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17/07/2009 - 10:31

A estranha Copa que o Brasil ganhou, mas não ficou feliz

Advertência: Esse blog não faz pregação de VERDADES ABSOLUTAS. O que você vai ler aqui é a reprodução de um ESTADO DE ESPÍRITO, num determinado tempo e lugar.

Sexta-feira, 17 de julho: há 15 anos, neste dia, o Brasil venceu a Itália, nos pênaltis, na final da Copa de 94. É um título especialmente importante por encerrar um período de 24 anos (ou cinco copas seguidas) sem conquistas.

Acompanhei a Copa direto dos Estados Unidos, enviado pela “Folha de S.Paulo”. Participei da equipe que, como carrapato, seguiu a seleção brasileira por 45 dias – basicamente na Califórnia. Foi uma experiência profissional fantástica, mas ao mesmo tempo muito dura.

A insistência do técnico Carlos Alberto Parreira num esquema muito cauteloso e pouco criativo gerou críticas pesadas, do início ao fim da Copa. Em resposta, a seleção, de uma maneira geral, tratou com pouca simpatia, quando não com aberta hostilidade, a imprensa brasileira.

Até hoje, 15 anos depois, essa vitória é considerada uma conquista “menor”, por conta do desempenho esquemático, eventualmente tedioso, da seleção de Parreira. O troféu levantado pelo capitão Dunga não suporta a comparação com as outras quatro copas vencidas e chega a ser questionado até mesmo diante da derrota em 1982. Para piorar, a final contra a Itália, debaixo do sol de meio-dia, no estádio Rose Bowl, em Pasadena, terminou 0 a 0 depois de 120 minutos e foi decidida nos pênaltis – fato inédito e inusitado  em uma final de Copa do Mundo.

Acabooou! É teeeeetra!!! – Lembranças agridoces da Copa de 94

Resolvi reler a edição de 18 de julho de 1994 da “Folha”. O “day after” da Copa. É um trabalho do qual eu me orgulho muito de ter feito parte e que deixou para a história um registro forte, até um pouco amargo, do que foi essa conquista. Todos os trechos a seguir, com a exceção de um, foram publicados no dia seguinte à conquista do tetra.

Johan Cruyff (colunista da “Folha” na Copa de 94): “A partida (final) foi ruim e não vale a desculpa de que dificilmente em uma final se pode ver bom futebol. O que acontece é que o Brasil jogou demasiadamente preocupado com seu rival e em nenhum momento conseguiu impor seu domínio de bola”

Telê Santana (colunista): “Taticamente, a seleção brasileira encerrou sua participação na Copa devendo alguma coisa. Jogou da mesma maneira, do primeiro ao último dos 600 minutos disputados”.

Alberto Helena Jr (enviado especial aos EUA): “O Brasil é o primeiro tetracampeão do mundo da história, mesmo que o futebol que o conduziu ao título seja o anti-Brasil”. Sobre a entrada de Viola no segundo tempo da prorrogação, Helena observou: “Em 15 minutos, Viola jogou mais, agrediu mais, criou mais do que Zinho ao longo de todo o campeonato”.

José Simão (enviado especial): “Essa é a filosofia do Parreira: quem quer bola na rede que vá assistir basquete. Rarará. Muda de esporte”.

Marcelo Fromer e Nando Reis (colunistas): “Ninguém nos convence de que foi este esquema medroso que garantiu nosso sucesso nesta Copa.”

Romário, ao receber a medalha de campeão, disse que o título ia “calar a boca” dos críticos. Dirigiu-se aos fotógrafos – que pediam que ele se virasse para facilitar a foto da premiação – com as seguintes palavras: “Vocês todos foram contra. Se quiserem fotografar agora vão ter que ir lá na puta que o pariu”.

Dunga: “Agora é fácil me elogiar. Mas na hora difícil a equipe teve que se unir para suportar as críticas”. Ao receber o troféu, ao lado de Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, gritou “porra”, virou-se para os fotógrafos e disse: “Traíras!” Também disse naquele dia: “Foi uma vitória de homens!”

Este repórter escreveu: “O técnico Carlos Alberto Parreira foi vaiado pelo público ao ter seu nome anunciado pelos microfones do estádio antes do jogo. Essa cena se repetiu nas sete partidas que o Brasil disputou na Copa”.

Carlos Alberto Parreira: “O que as pessoas não entendem no Brasil é que a fantasia, a magia, o sonho e o show acabaram no futebol. Agora, o importante é ser competente” (a frase foi dita numa entrevista no meio da Copa e relembrada na edição de 18 de julho)

Zagallo (na véspera do jogo): “Fui burro em 70, sou burro em 94. Mas não reclamo”. Indagado sobre a possibilidade de ser o único tetra-campeão do mundo, um dia antes da final, disse a Mario Magalhães: “Vão ter que me engolir!”

