de São Paulo como o melhor filme de 2008. Mais que isso, as sessões do filme em diferentes festivais, sempre acompanhadas por muitas lágrimas e aplausos (tanto de contemporâneos dos Mutantes quanto de adolescentes), sinalizaram que o filme tinha um potencial a ser explorado. Uma campanha articulada por fãs lotou a caixa postal do Canal Brasil, com pedidos para a exibição do filme e ofensas à decisão de não mostrá-lo nos cinemas.

“A repercussão foi tão grande que a gente começou a ver como levar o filme para os cinemas”, conta agora Fontenelle. A primeira providência foi a negociação para pagamento dos direitos autorais das músicas ouvidas no filme. “Para regularizar tudo, gastamos mais R$ 80 mil”, conta o diretor. O valor quase duplica o investimento inicial na produção do documentário, que foi de cerca de R$ 110 mil.

Apenas uma cena musical foi excluída da versão que será exibida nos cinemas, a partir desta sexta-feira, 19 de junho. Ao longo da negociação, os produtores do filme não chegaram a um acordo com os detentores dos direitos de “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso. Um clipe de dez segundos, com cenas da apresentação do músico no Festival da Record de 1967, foi cortado do filme. “Era impossível pagar o que eles estavam pedindo”, diz Fontenelle.
 
No lugar dele, o diretor inclui dez segundos de Nara Leão cantando “A Banda”, de Chico Buarque, no mesmo festival, um ano antes. Trata-se de uma troca repleta de ironia.

Como se sabe, a cordial rivalidade entre Chico e Caetano tem origem justamente nesses dois festivais. O sucesso da inocente marcha de Chico, vencedora do festival de 1966, tornou o compositor uma celebridade. No ano seguinte, o tropicalismo explodiria com as apresentações de Caetano (“Alegria, Alegria”) e Gilberto Gil (“Domingo no Parque”).

Para “Loki”, o filme, o Festival da Record de 1967 seria muito mais importante do que o de 1966, já que Arnaldo, Rita Lee e Os Mutantes, no papel da banda que acompanhou Gil, ganharam inédita projeção justamente a partir daquela apresentação.

“Graças a Deus, essa foi a única cena que o filme perdeu”, diz Paulo Fontenelle. “Estou muito feliz de colocar ‘Loki’ nos cinemas. A minha idéia, desde o início, era essa. Todas as decisões que tomei durante as filmagens foram pensando em exibi-lo na tela grande”, diz.

A distribuição de “Loki” ficou a cargo do próprio Canal Brasil, que fez um acordo com a rede Unibanco Artplex. Dessa forma, o filme estreia nesta sexta-feira em 17 salas de 14 cidades. No dia 18 de setembro, quando o Canal Brasil comemora 11 anos, o filme será exibido na tevê. E, possivelmente, no final do ano, ganhará as lojas no formato de DVD.

Veja o trailer do filme aqui.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , , , , , , , , ,
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