iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

05/11/2009 - 15:43

Apenas três decepções

Mostra SeloA Mostra está chegando ao fim e é hora de começar a fazer alguns balanços. O primeiro que farei aqui trata das poucas decepções que tive. Dos quase 30 filmes que assisti, apenas três não me agradaram. Aviso logo que entramos aqui num terreno de alta subjetividade já que a decepção está sempre relacionada a uma expectativa prévia, construída com base em fatos objetivos, mas também, e sobretudo, em idealizações.

woodstockAconteceu em Woodstock”, de Ang Lee, encabeça a minha lista. O filme é baseado nas memórias de Eliot Tiber, o jovem empreendedor responsável por levar o lendário concerto de Woodstock, em 1969, para a pequena cidade de Bethel, onde sua família mantinha um hotel decadente.

Ang Lee vislumbrou nas memórias de Tiber uma oportunidade de recontar uma história muito conhecida – a celebração hippie de Woodstock – pela ótica de um jovem tímido, dominado pela mãe, que vive aqueles dias como a oportunidade de renascer. É um tema que aparece em outros filmes de Ang Lee (“Banquete de Casamento”, “Comer, Beber, Viver” e “O Segredo de Brokeback Mountain”), mas sem a mesma força.

A história de Eliot Tiber claramente não tem impacto suficiente para segurar “Aconteceu em Woodstock” e o filme acaba resultando leve, superficial, com clima de Sessão da Tarde.

Soul KitchenSoul Kitchen” apresenta como maior credencial o fato de ser dirigido pelo cineasta alemão de origem turca Fatih Akin, figura conhecida na Mostra por “Contra a Parede”, “Do Outro Lado” e “The Sound of Istambul”.

À diferença dos filmes anteriores, “Soul Kitchen” é uma comédia rasgada. Ou melhor, esforça-se em nos fazer rir com as aventuras do atrapalhado Zinos, um dono de restaurante que faz tudo errado – no trabalho, com a namorada, com os amigos e com o irmão. Apesar de alguns bons achados, Akin opta pela caricatura e o escracho, a meu ver, as formas mais fáceis de provocar risos.

cabeça a premioCabeça a Prêmio” assinala a estreia do excelente ator Marco Ricca como diretor de cinema. O filme se baseia num thriller de Marçal Aquino, publicado em 2003. Conta as histórias cruzadas de diferentes personagens numa área do “faroeste” brasileiro – um piloto de avião, um fazendeiro traficante, sua filha e dois matadores profissionais.

Construído com habilidade e talento, o livro de Aquino se lê de um fôlego. Lembro que escrevi na ocasião que “Cabeça a Prêmio” parecia pronto para ser levado às telas. O filme de Ricca, no entanto, desidrata esta pulsão do romance, optando por um olhar mais reflexivo, em busca, talvez, da “verdade” por trás daqueles estranhos personagens.

O elenco escalado está à altura da ambição. Ótimos atores, como o argentino Daniel Hendler (no papel do piloto), Fulvio Stefanini (como o chefe mafioso), Otavio Muller (seu irmão), Eduardo Moscovis e Cassio Gabus Mendes (como matadores) encaram o desafio de dar vida ao faroeste caboclo descrito por Aquino. O resultado, porém, é irregular. O que “Cabeça a Prêmio”, o filme, perde em ritmo não compensa em “densidade”, apesar desta constelação em cena. Ricca mostra que tem boa mão para dirigir, mas talvez tenha sido ambicioso demais na estreia.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , ,
03/10/2008 - 13:17

Editora tentou publicar livro que não existe

Lançado no final de 2005, “Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios” não cansa de trazer surpresas a Marçal Aquino. O livro já está na terceira reimpressão, o que significa ter ultrapassado a casa dos 10 mil exemplares. Foi publicado em Portugal e, no ano que vem, possivelmente, será filmado por Beto Brant, parceiro de Marçal, que já procura locações para ambientar a história do amor do fotógrafo paulista Cauby pela jovem Lavínia, ex-prostituta, no interior do Pará.

Quem leu “Eu receberia as piores notícias…” conhece bem um personagem várias vezes citado, o professor Benjamin Schianberg, apresentado como “filósofo do amor”, autor de uma obra a que Marçal recorre com freqüência na construção da narrativa, o livro de auto-ajuda “O que vemos no mundo”.

Marçal teve o cuidado de criar um personagem cujo nome nunca havia aparecido no Google, e inventou um livro que nunca foi escrito, justamente para evitar qualquer tipo de confusão. E não é que uma importante editora do Rio de Janeiro telefonou para Marçal, pedindo ajuda para localizar Schianberg, pois queria publicar “O que vemos no mundo” no Brasil, mas não conseguia encontrá-lo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
Voltar ao topo