14/08/2009 - 15:32
O combate à pirataria digital tem se revelado uma luta inglória. Como relatei no blog, os grandes estúdios de Hollywood estão se desdobrando no esforço de evitar que os seus filmes sejam pirateados – o que ocorre, muitas vezes, antes mesmo do lançamento.
Uma das medidas antipirataria – talvez a mais antipática delas – seja a vigilância sobre os jornalistas que assistem filmes em sessões privadas, semanas ou meses antes da estréia oficial. Nas sessões para imprensa de “Harry Potter” e “Bruno”, em São Paulo, o controle contou com a ajuda de detectores de metais e seguranças dentro da sala, visando impedir que algum jornalista filmasse, com câmeras ou celulares, os filmes na tela.
O crítico Anthony Lane, da “New Yorker”, revelou na edição de 20 de julho da revista, que antes de assistir “Bruno” foi obrigado a assinar um documento em que se comprometia “a não blogar, twittar ou colocar no Facebook pensamentos sobre o filme antes de 6 de julho de 2009” (quatro dias antes da data da estréia nos EUA).
Nesta sexta-feira, 14 de agosto, dia da estréia de “Bruno” no Brasil, camelôs já vendem, em plena Avenida Paulista, cópias piratas do filme por R$ 5. Levando três DVDs, sai por R$ 12. Pechinchando, o camelô vende três por R$ 10. Entre as opções, além do mais recente filme de Sacha Baron Cohen, ele oferece o recém-lançado “Era do Gelo 3”, bem como “Inimigos Públicos”. Pelo preço de um também é possível comprar, num único DVD, os dois filmes da franquia “Se Eu Fosse Você”. “Acabando o um, começa o dois”, explica o vendedor.
Em tempo: Escrevi sobre “Bruno” e os filmes da era do cinema mudo nesta sexta-feira no Último Segundo.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, São Paulo
Tags: Anthony Lane, Bruno, camelôs, detector de metais, New Yorker, pirataria
28/07/2009 - 22:50
Não sei explicar direito as razões, mas adorei esses dois cartoons, publicados nas edições de 20 e 27 de julho da “New Yorker”, ambos sobre o mesmo tema, mas com enfoques bem diferentes (se desejar, clique nas imagens para vê-los ampliados).

“Primeiro casamento?”

“Já estamos casados há 25 anos. Talvez
pudéssemos remover a lata que resta”
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, jornalismo
Tags: cartoon, casamento, New Yorker
10/06/2009 - 12:20

“Definitivamente, alguma coisa está acontecendo. Voltamos a comer comida de cachorro”.
A crise econômica, como não poderia deixar de ser, tornou-se um dos temas prediletos dos cartunistas da “New Yorker”. O cartoon acima, genial, a meu ver, está na edição de 1º de junho da revista.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Cultura, Mundo, jornalismo
Tags: cartoom, crise econômica, New Yorker, Recessão
26/11/2008 - 14:48
Como recebo a revista sempre com atraso, só faço agora este comentário sobre o artigo “Girls! Girls! Girls!”, de Alexander Stille, publicado na “New Yorker” com data de capa de 3 de novembro. Trata-se de um texto muito bem-humorado, mas devastador, sobre o que aconteceu com a Itália desde que o primeiro-ministro Silvio Berlusconi assumiu o poder pela primeira vez, há quase 15 anos (apenas um resumo está aberto no site da revista).
Stille descreve como Berlusconi cultiva, a seu favor, a imagem de bon-vivant, conquistador e cafajeste. Com piadas, gestos ambíguos e aquele famoso sorriso de estátua, fala abertamente sobre sexo e não esconde que já fez cirurgia plástica e implante de cabelos.
No artigo, Stille mostra como Berlusconi vem se cercando, no Parlamento e no governo, de mulheres que trabalharam em suas emissoras de tevê – algumas como garotas de palco. A mais famosa é Mara Carfagna (à esquerda), candidata derrotada a Miss Itália e ex-showgirl num programa de tevê, nomeada ministra da Igualdade das Oportunidades no novo governo. A humorista Sabina Guzzanti está sendo processada pela “mais bonita ministra do mundo”, nas palavras de um correligionário de Carfagna, depois de ter dito: “Não me importa a vida sexual do Berlusconi. Mas você não pode fazer alguém ministro da Igualdade das Oportunidades só porque ela chupou o seu pau”.
Outra beldade que passou pelos programas de tevê de Berlusconi e hoje está no governo é a ruiva Michela Vittoria Brambilla (acima). Também ex-candidata a Miss Itália, Michela apresentava um programa chamado “Mistérios da Noite”, focado na vida noturna de cidades ao redor do mundo. Hoje ela é vice-ministra do Turismo. Segundo Stille, este cargo era o segundo na sua preferência. Como gosta de animais, ela sonhava ter sido nomeada ministra do Meio Ambiente.
Stille livra a cara de uma única mulher que faz parte do governo Berlusconi. Mariastella Gelmini (à esquerda) não apenas nunca trabalhou nas emissoras do primeiro-ministro, como ainda tem alguma experiência política. Ela é a atual ministra da Educação.
Diferente é a situação de Deborah Bergamini. Assistente pessoal de Berlusconi no seu conglomerado de mídia, Bergamini (abaixo) foi nomeada diretora de marketing da RAI. O conflito de interesses nesse caso é óbvio, já que as emissoras de tevê estatais também são controladas por Berlusconi, enquanto primeiro-ministro. Gravações feitas há alguns anos mostraram que Bergamini, trabalhando na RAI, defendia os interesses da Mediaset, do patrão. Afastada da RAI, com uma gorda indenização, hoje ela é deputada da coalizão governamental.
Por fim, Stille conta a história de Virginia Sanjust di Teulada (abaixo), jornalista do grupo de mídia de Berlusconi. Há cinco anos, depois de assistir uma reportagem da moça, o patrão, encantado, mandou um buque de flores. Agradecida, ela respondeu com um cartão, no qual registrou o número de seu telefone. Convidada a almoçar com o primeiro-ministro, foi chamada a prestar uma consultoria, regiamente paga, ao governo.
O escândalo se tornou público graças às revelações do então marido, logo ex, de Sanjust di Teulada, Federico Armati. A jovem jornalista também ganhou um programa na RAI e Armati, que trabalhava para serviços de inteligência do governo, foi transferido e, posteriormente, demitido.
Stille encerra sua crônica sexual sobre a Itália de Berlusconi lembrando que, no início dos anos 90, o PIB da Itália era 15% superior ao da Grã-Bretanha. O fato era motivo de orgulho no país. Hoje, a economia italiana é 23% menor que a britânica.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Mundo
Tags: Berlusconi, Deborah Bergamini, Itália, Mara Carfagna, Michela Vittoria Brambilla, New Yorker, Virginia Sanjust di Teulada