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03/11/2008 - 09:53

Sobre torcida, patriotismo e comentários dos leitores

O leitor que assina Martinelli pergunta: “Poxa, Stycer, você é a favor ou contra um brasileiro torcer por outro?” Acho que está aí, nesta indagação irritada, mas educada, a chave para compreender o meu comentário de ontem à tarde, depois de assistir a transmissão do GP Brasil de F-1 pela televisão. Não tenho nada contra um brasileiro torcer por outro, muito pelo contrário. Entendo perfeitamente – e respeito – todos os leitores que escreveram para dizer que, como Galvão Bueno, estavam torcendo por Massa e secando Hamilton. Mas acho que todo cidadão tem o direito de torcer – ou não torcer – por quem quiser. Critiquei o fato de a narração tentar transformar a transmissão de uma corrida numa disputa de todo um povo contra um piloto de outra nacionalidade, ou de uma pátria contra outras.  Não vejo uma prova de F-1 dessa forma – até porque os pilotos representam fabricantes de carros, frequentemente de nacionalidades diferentes das suas. E, não à toa, ao final da corrida, executa-se o hino do país do piloto vencedor bem como do país do construtor do carro.

Aproveito para esclarecer que aceito todo tipo de críticas ao meu trabalho, menos ofensas pessoais. O mesmo vale para comentários sobre pessoas citadas. Por esse motivo, exclui uma centena de comentários agressivos, com palavrões, ou mensagens de cunho racista. Peço desculpas caso algum tenha passado, e agradeço ser alertado quando isso ocorrer.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , ,
02/11/2008 - 16:34

Galvão: “O Brasil é Vettel desde criancinha”. Hã?!

Galvão Bueno até que estava se saindo bem, torcendo por Felipe Massa e secando Lewis Hamilton dentro dos limites recomendados pela boa educação e o fair play. Até que na volta 68, a três do final, o alemão Sebastian Vettel colou em Hamilton e, se o ultrapassasse, deixaria o britânico em sexto, dando o título para o brasileiro. “O Brasil corre com Vettel, agora”, avisou Galvão, dando início ao seu show.

“Vai Vettel! Vai Vettel! Vai Vettel”, empurrou Galvão na volta 69, pouco antes da ultrapassagem. “Segura Vettel! Segura Vettel!”, suplicou em seguida. Na penúltima volta, dirigiu junto com o alemão, de maneira a evitar que ele passasse por cima da zebra, o que poderia ocasionar uma derrapagem. “Não, Vettel, por cima da zebra não”. E depois anunciou a todos nós, brasileiros, que assistíamos a corrida: “O Brasil é Vettel desde criancinha”.

Galvão, porém, se esqueceu que o alemão Timo Glock só estava em quarto, ajudando Massa a ser campeão, porque não fez uma última parada para troca de pneus e corria com equipamento para pista seca no momento em que chovia no autódromo. Uma tática ousada, quase suicida.

Assim, a euforia de Galvão deu lugar à frustração quando o “brasileiro” Vettel e Hamilton ultrapassaram Glock a 500 metros do fim da corrida – garantindo o título mundial ao piloto britânico. Restou ao narrador confortar Massa, em nome de todos nós, brasileiros: “Estamos agradecendo a você, Felipe, por tudo que você fez”. Ainda disse: “Que grande piloto nós temos e o nome dele é Felipe Massa”. E concluiu: “Felipe Massa do Brasil. Valeu, filho. Comemore. Hoje você é um grande piloto.” Mas quem foi mesmo campeão?

 

Obs: Corrigido às 18h13. Glock estava em quarto, não em terceiro, como escrevi originalmente. Obrigado ao leitor que me chamou a atenção.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , ,
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