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05/10/2009 - 10:39

Duas semanas na Espanha ouvindo falar do Brasil

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Férias no exterior servem não para descansar fisicamente, mas mentalmente: desconectar, ver outras realidades, pensar em assuntos diferentes aos do seu cotidiano. Pois escolhi o lugar errado para as minhas: a Espanha. Passei duas semanas (maravilhosas, diga-se) ouvindo falar do Brasil.

Para começar, Oscar Niemeyer. O arquiteto de 101 anos ganhou uma bela exposição em Madri, recém-inaugurada, e é tema de debates que acontecem esta semana na cidade, que celebra uma série de eventos dedicados à arquitetura.

É óbvio que quando se fala de futebol na Espanha não dá para deixar de falar do Brasil, mas o momento é especial, em função não apenas da chegada de Kaká ao Real Madrid, mas graças ao Sevilha, que a cada dia se firma como a terceira força da bola no país.

O time de Luis Fabiano e Renato deu show nestas últimas duas semanas, com direito a goleada (4 a 1) no Rangers, na Escócia, pela Liga dos Campeões, e vitória sobre o Real (2 a 1) em casa. Depois de seis rodadas, está em terceiro lugar no Espanhol, com o mesmo número de pontos que o Real (5 vitorias e uma derrota) e sua classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões só não acontecerá por acidente.

Em entrevista de uma página ao “El Pais”, o principal jornal da Espanha, publicada neste domingo, Luis Fabiano abre uma ótima polêmica ao declarar: “Kaká é melhor do que Cristiano Ronaldo”. O camisa 9 da seleção brasileira, cuja cláusula de rescisão com o Sevilha é de 30 milhões de euros, espera trocar de time ao final da temporada, em 2010.

E, por fim, o mais importante: Jogos Olímpicos. Depois de rodar pela Andaluzia e Barcelona, cheguei a Madri na terça-feira, 29 de setembro. A cidade estava toda decorada com cartazes alusivos à campanha pelos Jogos de 2016, e só se falava deste assunto nos jornais, na televisão e nos bares.

A cidade fez uma campanha com forte apelo emotivo, a começar do título “Madrid, tengo una corazonada” – o que levou o “El Pais” a noticiar no sábado, após o anuncio do resultado, que o Rio partiu o coração de Madri.

Embora falassem muito do lobby de Obama por Chicago, os espanhóis sabiam que o principal rival da candidatura de Madri era o Rio de Janeiro. Por este motivo, o noticiário da semana enfatizou o fato de a cidade já ter prontos quase 80% da infra-estrutura para os Jogos de 2016, contrastando com os números pífios do Rio neste quesito.

Outro sinal evidente da preocupação com a candidatura do Rio estava estampado na capa do “El Pais” de sexta-feira, dia da eleição. Uma enorme foto mostrava o presidente Lula passando a mão no rosto do rei Juan Carlos, observados pelo prefeito de Madri e pelo ex-jogador Pelé. Além da quebra de protocolo, a foto, tirada na véspera, parecia conter a seguinte mensagem, passada por Lula: gostamos muito de vocês (espanhóis), mas vamos levar essa.

Os espanhóis prepararam uma grande festa na sexta-feira, na Praça do Oriente, um dos cartões postais de Madri, tendo ao fundo o imponente Palácio Real, antiga residência dos reis da Espanha. A festa começou à uma da tarde e foi até às 18h50, quando o presidente do Comitê Olímpico Internacional anunciou o resultado final.

Da praça, ainda, enviei um pequeno texto ao iG Esporte, falando do silêncio de velório que tomou conta do lugar, só quebrado pela alegria de uns 20 brasileiros, com camisas do São Paulo, do Grêmio e da seleção, que desfraldaram bandeiras e camisas e, desafinados, começaram a cantar “Cidade Maravilhosa” e o hino do Brasil no local.

Com os vários espanhóis que conversei, incluindo Antonio Garrido, um dos principais radialistas do país, percebi que a frustração com o resultado não desaguou em raiva pelo fato de o vitorioso ter sido o Rio de Janeiro.

Os jornais no sábado confirmaram esta sensação, ao enfatizarem que a América do Sul nunca sediou Jogos Olímpicos – um dos temas centrais do discurso do presidente Lula ao COI – e que seria muito difícil um mesmo continente – a Europa – sediar os Jogos duas vezes seguidas (2012 será em Londres).

Com exceção das reclamações do presidente do Comitê Olímpico Espanhol, que achou estranha a migração quase total dos votos dados a Chicago e Tóquio para o Rio, os espanhóis não reclamaram do resultado final e agora discutem se vale a pena apresentar a candidatura de Madri para os Jogos de 2020.

Enfim, depois de duas semanas, estou de volta, para ouvir falar dos mesmo assuntos que ouvi na Espanha.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , , , , ,
10/10/2008 - 18:59

O bom gosto musical de Lula

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O presidente Lula confessou em entrevista que navega na internet menos do que gostaria. “Quando eu deixar a presidência da República, vou acessar tudo que não tive direito agora”, ele disse. Na sequência, falou do seu esforço para baixar três músicas na internet. Ainda que não seja o suficiente para traçar o perfil do gosto musical do presidente, dá para ter uma idéia do que ele gosta por essa descrição.

A primeira música, que Lula baixou por interesse próprio, é “Viola Enluarada”, dos irmãos Marcos e Paulo Sergio Valle. Primeiro ponto para o presidente. A música é um clássico dos anos 60, com sua mensagem política embutida em melodia suave. Não há roda de violão em que não se cante “Viola Enluarada”.

A segunda música, Lula baixou para Cid Gomes, governador do Ceará. Trata-se de “Pau de Arara”, também conhecida como “Comedor de Gilete”, canção de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, incluída no musical “Pobre Menina Rica” e gravada por Ari Toledo, na década de 60. O hoje comediante, para quem não sabe, começou a carreira como cantor e ator. O gosto de Lula ainda está no terreno da música de protesto. Como se sabe, esta canção foi inspirada na saga de um retirante cearense em São Paulo, que passa fome e resolve, para melhorar de vida, comer gilete. “Eu juro que eu tinha saudades da fome, da fome que eu tinha no meu Ceará”, diz a letra.

A terceira música que Lula baixou foi em homenagem ao governador da Bahia, Jacques Wagner. O presidente não lembrava o nome da música, mas citou um trecho de cabeça. Trata-se do divertido baião “Baiano burro nasce morto”, do compositor baiano Gordurinha, cuja primeira gravação é de 1959. A música é uma delícia e seu título inspirou um famoso bordão em programas de tevê. Outro ponto para o presidente.

O gosto musical de Lula, por essa pequena amostra, está mais do que aprovado.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , , , ,
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