Galvão Bueno não vai a Rosário e equipe da Band tripudia
“Nós estamos aqui”, sublinhou Neto, o comentarista da Band, logo no início da transmissão de Argentina e Brasil, na noite de sábado. “A pressão aqui é muito forte”, repetiu mais de uma vez o narrador Luciano do Valle. “Esses dias todos que estamos aqui, deu pra sentir a pressão”, confirmou Neto. “Aqui dentro, o gol do Brasil deveria valer por dois”, disse Luciano após narrar o gol de Luisão, que abriu o placar. E ainda disse, depois do gol de Luis Fabiano: “O peso desses dois gols finalmente silencia a torcida argentina aqui em Rosário”.
Quem viu a partida pela Band deve ter estranhado a insistência do narrador e do comentarista em realçarem o fato de estarem em Rosário, local da partida. Dada a importância do encontro, seria surpreendente se não estivessem “aqui”.
Mas depois de ouvir o terceiro “aqui” em menos de cinco minutos, resolvi sintonizar na Globo. Qual não foi a surpresa ao me dar conta que Galvão Bueno e Falcão não estavam no estádio, em Rosário, mas transmitindo a partida em um estúdio fechado, em outro lugar. Se havia alguma dúvida, no intervalo da partida isso ficou claro – Galvão e Falcão apareceram à frente de uma parede com o logotipo da Globo, e não tendo uma imagem do estádio ao fundo, como é normal quando estão no local.
Pela internet, em alguns blogs, corre a versão que o principal narrador da Globo não viajou a Rosário por medo da gripe suína. Este blog apurou uma história parecida. O departamento médico da Globo determina uma quarentena de sete dias a qualquer funcionário que viaja para a Argentina neste momento. Se narrasse a partida em Rosário, Galvão não poderia atuar na partida de quarta-feira, contra o Chile, em Salvador. Em função desta quarentena recomendada pela emissora, os repórteres que a Globo enviou para Rosário estão de folga até o final da semana que vem.
O fato é que a equipe da Band reinou sozinha na tevê aberta. E se divertiu. Neto, soltinho como sempre, foi quem mais falou a palavra “aqui”, a sublinhar que estava testemunhando, de fato, o encontro. Também riu muito do técnico da Argentina: “Fala a verdade, nunca vi um cara comer tanta unha como o Maradona”. Tripudiou do zagueiro rival: “Esse Sebá jogar na seleção argentina é a baba na baba”. E fez piada com Verón, apelidado na Argentina de La Bruja: “Verón está mais pra velho do que pra bruxa”, disparou Neto.
A presença no estádio não ajudou muito Luciano do Valle a identificar os jogadores em campo. Sua narração vibrante é repleta de expressões como “cruzamento perigoso!”, “bateu!”, “tirou!”, “corte bem feito”, sem que o espectador ouça o nome dos autores das jogadas.
Outra marca das transmissões da Band são os recados que a equipe envia ao longo do jogo. Entre um lance e outro de perigo, Luciano do Valle mandava um abraço para o prefeito de Foz do Iguaçu e pedia votos para a cidade ser eleita uma das sete maravilhas da natureza. Já Oscar Roberto Godói, comentarista de arbitragem, mandou um abraço “para o pessoal da Itaipava” depois de criticar um cartão amarelo “perfeitamente desnecessário de ser mostrado”.
O que importa, enfim, como disse Neto, é que o Brasil aplicou “um chocolate” na Argentina. E fomos todos dormir mais felizes na noite de sábado.
Em tempo (atualizado às 11h30 de 7 de setembro): Vários leitores estranharam o uso que fiz da palavra “quarentena” associado a um período de isolamento de sete dias, e não a 40 dias. Recorro ao dicionário “Houaiss” para explicar. Quando se refere a “infectologia”, a palavra “quarentena” significa: ”conjunto de restrições e/ou isolamento, por períodos de tempo variáveis, impostos a indivíduos ou cargas procedentes de países em que ocorrem epidemias de doenças contagiosas” (o grifo é meu).
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: Band, Brasil e Argentina, Falcão, Galvão Bueno, Godói, Luciano do Vale, Neto, Rosário


