O que houve com Cuba?
Tradicionalmente a mais bem-sucedida potência olímpica da América Latina, Cuba terá em Pequim o seu pior desempenho em décadas. O país disputa duas medalhas de ouro no boxe, neste domingo. Ainda que conquiste as duas, ficará muito longe dos resultados alcançados no passado. Neste sábado, os cubanos figuravam em 27º lugar, com duas medalhas de ouro, nove de prata e 11 de bronze. Em Atenas, o país ficou em 11º lugar na classificação geral com nove ouros, sete pratas e 11 bronzes. Quatro anos antes, em Sydney, Cuba foi nono, com 11 ouros, 11 pratas e sete bronzes.
O título de campeão da América Latina e Caribe, em Pequim, Cuba já perdeu para a Jamaica de Usain Bolt. E se não ganhar os dois ouros no boxe, possivelmente ficará atrás até do Brasil no quadro geral de medalhas – um desempenho pífio.
Uma série de deserções de boxeadores afetou o desempenho do país numa modalidade que Cuba dominava. Ainda que tenha chegado em oito semifinais em Pequim, não conquistou nenhum ouro até o momento. Ganhou quatro bronzes e duas pratas. Restam dois ouros em disputa no domingo. Em 2004, o país conquistou cinco medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze.
Outra decepção foi o time de beisebol. A equipe cubana perdeu a final olímpica – a última do beisebol em Jogos Olímpicos – para a Coréia do Sul, por 3 a 2. Em cinco disputas olímpicas, desde 1992, foram três ouros (Barcelona, Atlanta e Atenas) e duas pratas (Sydney e Pequim).
No vôlei feminino, Cuba deixou de ganhar uma medalha pela primeira vez, desde Seul. O país havia sido campeão em Barcelona, Atlanta e Sydney e bronze em Atenas. Este ano, a equipe perdeu a semifinal para os Estados Unidos e a medalha de bronze para China.
A saltadora Yargelis Savigne, esperança no salto triplo, ficou em quinto lugar, entre outras decepções. E para completar, Cuba ainda protagonizou um vexame, neste sábado. O lutador Angel Valodia Matos disputava o bronze na categoria até 80 kg no taekwondo quando foi desclassificado de maneira irregular. Irritado, atacou o árbitro do combate com um golpe espetacular. É uma das imagens que ficarão – infelizmente para Cuba – na história destes Jogos.
Atualização (domingo): Não vieram os ouros no boxe e Cuba terminou os Jogos em 29º lugar, atrás do Brasil. Foi o pior desempenho do país desde 1964, como mostrou o enviado especial do iG a Pequim.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: Jogos Olímpicos; Cuba; medalhas