E você, leitor, qual é a sua lembrança desta Copa?

No iG Esporte: Por andam os heróis do tetra?

Crédito da foto: Getty Images

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, Esporte Tags: , , , , , , ,
16/04/2009 - 15:35

Tim, Coutinho e Parreira: os mais citados pelos leitores

Elba de Pádua Lima, o Tim (1916-1984), foi, até as 15h, o técnico mais citado pelos leitores em resposta à pergunta: quem deveria fazer parte da seleção de maiores técnicos brasileiros. Teve 17 votos. Em seguida, aparecem Claudio Coutinho (1939-1981), com 15 votos, seguido por Carlos Alberto Parreira, 13 votos, o argentino Filpo Nunez (1920-1999), com 11, mesmo número de votos que Aymoré Moreira (1912-1998) e um a mais que Zezé Moreira (1917-1998).

Para se ter uma idéia da dificuldade da tarefa enfrentada por Mauricio Noriega em seu “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro” (Contexto, 256 págs., R$ 35), foram citados 51 nomes na breve enquete colocada na manhã desta quinta-feira aqui no blog.

Pedi a Noriega para comentar os resultados da pesquisa. Eis a entrevista:

Você poderia comentar, separadamente, a respeito dos seis técnicos mais citados pelos leitores como merecedores de serem incluídos numa relação dos maiores do futebol brasileiro? Vamos começar pelo Tim:
Tim foi espetacular, mas como decidi pelo critério dos títulos a partir dos torneios nacionais, entendi que havia outros grandes treinadores com conquistas nacionais e também muitas inovações, como Minelli, por exemplo. Tim teve poucas conquistas como técnico de clube, embora seja citado como grande estrategista. É o que sempre digo, para falar bem de alguém não preciso falar mal de outrem. Foi uma questão de critério. Jamais de desprezo a alguém.

E Claudio Coutinho?
Coutinho morreu antes de se firmar como grande técnico e ter muitas conquistas, o que fatalmente teria.

Parreira?
Parreira é um grande conhecedor de futebol, mas acredito que mesmo vencendo uma Copa seu impacto como treinador no futebol brasileiro não tenha sido tão grande.

Filpo Nunez?
Filpo, espetacular também, mas entendo que os outros, dentro do meu critério, também foram.

E os irmãos Aymoré e Zezé Moreira?
Aymoré, pelo que ouvi e pesquisei, era um estrategista brilhante. A Zezé se atribui a introdução da marcação por zona no Brasil, embora seja difícil comprovar isso historicamente. Também ganhou a Libertadores de 76 com o Cruzeiro, tirou o São Paulo da fila, enfim, fez história. Mas entrou em cena o diabo do critério e, claro, uma visão de comentarista que, reconheço, é mais do final dos anos 60 até hoje.   
 
O nome mais rejeitado pelos leitores foi o do Zagallo. Muitos argumentam que ele “pegou o time pronto” em 1970. A que você atribui essa rejeição?
Não consigo entender a rejeição ao Zagallo. E historicamente é um equívoco dizer que ele pegou a Seleção pronta. Ele mexeu muito no time, em especial na questão do meio-campo, e resolveu a questão de colocar tanto camisa dez de clube, todos craques, numa mesma equipe. Se assim fosse, Coutinho também pegou um trabalho pronto do Brandão em 77. Acredito que as pessoas tenham essa rejeição ao Zagallo pelo fato de Saldanha ter saído pelas evidentes conexões políticas, por ser um homem de esquerda dirigindo um símbolo nacional utilizado por um governo ditatorial. Ficou a imagem do Zagallo ligado ao regime militar, mas isso é uma tremenda injustiça. Como técnico, Zagallo é tremendamente respeitado fora do Brasil. E o que ele fez em 70 está aí até hoje. Todo mundo joga igual.
 
Você concorda com a crítica de alguns leitores que a sua lista é “regional”, ou seja, não olha para o Nordeste do país?
Discordo. Como tomei como uma base de critério as conquistas nacionais, evidentemente há um predomínio do Sudeste, principalmente. Levantei 75 títulos de caráter nacional disputados desde 1959: 31 foram conquistados por times de São Paulo, 17 por equipes do Rio, 11 por gaúchos. O futebol nordestino tem 4 títulos. Mas Ênio Andrade e Muricy, por exemplo, têm conquistas importantes pelo Náutico que são aqui citadas. E considero Evaristo de Macedo um excelente treinador. Como sempre, é o danado do critério. E cada um tem a sua lista, a minha está longe de ser incontestável.
 
Um leitor bem humorado pede para você fazer a lista dos 11 piores técnicos do futebol brasileiro. Você poderia citar algum?
Rapaz, que coisa.rsrsrs Só 11? Hehehe.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , ,
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