Diálogo com um leitor sobre comentários no blog
Estou fazendo esse blog há pouco mais de seis meses. Tenho por hábito não responder diretamente aos leitores. Acho que eles têm o direito de manifestar a opinião deles livremente, sem qualquer tipo de contestação minha. Evito, por isso, entrar na área de comentários – esse é o espaço deles, o fórum deles.
Em alguns poucos casos, porém, respondo dentro da área de comentários. Normalmente isso ocorre quando um conhecido meu envia um recado ou quando um leitor me chama a atenção para um erro que cometi, ou apresenta alguma dúvida que merece um esclarecimento.
Em 24 de janeiro, escrevi no blog sobre a canção “Mr. do Pandeiro”, versão de “Mr. Tambourine Man”, de Bob Dylan, gravada por Zé Ramalho. O post, “Mr. do Pandeiro”: Zé Ramalho reiventa Bob Dylan, provocou pouco mais de duas dezenas de comentários – tanto de gente que, como eu, gostou da versão, quanto de quem a odiou. Como o escritor Bráulio Tavares, responsável pela adaptação da música, também se manifestou a respeito, cinco dias depois escrevi um segundo post sobre o assunto, Autor da versão comenta polêmica sobre “Mr. do Pandeiro”, que rendeu outra dezena de comentários.
Entre os comentaristas dos dois posts, um se destacou. Assinando seus comentários como Beto, ele manifestou contrariedade com a adaptação de Zé Ramalho. Informou que era grande fã de Bob Dylan e, em vários comentários, tentou argumentar e convencer os demais comentaristas sobre a impropriedade da adaptação. Na sua visão, se entendi corretamente, Bob Dylan é único, inimitável e inadaptável. Cheguei a citar um dos argumentos de Beto no meu segundo post, o que provocou outros comentários dele.
Hoje, passados 24 dias do segundo post, Beto voltou a entrar no blog para tratar do assunto. Fez um comentário muito interessante, que acabou por merecer uma resposta minha, na área de comentários. Mas como o post sobre Zé Ramalho nem está mais na página principal do blog, decidi reproduzir abaixo o que Beto escreveu e a resposta que postei para ele.
Olá, Maurício, boa tarde.
Eu não sabia que esse negócio de blog existia, pois não tenho computador e nem mesmo gosto, acho. Mas é assim mesmo? Quer dizer, você lança a notícia, o pessoal entra, opina e depois nunca mais volta? Esquisito, não? E quem ficou com a razão nesse caso específico? Ou não é pra se ter razão? Estranho isso, essa avalanche de informações que, praticamente, as pessoas são obrigadas a acompanhar, ou quase. No meu caso, não. Seja lá como for, eu gostaria de dizer algo mais sobre o assunto. Li uma entrevista na internet com o sr. Zé Ramalho, se não me engano para O Globo. Ele se dizia magoado com a crítica, inclusive em relação ao último disco. Ele disse que sempre foi assim, que “os cães ladram, mas a caravana passa”. Não sei, não. Não se trata, aqui, de ofensas pessoais, mas o criticado sempre acaba levando para o lado pessoal.Muito difícil não ser assim. Nos meus comentários, não o ofendi como pessoa, e nem ofendi. Mas não sou jornalista, não tenho autoridade nenhuma, ninguém vai reparar no que eu escrevi, é muito diferente. Aliás, domingo eu também li que o compositor Luiz Tatit, em parceria com um outro, escreveu um livro no qual analisa canções, 6 ao todo. São analisados Caetano, Chico e Gilberto Gil, além de Tom Jobim. Vale a pena ler a reportagem do Caderno 2 do Estadão. Nessa reportagem o Tatit diz que nem o Bob Dylan conseguiu analisar a realidade como o Caetano, o Chico e o Gil. Ele também cita John Lennon, que também, na opinião dele, não conseguiu. Discordo do Tatit em gênero, número e grau. Bob Dylan é, em comparação com o trio brasileiro, o compositor mais versátil e plurarista. Maurício, não volto mais aqui, e um grande abraço.
Resposta do Mauricio:
Caro Beto,
Acabo de ver a mensagem que vc postou hoje. Queria, em primeiro lugar, te agradecer pelo interesse e pelos ótimos comentários sobre o assunto que vc colocou. Depois, gostaria de esclarecer que minha proposta, neste blog, é de promover discussões sobre temas que considero importantes. Muitas vezes dou a minha opinião, outras vezes nem isso, apenas apresento o assunto. De qualquer forma, não pretendo ter a palavra final sobre nenhum assunto. Neste caso do Zé Ramalho, ocorreu um debate muito saudável de idéias. Visões diferentes e divergentes sobre um mesmo assunto. Vc disse que não visita muito blogs. Pois é. Nem toda discussão em blog ocorre dessa forma educada e interessante, como foi no caso do meu post sobre o Zé Ramalho. Não acho que alguém tenha que ter a razão. Mais de uma pessoa pode ter a razão – e com opiniões muito diversas. Isso é saudável e democrático. Por isso tudo, escrevo para dizer que vc é muito bem-vindo e que ficarei feliz de te ver em outras discussões aqui no blog. Não cumpra a promessa de não voltar mais aqui.
muito obrigado
um abraço
Mauricio




