Ronaldo joga para a torcida
Jornalistas que ainda não perderam o juízo enfrentam diariamente um dilema: onde termina a privacidade de uma figura pública? Quando a intimidade de políticos, artistas, jogadores de futebol ou celebridades se torna notícia? Qual é a nossa obrigação ao descobrir segredos da esfera íntima de personagens que são notícia?
São questões tão delicadas quanto fundamentais no exercício profissional. E muito antigas. O critério mais usado na definição do que é ou não notícia nesses casos é o chamado “interesse público”.
Sei que não é fácil definir o que é “interesse público”. Ao ouvir o jogador Ronaldo sugerir que a cirurgia de lipoaspiração que realizou é um problema particular, eu concordo com ele, mas pergunto: não tem interesse público?
Ronaldo não apenas é uma figura pública, como raramente demonstra preocupação em preservar a sua vida privada. O jogador exibe os seus filhos em revistas, aparece em eventos públicos variados, é garoto-propaganda de uma série de produtos e, desde que chegou ao Corinthians, tem falado com certa franqueza sobre inúmeros temas espinhosos.
É até discutível se uma lipoaspiração terá o efeito de afetar o desempenho atlético do jogador, mas o simples fato de alterar a sua aparência já torna a cirurgia de Ronaldo um fato de inquestionável interesse público.
Por isso, ao dizer que é um assunto particular, acho que Ronaldo está jogando para a torcida e tentando deixar os jornalistas numa saia justa. Entre a imprensa e o craque, a apaixonada nação corintiana não precisa pensar duas vezes antes de dizer com quem está.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: Corinthians, interesse público, lipoaspiração, problema particular, Ronaldo


