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17/10/2009 - 12:16

CBF quer mesmo mudar horário dos jogos noturnos?

É preciso ler com cautela a notícia de que Ricardo Teixeira pretende alterar o horário dos jogos noturnos da Série A do Brasileiro, às quartas-feiras. Em entrevista a três jornais (“Globo”, “Folha” e “Estadão”), o presidente da CBF reconheceu o óbvio, ou seja, que as partidas noturnas, programadas de acordo com a grade da Rede Globo, terminam muito tarde, o que afugenta o público dos estádios.

À medida em que, nos últimos anos, a chamda “novela das 8” foi mudando de horário e virando “novela das 9”, o horário das partidas de quarta-feira foi sendo empurrado para mais tarde. Atualmente, as partidas começam às 21h50, e terminam por volta da meia-noite.

O horário das partidas é determinado em contrato entre a Rede Globo, que detém os direitos de transmissão, e os clubes, sob as bençãos da CBF. Um dos argumentos da emissora para exibir as partidas depois da novela é que esse horário seria de interesse dos patrocinadores dos clubes, interessados na exposição de suas marcas num momento em que a televisão tem altos níveis de audiência.

É a esse argumento que Ricardo Teixeira se refere na entrevista, ao dizer: “Como presidente da CBF, não posso ficar preocupado com o índice da televisão. Eu tenho que ficar preocupado também com o torcedor. Não adianta fazer jogo com o campo vazio”.

Cabe lembrar que Teixeira é presidente da CBF há 20 anos e, até onde me recordo, é a primeira vez que se manifesta publicamente de forma crítica sobre o horário noturno das partidas da Série A.

Também é preciso lembrar que esta declaração ocorre ao final de uma semana em que a Rede Globo apresentou uma proposta aos clubes para mudar o sistema de disputa do Brasileiro, reintroduzindo o “mata-mata” na fase final, em lugar da classificação ser decidida por pontos corridos. Teixeira, como se sabe, é contra essa mudança. Daí a sua declaração: “Querem discutir esse assunto, vamos discutir tudo”.

Em resumo, gostaria de acreditar que o presidente da CBF está interessado em discutir, de fato, o estranho horário das partidas noturnas de futebol no Brasil. Mas temo que, com suas declarações, ele esteja apenas demarcando território no campo de batalha.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , , , , ,
13/03/2009 - 19:47

Ronaldo é um anúncio que joga

Há alguns anos, ao observar a comercialização de tudo ligado ao universo do futebol, o escritor uruguaio Eduardo Galeano anotou: “Hoje em dia, cada jogador de futebol é um anúncio que joga”.

Penso nisso depois de ler no iG Esportes que, no intervalo de pouco mais de uma hora, uma montadora de motocicletas anunciou que iria estampar a sua marca no uniforme do Corinthians e em seguida desistiu. Motivo: Mano Menezes anunciou que Ronaldo não jogará contra o Santo André domingo.

A globalização do futebol prometia muitas maravilhas – entre elas a idéia de que os clubes se tornariam empresas modernas, rentáveis, eventualmente com ações nas Bolsas de Valores. Poucas dessas promessas se cumpriram no Brasil. Pior, com a penúria geral, os clubes passaram a vender o espaço da manga de camisa, do calção e até da meia para eventuais patrocinadores.

Agora, com Ronaldo, o Corinthians viu a possibilidade de ir para o varejão e vender espaços publicitários em doses homeopáticas, jogo a jogo. Mano Menezes, aparentemente, foi forte e causou um prejuízo ao clube. Se o salário no fim do mês atrasar, ele poderá ouvir reclamações. Por que não escalou Ronaldo naquele jogo? Tínhamos um ótimo patrocinador – alguém poderá dizer. Parafraseando Galeano, Ronaldo é um anúncio que joga. Uma tristeza.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
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