Luxemburgo ataca jornalistas “corintianos”, mas é criticado por “palmeirenses”
Jornalista pode ter time? E pode torcer? A resposta à primeira pergunta é fácil: lógico que sim. A segunda é mais complicada. Pode torcer desde que não esteja no ambiente de trabalho ou em missão profissional – do contrário, a confusão é enorme. Foi a propósito deste assunto que entrevistei, para o Último Segundo, o radialista Eraldo Leite, presidente da Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro.
A ACERJ acaba de advertir um jornalista que, no último domingo, comemorou e gritou acintosamente na Tribuna de Imprensa do Maracanã depois de um gol do Fluminense. O fato foi noticiado no site da entidade. É uma situação inédita, até onde eu sei – uma associação de jornalistas esportivos vir a público ensinar como os profissionais devem se comportar no ambiente de trabalho.
Quase todo torcedor suspeita que os jornalistas esportivos beneficiem os seus clubes de coração em suas reportagens, análises e comentários. Os profissionais sérios e respeitados convivem bem com essa questão – sabem que podem falar abertamente o nome do time que torcem sem que o trabalho que fazem seja afetado.
Uma novidade esta semana foi a suspeita levantada por um técnico, o sempre polêmico Vanderlei Luxemburgo, sobre a isenção dos críticos que atacaram o pífio desempenho do Palmeiras, nesta quinta-feira, no Parque Antarctica, contra o Nacional, de Montevidéu. Segundo o técnico, os seus críticos são jornalistas corintianos. Eis o que disse:
“Tenho percebido que há uma má vontade grande contra a gente. Nos outros clubes as mesmas coisas acontecem, mas aqui têm mais críticas. Percebo que são corintianos que precisam tirar a camisa do time e ter mais calma na análise”.
Em seu blog, Opiniões em Campo, o jornalista Allan Brito resolveu “comprar” a provocação de Luxemburgo e trouxe os comentários de dois colunistas considerados torcedores do Palmeiras, Mauricio Noriega e Mauro Beting, sobre o desempenho do Palmeiras em campo. São críticas fortes que provam, mais uma vez, o eu que eu disse antes: jornalistas sérios não confundem a paixão por seus clubes com a isenção profissional.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: Acerj, jornalistas corintianos, Luxemburgo, Maracanã, Palmeiras


